Ao mesmo tempo ousado, divertido e incrivelmente dramático, Across the Universe é um filme musical inovador, surgido da imaginação da renomada escritora e diretora Julie Taymor (Frida, Titus, e o grande sucesso musical da Broadway "O Rei Leão") e dos roteiristas Dick Clement & Ian La Frenais (The Commitments - Loucos pela Fama), que reúne uma história original e 33 canções revolucionárias - incluindo "Hey Jude", "I Am the Walrus" e "All You Need is Love" - que definiram toda uma geração. Taymor afirma: "A idéia era criar um musical original utilizando somente músicas dos Beatles".

Uma história de amor num cenário ambientado na década de 60 em meio aos anos turbulentos de protesto contra a guerra, exploração da mente e rock 'n roll, o filme vai das docas de Liverpool ao universo criativo e psicodélico de Greenwich Village, das ruas tomadas pelos protestos em Detroit aos campos de morte do Vietnã. Os artistas namorados Jude (Jim Sturgess) e Lucy (Evan Rachel Wood), na companhia de um pequeno grupo de amigos e músicos, são atraídos pelos movimentos contrários à guerra e da contracultura que surgiam, com o "Dr. Robert" (Bono) e "Mr. Kite" (Eddie Izzard) como seus guias. Forças turbulentas fora do controle deles acabam separando os dois jovens, obrigando Jude e Lucy - contra todas as adversidades - a encontrarem um jeito de voltar um para o outro.

_

INVESTIGANDO OS ANOS 60

Julie Taymor, a pioneira visionária por trás de Across the Universe, diz que primeiramente pensou num filme que, em suas palavras, "investigasse os anos 60. Ele teria que penetrar em todos os níveis das músicas dos Beatles. Das canções de amor às músicas políticas, a música e o filme não somente refletiriam o microcosmo da experiência de um personagem, mas que também, a meu ver, representasse o macrocosmo dos eventos que estão ocorrendo no mundo".

Para Taymor, apesar de o filme ser ambientado na geração passada, fazer a história e o filme originais e vivos para as platéias de hoje foi um ponto muito importante. "Eu realmente quero que os jovens vejam a paixão neste filme - vejam o entusiasmo com que estes personagens se entregaram aos movimentos sociais bem como à exploração de si mesmos", diz ela. "Eu espero realmente que o filme fale 'por todo o universo' e todas as culturas... que qualquer pessoa possa se identificar com as situações e eventos que acontecem neste filme".

De acordo com a produtora Jennifer Todd, o filme é um relato artístico de Taymor. "Além de ter uma voz única, Julie é a diretora que trabalha mais intensamente que já conheci", afirma. "É uma experiência extremamente gratificante trabalhar com alguém que vive e respira um filme durante a manhã, a tarde e a noite. Num final de semana nós saímos e quando voltamos descobrimos que uma seqüência inteira havia sido criada. Isso porque ela é desse jeito, atrai pessoas que querem trabalhar com igual intensidade para chegar aquilo que ela está imaginando".

O produtor Matthew Gross, que fez gerar o projeto, concorda: "Julie é um tesouro nacional", diz ele. "Ela é uma artista de verdade - não apenas proporciona uma atração visual, mas também sabe lidar tão bem com os cantores e dançarinos, o que era essencial para este filme. O trabalho feito por ela em Titus e Frida mostra a incrível visão que possui. Além disso, por causa de todo mundo querer trabalhar com Julie Taymor - e com razão - ela é capaz de atrair artistas famosos e talentos incríveis para trabalhar com ela. Julie é um patrimônio tremendo para o filme em todos os aspectos".

_

Diferentemente da maioria dos musicais, em que a história surge na frente e depois as músicas são inseridas em momentos-chave, desta vez as músicas criaram a história. "Começando com mais de 200 canções compostas pelos Beatles, nós acabamos escolhendo 33, que achávamos que contassem melhor a história de uma geração e de uma época", afirma Taymor.

Todd explica: "O filme é um musical original e possui uma história original - uma história que você nunca viu antes, inspirada na música dos Beatles, de um jeito que você nunca ouviu antes".

"Todo o conceito deste musical", explica Taymor, "é de que as letras é que contarão a história. Elas são os libretos, as árias, elas são a emoção dos personagens".

Apesar de Taymor ter vivido apenas o começo de sua adolescência nos anos 60, a história foi inspirada em suas observações de infância:

"Lucy e Max, o irmão e a irmã, são levemente inspirados no meu irmão mais velho e na minha irmã, e eu sou Julia, a garota mais nova que observava tudo. Naquela época, eu era a observadora do que os meus pais estavam passando com os adolescentes e depois estudantes de faculdade que passavam pelo movimento político radical: o recrutamento para a guerra, os hippies, as drogas. E, então, eu estava lá - não participei, mas observei aquilo tudo".

Conforme a história começou a tomar corpo, de uma maneira orgânica, Taymor seguiria as músicas no caminho que elas a levassem. Em muitos casos, as músicas mudavam para outros personagens e assumiam diversos significados, como no caso de "I Want You", que começa com a apresentação de Max no Exército e continua até chegar a uma cena mais erótica entre os personagens Jo-Jo e Sadie. Em determinados casos, as músicas mais pareciam momentos privados, e como numa ária de uma ópera, expressavam pensamentos íntimos.

_

SOBRE O ELENCO E AS PERFORMANCES ESPECIAIS

Com os personagens criados a partir das canções, os realizadores estabeleceram como imperativo a escolha dos melhores atores e cantores possíveis para os papéis.

Como resultado, a única integrante do elenco com significativa experiência em cinema é Evan Rachel Wood. Taymor observa: "Ela é tão jovem e ninguém realmente a viu tornando-se uma mulher - neste filme, ela cresce e vira uma adulta, uma mulher séria. Ela será uma grande descoberta para as pessoas. Além disso, ninguém sabia que ela cantava tão bem".

Entre todas as músicas que canta em Across the Universe, aquela que ela achou como o seu grande desafio foi "If I Fell". "Eu nunca estudei canto e aquela música é muito, muito difícil. É também a mais emocionante de todas que canto. Então, tive que me preparar emocionalmente para a personagem naquele momento e ainda para cantar aquela música - enquanto também tinha em mente o que a minha voz teria de fazer", diz Wood. "Conforme aprendia a música e tentava descobrir como cantá-la, eles trouxeram Jim Sturgess na sala para eu cantar para ele. Foi quando pude cantar melhor - desliguei minha mente do que eu estava fazendo e me libertei".

Wood observa que compartilhou uma conexão não somente com Sturgess, mas com todo o elenco também - e foi uma coisa recíproca. "Julie sabe como escolher o elenco para um filme", diz ela, "e sabia que nós trabalharíamos bem juntos porque somos muito parecidos. Durante as filmagens, senti como se tivesse ganhado irmãos e irmãs, todas são pessoas muito interessantes e possuem histórias de vida incríveis".

Os testes para contratação do ator para o personagem Jude foram realizados na Inglaterra. Taymor disse que, desde quando viu um teipe de Jim Sturgess, sabia que ele era a pessoa certa, mesmo antes de os dois se encontrarem pessoalmente.

_

REINTERPRETANDO AS MÚSICAS

Além de ter uma história trabalhada o suficiente para fazer justiça às músicas, outro elemento chave para o filme foi a interpretação musical, diz Taymor. "Foi realmente temeroso ter o legado das músicas dos Beatles nos ombros, porque elas são o Santo Cálice", afirma. "Elas são tão importantes para tantas pessoas, e os originais eram perfeitos. Nós sabíamos desde o princípio que não queríamos competir com as versões dos Beatles". Taymor achou que a melhor maneira de honrar com a banda foi ter suas músicas como centro e estrelas do filme, emanando diretamente dos personagens.

Para interpretar as músicas, Taymor contou com um antigo colaborador, Elliot Goldenthal. "Mesmo Elliot sendo compositor e não havendo músicas para compor, seus arranjos e entendimento do drama e do personagem são fantásticos. Tenho trabalhado com ele há 20 anos e tenho total confiança e admiração por seu trabalho. Eu sabia que ele encontraria um jeito novo de interpretar as canções; inserindo novos arranjos e fazendo a música se tornar original novamente - não uma versão melhor, mas diferente".

Goldenthal e Taymor também trouxeram o renomado produtor de música rock T Bone Burnett e o produtor Teese Gohl, que trabalhou com Goldenthal como produtor musical em mais de 20 filmes. Goldenthal, Burnett e Gohl colaboraram na produção das músicas.

_

Cada canção foi analisada: quem iria cantá-la, qual era o conteúdo, a emoção necessária para passar no filme e a época. Goldenthal observa: "Todo mundo conhece tanto as músicas dos Beatles, é quase como um fantasma no ambiente. Todas as batidas que eles tocavam, específicas entradas de guitarra e bateria - todo mundo reconhece quando ouve aquelas músicas. As canções foram feitas com perfeição pelos Beatles - são performances eternas. Então, o desafio era tentar encontrar uma maneira honesta - sempre permanecendo si próprio - de pegar a essência dessas músicas e tentar encontrar um outro jeito de dar suporte às bonitas letras e músicas".

Para proporcionar autenticidade à música, a equipe gravou várias canções utilizando equipamento adequado da época, tais como teipe analógico e microfones antigos. Gohl lembra: "Estávamos todos determinados a imprimir esta visão e nosso desejo de evitar armadilhas digitais".

Quanto à trabalhar com Goldenthal, Gohl afirma: "Elliot é único em todos os aspectos, mas vê-lo como produtor de rock 'n' roll é mais uma outra coisa impressionante".

Não foi suficiente, é claro, simplesmente criar novos arranjos para as músicas. Pelo fato de as músicas contarem a história do filme, foi fundamental para Taymor que as performances tivessem imediatismo e relevância para as cenas que passavam. Com este objetivo em mente, os realizadores decidiram fazer o filme com o máximo possível de música ao vivo. Ela credita a um outro integrante da equipe, o responsável pela mixagem de som Tod Maitland, por fazer o trabalho funcionar.

"Ele é um outro gênio", diz Taymor, porque "a maior parte do filme é ao vivo".

'Across the Universe' estréia dia 7 de Dezembro de 2007.


Fonte: Columbia Pictures
Fotos: Yahoo!

© Cinepop.com.br -. Todos os direitos reservados.