Se o Vietnã é a ferida sangrenta dos EUA, o Iraque é o calcanhar de Aquiles. Filmes sobre os bastidores da Guerra contra este País começam a surgir, cada um tentando amenizar o estrago que os americanos fizeram. Mesmo com os cineastas independentes não conseguindo obter grandes retornos de bilheteria com No vale das sombras, Stop-loss - A lei da guerra e Entre irmãos, o tema acabou ganhando um impulso com os Oscars de Guerra ao Terror.

Agora, a primeira superprodução a bater de frente com o assunto chega aos cinemas. Dessa vez, o diretor Paul Greengrass se une novamente ao ator Matt Damon - eles trabalharam juntos nos dois últimos - e bons! - episódios da trilogia Bourne: A Supremacia Bourne e O Ultimato Bourne - para dar a sua versão dos fatos.
Na verdade o filme Zona Verde (Green Zone) é uma adaptação do livro A vida imperial na cidade esmeralda, do repórter Rajiv Chadrasekaran, que foi escrito a partir de um relato feito nos bastidores do governo Bush. A história mostra porque o Governo não conseguiu encontrar armas de destruição em massa no Iraque e como se comportaram após a invasão de 2003.

Tudo isso é apresentado do ponto de vista do subtenente Roy Miller (Matt Damon), um personagem inspirado num oficial do Exército norte-americano na vida real, Richard Gonzalez, cuja Equipe de Exploração Móvel foi encarregada de procurar armas de destruição em massa (AMDs) durante a invasão.
Miller, cansado de ser enviado a missões que o levam do nada ao lugar nenhum, começa a desconfiar que há algum podre no exército americano - e este podre, claro, envolve o Pentágono, o Governo, e muitos poderosos que estão ao seu redor.
Greengrass, ex-jornalista, dá atenção ao roteiro - por isso mesmo seus filmes de ação se destacam, por terem sempre boas histórias. E em Zona Verde isso não é diferente. Apesar da história ser trincada ela é facilmente compreendida, sustentando o filme entre cenas de explosão e correrias.

A atuação de Damon, cada vez mais maduro como ator, é outro ponto forte do longa. O ator, que não faz o típico galã, nem tem perfil de super herói, convence como o homem comum que tenta cumprir sua obrigação, mas que como soldado que saber se aquela guerra vale mesmo a pena.
Longe de ser brilhante, Zona Verde é um filme correto, enxuto, sem papas na língua. E diante de tantos filmes fracos que vemos por aí, isso já está de bom tamanho.