"Vida que Segue" do diretor Brad Silberling (de "Cidade dos Anjos") poderia ser um ótimo drama familiar não fosse o roteiro extremamente mal escrito. Três grandes atores - Dustin Hoffman, Susan Sarandon e Holly Hunter - estão completamente deslocados neste filme que mais parece um melodrama feito pra televisão. "Vida que Segue" conta a história de Joe (Jake Gyllenhaal), um rapaz que perde sua noiva assassinada e depois disso vai morar por um tempo com os pais dela. Com isso, Joe tenta preencher o espaço que a perda da filha deixou na vida dos seus ex-futuros sogros. Até que um dia surge um novo amor na vida de Joe. A história do filme é baseada em uma experiência pela qual o diretor Brad Silberling realmente passou. Nos anos 80, Silberling perdeu sua noiva assassinada e depois disso criou-se entre ele e os pais da moça um forte vínculo emocional. O roteiro de "Vida que Segue" é assinado por pelo diretor do filme, e é aí que a coisa se perde, e muito. Eu tenho uma teoria; ao escrever o roteiro, Silberling começou a se lembrar da noiva falecida e foi tomado por uma súbita tristeza que o fazia chorar dia e noite. Com os olhos embaçados pelas lágrimas ele não conseguia enxergar direito o que estava escrevendo, por isso que o roteiro é tão ruim. Brincadeiras à parte, "Vida que Segue" poderia ser muito legal se Brad Silberling não tivesse assassinado o roteiro. O filme até que começa bem (olha só a minha teoria dando certo, quando começou a escrever, Silberling ainda não tinha sido atingido pelo raio da saudade...), mas de repente a história descamba e vira um amontoado de clichês ruinzinhos de doer. Do momento em que "o novo amor" de Joe surge na tela em diante o filme passa de drama a comédia. Não dá pra não rir com os diálogos e as situações descabidas que o roteiro propõe. É esquisito ver Dustin Hoffman e Susan Sarandon num filme tão mal escrito, mais esquisito ainda porque o péssimo texto os arrasta até bem perto da canastrice. Agora se você quer realmente se divertir, preste muita atenção na personagem de Holly Hunter - especialmente na cena do tribunal, mais especificamente no momento em que ela se aproxima de Joe - que está depondo - e lhe sussura uma dica, é de rolar de rir. Uma coisa boa em meio a tanta bobeira; a trilha sonora do filme é excelente. Em tempo: compre a trilha sonora e não vá ao cinema.
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