Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme


Sinopse: Armações feitas por executivos levam a empresa em que Jake trabalha à falência. Zabel, seu chefe e mentor, comete suicídio ao perceber que sua empresa afundou. Jake toma conselhos de Gordon Gekko, especulador e seu futuro sogro, para vingar a morte dele.

Em 1987, Oliver Stone lançou Wall Street e fez um retrato da ambiciosa geração yuppie. No entanto, com a sequência Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme (Wall Street: Money Never Sleeps) há um grande descompasso entre as atitudes do protagonista com o comportamento e objetivos dos espectadores da mesma faixa etária. Ao contrário dos yuppies, a chamada geração Y almeja mais qualidade de vida do que ganhos estritamente financeiros a qualquer custo.

Logo no começo do filme, Jake recebe um bônus de quase US$ 1,5 milhão. Nesse momento, pensei: "Ótimo! Já acabou o filme. O rapaz sai do mercado de ações e vai ganhar dinheiro com um trabalho de verdade." Não sei se é o caso do leitor, mas eu tenho essa bizarra crença de que é uma boa ideia tirar meu (parco) sustento do trabalho que eu executo. Ganhar a vida com apostas e especulações me parece tenso demais. A expressão "investimento de alto risco", não é uma hipérbole.

Para que Wall Street 2 não seja um curta-metragem, Jake continua a pôr dinheiro na bolsa de valores. Como se não bastasse sua teimosia e ganância, ele comete um erro juvenil: o rapaz gasta uma parcela enorme de seu bônus na compra de ações da empresa em que ele trabalha! Se a firma falir, ele perde o emprego e o investimento em uma rasteira só. Uma paçoca para quem adivinhar o que acontece depois! A empresa afunda, é lógico.

Com isso, o protagonista do filme perde todo o prestígio com o público logo no começo da projeção. Quem parece representar melhor a geração Y é Winnie, a namorada de Jake. Ela trabalha em um site sem fins lucrativos. O que ninguém me explica é como o The Frozen Truth consegue manter um belo escritório em Nova York apinhado de funcionários.

Além da falta de verossimilhança, Winnie exemplifica outro defeito do roteiro. Quando ela está enfurecida com outro personagem, é facilmente convencida a mudar de postura com uma simples conversa. A fraqueza de espírito de Winnie está presente em mais de uma cena de Wall Street 2.

Para não dizerem que não falei da parte técnica, a edição se destaca por apresentar certa ousadia. Às vezes funciona e cria cortes interessantes. Às vezes não funciona e fica tão cafona que parece que é de brincadeira.

 

Nota:

Crítica por: Edu Fernandes (CineDude)