Sinopse: Walter é um professor de economia que foi convidado a ir para Nova York e apresentar um estudo. Chegando na metrópole, ele descobre que seu apartamento está ocupado por um casal de imigrantes.
O maior mérito de O Visitante (The Visitor) está em tratar de temas altamente contemporâneos sem ser didático ao extremo e com a seriedade e profundidade que tais questões merecem. A solidão é o primeiro desses importantes e atuais assuntos a ser tratado no filme. O protagonista é um clássico tipo: um viúvo que deixou o passar do tempo fazê-lo perder o interesse pela vida.
Depois de vários anos isolado em um ciclo vicioso, dando as mesmas aulas cada vez com menos motivação, a zona de conforto de Walter é posta em xeque durante sua viagem a Nova York. Nesse momento é que o segundo tema começa a aflorar: a imigração e o preconceito. Se o choque de culturas entre Walter e Tarek é benéfico, o filme deixa bem claro que essa convivência cooperativa nada mais é do que uma exceção.

O andamento do enredo é lento e progressivo, de forma que o espectador acaba por não perceber que as situações mudam. Esse avanço orgânico e os personagens extremamente autênticos colaboram para que a história de O Visitante seja crível. Enquanto o título do filme faz referência ao protagonista um visitante em sua própria pátria , os outros personagens podem roubar a cena. Tarek e seu carisma de artista, Zainab com seu temperamento forte e rosto expressivo e, finalmente, Mouna com uma ternura comovente.
O desfecho é perfeito para os amantes de dramas sólidos. Há espaço para que o público preencha as lacunas, há emoção e, principalmente, há uma cena final pungente, poética e memorável.