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Pisar na vegetação rasteira das Termópilas teve um efeito profundo sobre Miller. "É um lugar em que ocorreram grandes fatos, gloriosos", descreve. "Conversávamos sobre o local onde as coisas se fundem, o epicentro da batalha, tudo o que sabemos, tudo o que é a civilização ocidental. Há um motivo para sermos tão livres hoje, e boa parte disso começa com a história dos 300 jovens que resistiram em um estreito desfiladeiro, por tempo suficiente para levantar toda a Grécia.
300 foi um sucesso e trouxe para Miller inúmeros prêmios do setor. "O enredo se vendeu sozinho", comenta. "Dei apenas o melhor de mim para fazer justiça a um grande momento da História. Foi importante reconstituir a aparência dos personagens, de modo a torná-los mais dinâmicos e não dar a sensação de ser uma história antiquada. Não é uma história antiga, mas uma história eterna". O livro conquistou uma legião de fãs, entre eles o co-roteirista e diretor, e os produtores do filme. "O que há de belo no livro de Frank, e em todo o trabalho dele, é o texto que acompanha os desenhos", assinala Snyder. E continua: "Não se trata apenas de um complemento, é poesia. A maneira como ele estrutura a prosa é, para mim, tão importante quanto o desenho. Gostaria de preservar, de alguma forma, esse texto, tanto quanto as imagens no filme e a eles prestar minha homenagem".
Cinco anos atrás, o produtor Gianni Nunnari e Snyder conversavam sobre projetos futuros de trabalhos em conjunto, quando Snyder viu um exemplar da graphic novel na mesa de Nunnari, que buscava financiamento para o projeto, por conta própria, há vários anos. Conseguira convencer o produtor Mark Canton a elaborar o projeto em confiança, tendo Snyder como diretor e co-roteirista. "300 é um trabalho formidável e Zack entrou neste projeto com amor pelo conteúdo", entusiasma-se Canton. E completa: "Trouxe também uma visão extraordinária do que o filme poderia ser, de maneira que nos deixou muito entusiasmados com essas possibilidades". Nunnari acrescenta: "O cenário só lhe aguçava a imaginação. Ele via com clareza todos os detalhes - desde a luta em si até cada personagem. Entendemos que o que ele tinha em mente já era o embrião de um filme".
Snyder descobriu que seu processo para conceber o filme era semelhante ao que Miller experimentara. Queria evitar uma abordagem realista e, em vez disso, conseguir "ter vida na tela", explica. "Eu não queria fazer um filme que parecesse uma fotografia, e sim levar as pessoas para dentro do mundo que Frank criou na graphic novel. Não é um filme histórico. Não tem um enredo linear. Nem pretende ter precisão histórica. Nosso objetivo era projetar uma experiência como nunca se viu antes". Gerard Butler, que interpreta o Rei Leônidas, afirma: "É quase como se alguém que estivesse lá e tivesse testemunhado a batalha fosse dormir e sonhasse com a coisa toda, porque muito do que está ali é uma representação, muito daquilo existe na imaginação, o que nos permite ir tão longe. É uma história incrível, que serviu de inspiração para muita gente no decorrer dos tempos, mas não é um documentário. É um relato fantástico, cheio de paixão, política, brutalidade e tantas coisas mais, existentes no mundo hiper-real, belo, emocional".
PELA LEI ESPARTANA, AQUI FICAMOS: A HISTÓRIA DE 300 Gerard Butler tomou conhecimento do projeto durante uma reunião com os executivos da Warner Bros. "Quando pronunciaram a palavra 'trezentos', percebi que ali havia algo novo e diferente", lembra. E acrescenta: "Ao me encontrar com Zack Snyder, vi que esse cara entende as coisas que não se conseguem explicar sobre a história, e o que devia ser feito. Dá para se escrever livros e livros sobre o talento dele, a inteligência, o entusiasmo e a boa pessoa que ele é". Jeffrey Silver comenta que Butler possui características que o tornaram perfeito para o papel do rei de Esparta: "Qualidades como carisma pessoal e liderança criaram um tom de companheirismo entre os atores. Ele empurrou o time dos atores espartanos". Butler aproveitou a oportunidade para mergulhar na pesquisa sobre essa formidável cultura. "Espartanos são mostrados como se, durante toda a vida, apenas a dor lhes tivesse ensinado a resistir, a ter coragem, a não ter complacência com os inimigos", diz ele. "Mas isso requer um destemor e uma firmeza de caráter, que vai do modo pelo qual os homens são treinados até a maneira com que as mulheres entregam seus filhos para a guerra, em nome da honra".
O roteirista Kurt Johnstad completa: "Há uma competição feroz. O código de honra, dever, lealdade está incutido neles, arraigado na sua vida diária. É o ar que respiram, é como agem e interagem". Nascido no rude norte da Inglaterra, Lena Headey possuía a força natural e a graça essenciais para o papel de Gorgo. "Lena é firme, tem os pés no chão, é forte. E é bonita, com a sabedoria no olhar. Lena trouxe um grande carisma, inteligência, uma chama para Gorgo", elogia Butler. Ao definir o filme como "uma história de honra, coragem, paixão, sangue e fé", Headey estava pronta para encarnar a rainha de Esparta. Gorgo não é uma figura proeminente no romance de Miller, o que deu liberdade a Headey para elaborar a personagem, guiada pelas conversas com Snyder. "É uma personagem forte no filme, por tudo o que passa e por estar preparada para o sacrifício", observa Headey. "Já perdeu o marido, mas admitir isso seria demais para ela, então luta, com todas as forças, na arena política. Vejo Gorgo como o coração e a intuição de Esparta, e a intuição em geral nos guia para a decisão correta".
Tudo que Leônidas é, como rei e como homem, vem à tona quando um mensageiro entra correndo na cidade com a notícia de que o exército de mil nações conquistadas marcha em direção a Esparta. Xerxes, vivido por Rodrigo Santoro, colocou o mundo da Antiguidade aos seus pés, em boa parte devido apenas à audácia. "Ele é rico, arrogante, muito instável e megalomaníaco", assim o descreve o ator brasileiro que encarna o auto-proclamado deus-rei. "Quer conquistar nada menos que o mundo. Sua ambição é ilimitada. Quer a glória, a vitória, a fama eterna. No entanto, sob tanto querer, ele é, em última análise, fraco e inseguro", diz ele. Figura eminente, enigmático, coberto de jóias, Xerxes é carregado por escravos em um trono de ouro. "Ele tem uma voz sedutora, como um deus-rei deve ser", diz Bernie Goldmann. "Você percebe que as pessoas o seguem, que ele seduz e conquista". Snyder trabalhou com Santoro visando desenvolver um tom de voz para Xerxes que refletisse o tom sobrenatural, semelhante a um trovão, descrito na graphic novel de Frank Miller. Rodrigo passou por um intenso treinamento vocal para encontrar timbres graves e roucos para suas falas no filme. Sua voz natural foi modificada por efeitos sonoros digitais e o resultado é condizente com a personalidade de Xerxes que ganhou vida na tela: um gigante metade rei, metade deus, com a força vocal de um ser que não é exatamente humano.
O Conselho de Esparta manda Leônidas consultar o Oráculo - uma jovem capturada pelos Éforos, velhos que interpretavam os sinais emitidos por ela. "Leônidas, em um gigantesco salto de imaginação, compreende exatamente o que pretende a Pérsia, e sabe como detê-la", diz Frank Miller. "Enfrenta dificuldades intransponíveis, mas perfeitas para um rei de Esparta", afirma Butler. "E assim, ele conduz sua força de elite pelas Termópilas, para oferecer resistência". Dilios, guerreiro espartano e narrador na graphic novel, é vivido por David Wenham, ator australiano que se tornou muito conhecido na América do Norte quando o público o viu na trilogia O Senhor dos Anéis. "Gosto demais de contar histórias, e assim, a oportunidade de ser o narrador foi um presente para mim", comenta Wenham. "Dilios passa boa parte do tempo entretendo a tropa, quando estão parados, contando histórias sobre os primeiros do Olimpo ou outras narrativas. É provavelmente um dos melhores amigos de Leônidas, e um grande guerreiro, altamente respeitado entre os homens".
O filme se desenrola tendo Dilios como guia, e assim, sua versão do que ocorre se torna a narrativa que as futuras gerações vão passar adiante. "Dilios é um cara que não vai estragar uma boa história com a verdade, necessariamente", diz Snyder. "Vai aumentar o que for preciso, sempre que isto levar à motivação dos espartanos. Sua voz dá ao filme um fluxo poético". O trio fundamental na condução dos 300 espartanos é composto por Leônidas, Dilios e um guerreiro enigmático chamado de Capitão, desempenhado por Vincent Regan. "Capitão é, provavelmente, um dos personagens mais profundos dos 300 espartanos, junto com Leônidas. Em termos históricos, ele teria sido um dos três capitães da guarda pessoal do rei", diz Regan. O Capitão leva com ele, para a batalha, o filho mais velho, Astinos, desempenhado por Tom Wisdo. "De certa forma, o Capitão faz um enorme sacrifício ao levar seu filho mais velho na expedição, pois sabe que se trata de uma missão suicida", garante Regan. "Afinal, são apenas 300 espartanos contra um milhão de soldados do Império Persa. Mas ele é extremamente leal ao rei e à cidade, e está preparado para sacrificar tudo o que tem - sua própria vida e a vida de seu filho - pelo ideal de liberdade da cidade e do rei, que também é um amigo próximo". O papel de Astinos marca a estréia de Wisdom no cinema, um detalhe que pode ter pesado a seu favor. "Imagino que fui escolhido para o elenco por ter características semelhantes a Astinos, que é calouro na guerra", diz ele.
Astinos e outro soldado, Stelios, desempenhado por Michael Fassbender, representam o entusiasmo dos jovens guerreiros de Esparta. "Stelios é muito espontâneo e apaixonado. Vê a oportunidade de provar a si mesmo, no campo de batalha, e ter a morte gloriosa por que anseia, para cumprir seu destino como guerreiro espartano", diz Fassbinder. No exército de Xerxes, os espartanos encontraram finalmente um adversário à sua altura. Xerxes era considerado uma potência exótica e extraordinária, que englobava hábitos estranhos, força bruta, animais africanos, praticantes de magia e sua guarda de elite, chamada de Imortais. "Os Imortais são uma força à parte. Muito capacitados, assustadores, guerreiros mascarados que imprimem o temor. São os melhores homens", descreve Rodrigo Santoro.
"Leônidas é o oposto de Xerxes, que permanece encastelado, suborna, seduz, mata seus próprios homens para chegar à vitória", ressalta Butler. "Há um belo diálogo em que Xerxes diz, 'Como pode resistir, sabendo que eu seria capaz de matar, de boa vontade, até o último de meus homens para chegar à vitória?' E Leônidas responde, "E eu seria capaz de morrer por cada um dos meus.' Esta, para mim, é a essência de Leônidas". Assim que o horizonte se escurece com a aterrorizante visão das forças de Xerxes, a batalha tem início. "A história dos 300 espartanos conta muito mais do que uma simples batalha", ressalta Miller. "Leônidas sabe que esses 300 homens não podem derrotar o exército persa. 300 trata de lutar sabendo que não se vai vencer. Esta atitude concentra mais poder que a soma das flechas dos 300 guerreiros. Essas pessoas, esses homens nos Portões de Fogo, estão prontos para morrer. Na verdade, Leônidas pretende que morram. Sabe que não há chance de sobreviver. É claro que ele não se importa com isso, pois sabe que algo está sendo conquistado. Encaro os espartanos como os vencedores dos Portões de Fogo. Pode-se vencer perdendo".
LUTAREMOS À SOMBRA: COMO SE TORNAR ESPARTANO Todo o elenco principal mergulhou na pesquisa sobre a história e cultura espartanas, preparando-se intelectualmente para desempenhar seus papéis. Mas Snyder quis também que tivessem uma aparência convincente e se entrosassem entre si, da mesma forma que a máquina de guerra representada pela guarda espartana. Para prepará-los fisicamente para os rigores e as exigências das seqüências de luta, Snyder contou com o conhecimento de duas pessoas, com quem trabalhou por vários anos: Mark Twight, antigo alpinista profissional, detentor de recordes mundiais, para treinar os atores e dublês em termos de condicionamento físico, e o veterano coordenador de dublês Damon Caro, que os preparou para as seqüências de luta. Dois meses antes de começar a produção, Twight desafiou os homens a ultrapassar seus limites normais. Como apoio à preparação para a luta, o treinamento dava ênfase ao atletismo, combinando movimentos compostos, levantamento de peso e arremesso. Foram usados instrumentos primitivos - bola, pesos Kettlebell, aros - em vez de máquinas. Cada sessão era competitiva, com um sistema de penalidades e prêmios atrelado ao desempenho e com resultados divulgados diariamente para todos verem. "Ao compartilhar o trabalho pesado durante um certo período, com atividades em equipe, nas quais competiam uns com os outros, eles se tornaram uma unidade lutadora que tem credibilidade na tela. Isso muda seus movimentos e seu comportamento em conjunto", explica Twight.
Alguns homens precisaram perder peso, outros, ganhar peso, por isso, cada um recebeu uma dieta específica. Fassbender teve sorte: "Tive a sorte de não precisar me submeter à dieta do queijo branco e uva, pois era interesse do meu personagem que eu tivesse uns quilos a mais". Vincent Regan foi quem, talvez, tenha passado pela transformação mais surpreendente. "Mark me enviou um DVD de treinamento e eu pensei, 'Não vou conseguir fazer isso, simplesmente não vou conseguir.'" No entanto, com ajuda de um treinador, logo ele subia ladeiras correndo e lutava boxe, entre outras coisas. Fazer o treinamento de todos juntos ajudou bastante. "Por estarem os atores envolvidos naquilo, ficou a sensação de que tínhamos um objetivo", observa Regan. Com um grupo de dez atores e os dublês de Los Angeles, Vancouver, Toronto e Montreal, Damon Caro e o coordenador assistente Chad Stahelski começaram um treinamento paralelo às sessões de musculação física de Twigh. "Foi de enorme ajuda para evitar machucados, ter mais resistência, e no geral", diz Caro. "Com a coreografia de luta, tem-se apenas um certo tempo para o condicionamento físico, porque às vezes não se insere na aplicação funcional. Mark trouxe para o projeto força funcional, e não apenas bíceps esculpidos ou músculos definidos". Caro e Stahelski coreografaram as impressionantes seqüências de luta com espadas e em formação. Jeffrey Silver comenta que Snyder quis que as seqüências de luta tivessem um estilo diferente. "Quando Zack falou, no começo, sobre o conceito da luta, disse, 'Olhem, eu não quero longas tomadas de violência. Quero que seja como um balé.' Quis que cada ação da luta fosse cuidadosamente coreografada, empregando elementos das artes marciais".
Para manter o ponto de vista do diretor, Caro, que é especialista em artes marciais, conseguiu integrar movimentos de várias disciplinas das artes marciais em sua coreografia de luta. A atenção de Caro e Stahelski aos detalhes facilitou, para os atores, atingir o objetivo desejado. "Damon e Chad são talentosos demais", diz Butler. "Todos aprenderam e se aperfeiçoaram juntos, até nos tornarmos uma unidade coerente e impenetrável. A ação no filme permite que se dê asas à imaginação, e isto se deve, em grande parte, a eles dois". "Eles praticamente nos treinaram do zero", acrescenta David Wenham. "Ensinaram-nos a lutar e nos exercitavam todos os dias. Não era apenas uma questão de aprender os movimentos, mas de torná-los automáticos". Foram dois meses de treinamento de luta, antes de começar a produção, e prosseguiu durante toda a filmagem, até o dia de cada seqüência ser realizada. O treinamento e ensaio constantes valeram a pena. "Quando de fato entrávamos em ação, os rapazes representavam de maneira brilhante", afirma Caro. "Há muitas cenas de luta com coreografia complexa, e depois de tantas semanas trabalhando e treinando juntos, sentia-se uma vibração telepática entre os atores e dublês. Na verdade, o envolvimento total tanto dos treinadores como dos atores resultou em que as seqüências de ação tivessem as tomadas mais eficientes. "As cenas de luta poderiam ser demoradas, mas cada movimento era feito com tal adequação e precisão que esses eram os dias em que saíamos mais cedo", confirma Silver.
ISTO É ESPARTA: CÂMERAS NOS TRILHOS Para colaborar na realização deste drama épico de ação, Zack Snyder reuniu uma equipe diversificada de profissionais, incluindo o técnico em cinematografia digital Larry Fong, o desenhista de produção indicado para o Oscar James Biseell (Boa Noite e Boa Sorte), o editor William Hoy, o figurinista Michael Wilkinson, o supervisor de efeitos visuais Chris Watts, e os supervisores de maquiagem e efeitos no corpo Shaun Smith e Mark Rappaport. Para Bissell, 300 exigiu uma abordagem nova e marcante do desenho de produção, devido à natureza virtual dos sets e sua fidelidade ao estilo visual determinado pela graphic novel de Miller. "Foi mais operístico que realista", reconhece. Utilizando o rascunho dos storyboards de Zack Snyder como ponto de partida, Bissel e equipe criaram ambientes em 3D e ilustrações conceituais para Esparta, o território grego e as Termópilas, palco da batalha épica. Snyder, Bissell e Watts, depois fizeram uma revisão dessas ilustrações. Bissell recorda: "Perguntamos, 'Os atores vão ter que subir o morro? Descer o morro? Onde vamos esconder as sombras? Qual é o mínimo a ser construído fisicamente?'" Os cenários a céu aberto foram resumidos, de modo a serem usados em cenas diferentes, mudando-se o ângulo das câmeras ou acrescentando-se elementos. Deste modo, Leônidas e seu exército de 300 cruzaram a Grécia em marcha usando apenas três cenários construídos. Cenários para Esparta, os Portões de Fogo e a tenda de Xerxes foram então construídos em estúdio. "Os mensageiros persas galopando em direção à câmera é a única cena que fizemos em externas", diz Bessell.
"O mais impressionante com Jim é que ele nunca desanimava", encanta-se Snyder. "Sob diversos aspectos, achei que ele se sentia estimulado pela possibilidade, não do que poderia construir, mas do que poderia imaginar". Cada cena foi concebida como um ambiente totalmente projetado em 3D, e só então reproduzida em cores com as principais ilustrações. Quando esta etapa se completou, Bissell pôde avaliar melhor o que precisava construir, e a isto se adaptar. Chris Wattas trabalhou bastante próximo de Bissell e Snyder, para garantir que os detalhes criativos e técnicos fossem coerentes com a visão geral. "Com 1,3 mil tomadas de efeitos visuais, não havia escassez de recursos técnicos", explica Watts. "Mas o principal desafio de 300 era criativo: todas as tomadas desses efeitos visuais precisavam ser construídas para refletir o estilo e a estética da graphic novel, ao mesmo tempo que englobar a visão de Zack para as partes do filme que não aparecem no livro".
Na medida em que praticamente cada cenário e locação foram realçados por efeitos visuais, o departamento de arte e efeitos visuais precisou trabalhar para que o design e os elementos técnicos funcionassem em conjunto. Watts fornece uma descrição simplificada do processo: "Jim desenhou todos os cenários tendo em mente os efeitos visuais. Durante toda a preparação, os criadores de efeitos digitais incrementaram os desenhos de Jim para os cenários, para dar a Zack um panorama acurado do que poderia esperar como resultado final. Se houvesse algum problema que não pudéssemos resolver, com os cenários já existentes, eles desenhariam outro, ou dariam um jeito de fazer funcionar". Como parte da elaboração visual do filme, Watts e equipe testaram praticamente tudo o que seria visto: o fogo, os mantos dos espartanos, ferimentos, armas, sangue cenográfico em oposição ao sangue verdadeiro. "Tudo mesmo, cada detalhe que se poderia supor, foi elaborado com o maior cuidado, durante vários meses", prossegue Watts. "Quando chegávamos à conclusão de que alguma coisa funcionava bem, os detalhes eram incluídos em um 'manual de estilo', distribuído para os que trabalhavam no desenvolvimento do filme. Tínhamos dez técnicos de efeitos visuais em quatro países e, por isso, a continuidade do estilo sempre foi nossa preocupação".
O departamento de efeitos visuais colaborou também com o técnico em cinematografia digital Larry Fong. "A graphic novel influenciou, decididamente, nosso modo de ver, porém este foi apenas um dos muitos desafios", diz ele. "Meu objetivo era explorar ao máximo o clima e o drama, e ainda precisava fazer feliz o departamento de efeitos digitais com um acabamento limpo e boa exposição de detalhes, que permitissem, mais tarde, a 'compressão'". Ao fotografar o filme, Fong teve de decidir como interpretar o livro de Frank Miller em três dimensões. "Traduzir aquilo em termos de iluminação e composição deu trabalho, mas foi muito divertido", afirma. "Em certas ocasiões, chegávamos bem próximo de alguns quadros do livro, que Zack chamava de 'quadros do Frank'. Mas é óbvio que nem todas as tomadas do filme vão ao encontro do desenho e, com isso, houve espaço para a experimentação e o desenvolvimento de nosso estilo visual próprio. Eu diria que, muitas vezes, foi mais visceral do que um exercício técnico". Para diferenciar os espartanos dos exércitos persas, os primeiros foram vestidos em tons quentes, de terra, enquanto os persas exibiam cores de pavões, verdes e azuis exóticos, roxo com dourado. O traje para Xerxes é, de fato, o mais complexo do filme. "O traje consiste em 18 jóias diferentes, cada qual usando dezenas de elementos da joalheria da África e Oriente Médio, mais 12 piercings que nós criamos especialmente para o personagem".
Rodrigo Santoro RODRIGO SANTORO (Xerxes) é um dos mais requisitados jovens atores do Brasil, e rapidamente constrói uma carreira de peso nos Estados Unidos. Foi apresentado ao público norte-americano em 2003, primeiro com o aplaudido filme do canal Showtime, The Roman Spring of Mrs. Stone, com Helen Mirren e Anne Bancroft. Co-estrelou depois, com Drew Barrymore, Cameron Diaz, Lucy Liu e Demi Moore, o filme de ação As Panteras - Detonando. Mais tarde, no mesmo ano, uniu-se ao elenco do sucesso romântico Simplesmente Amor, em que Santoro fazia Karl, o colega de trabalho por quem a personagem de Laura Linney se apaixona. Na esteira desses projetos, Santoro venceu o Troféu Chopard como Revelação Masculina no Festival de Cinema de Cannes em 2004.
Seus filmes a serem lançados incluem Os Desafinados e Não Por Acaso. Na televisão, participou recentemente do elenco da série de sucesso da ABC Lost, no papel de Paulo. Santoro já obtivera sucesso no Brasil, sua terra, pelo trabalho em Bicho de Sete Cabeças. A representação de Santoro, de um jovem internado por seus pais em um manicômio, trouxe-lhe diversos prêmios de Melhor Ator, entre eles o Grande Prêmio BR de Cinema, do Festival de Brasília, e do Festival de Recife. Posteriormente, obteve outra premiação pelo trabalho de 2003 em Carandiru, filme que bateu recordes de bilheteria quando foi exibido no Brasil, e foi o candidato brasileiro ao Oscar na categoria Filme Estrangeiro.
O trabalho de Santoro em cinema no Brasil engloba Os Desafinados, A Dona da História e Abril Despedaçado, sendo que este último obteve a indicação para o Globo de Ouro de Melhor Filme em Língua Estrangeira em 2002. Além disso, tem ampla participação em televisão, entre minisséries, filmes e séries. Também tem sido visto, nos últimos anos, como o homem misterioso e sedutor em torno de Nicole Kidman no comercial da Chanel dirigido por Baz Luhrmann. '300' tem estréia marcada para 30 de Março de 2007. Teaser: | ||
Fonte: Warner Bros. Fotos: Yahoo Movies.
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