Na periferia da maior cidade da América do Sul, quatro jovens mulheres negras lutam pelo sonho de viver de música. O sonho ganha forma e nome em Antônia, o grupo de rap que criam juntas. Mas as quatro vão precisar de mais do que talento para sobreviver em um mundo de exclusão, violência, pobreza e machismo. Uma perseverança guerreira move os personagens de 'Antônia', terceiro longa da cineasta Tata Amaral e dos produtores de Contra Todos e Cidade de Deus. O filme foi recebido calorosamente no 36º Festival Internacional de Cinema de Toronto, em setembro, e no Festival do Rio 2006, onde fez sua pré-estréia brasileira.

'Antônia' empresta a força da efervescente cena cultural da periferia paulistana, mas não se limita a ela. “'Antônia' é mais do que um filme sobre rap, sobre cultura hip hop ou uma crônica da vida dos bairros de São Paulo que ficam do outro lado do rio. Para mim, é um filme sobre mulheres guerreiras”, diz Fernando Meirelles, co-produtor do longa e diretor de Cidade de Deus. “É um filme para enterrar de vez a idéia de que ‘mulherzinha’ quer dizer fragilidade ou submissão. Repita comigo: Guerreiras.”

Terceiro filme da trilogia dedicada por Tata Amaral aos arquétipos femininos, 'Antônia' se segue a Um Céu de Estrelas (1997) e Através da Janela (2000).

No novo filme, o arquétipo da virgem, da mulher que se mantém “fiel a si mesma”, traduz-se na figura das garotas da periferia de São Paulo que buscam no rap um canal de expressão e uma perspectiva mais luminosa de vida. “Pobres, negras, excluídas, muitas vencem incríveis obstáculos para encontrar um lugar no mundo e dar seu recado: a afirmação do papel da mulher na sociedade”, diz a cineasta, que pesquisou o universo da periferia paulistana por três anos antes de iniciar o filme.

O desejo de imprimir em 'Antônia' “a verdade e a urgência de quem vive histórias muito parecidas com a de Preta, Barbarah, Mayah e Lena” norteia as corajosas escolhas estéticas da diretora. Rodado em cômodos apertados e ruas mal-iluminadas da Vila Brasilândia, bairro de 280 mil habitantes na periferia de São Paulo, o longa conta com um elenco de luminares do hip hop brasileiro e de jovens talentos da periferia de São Paulo, escolhidos entre 600 artistas, músicos e cantores. A opção por não-atores é deliberada. “'Antônia' foi realizado por atores de sua própria história”, diz Tata Amaral.

“'Antônia' mostra o conflito dos personagens, na corda bamba entre a sobrevivência e o sonho de cantar”
Negra Li (Preta)

O mesmo princípio rege os diálogos de 'Antônia', totalmente construídos na interação entre os atores e as situações propostas pelo roteiro, com versão final assinada pela diretora e Roberto Moreira (Contra Todos). A preparação do elenco, que consumiu três meses de laboratórios, foi conduzida pelo experiente Sérgio Penna (Bicho de Sete Cabeças, Carandiru). “Encontramos no universo da periferia de São Paulo um núcleo de talento”, ele conta. “E protagonistas que chegaram cheias de garra.”

Estrela do rap brasileiro, e paulistana da Vila Brasilândia, a cantora Negra Li divide os papéis principais de 'Antônia' com a cantora de black music Leilah Moreno (Barbarah), a atriz, MC e free styler Cindy (Lena) e a rapper e dançarina Quelynah (Mayah). O rapper Thaíde, precursor do hip hop no Brasil, empresta seu conhecimento de causa ao charmoso empresário Marcelo Diamante. Sandra de Sá, instituição do funk brasileiro, e Thobias da Vai Vai, intérprete de uma das maiores escolas de samba paulistas, fazem participações especiais como os pais de Preta.

Um time de expoentes da nova cena hip hop paulistana fecha o elenco: Kamau (Dante), MC do Coletivo Instituto; DJ Negro Rico (DJ anjo), que fez participações em discos de Elza Soares, Gog, Rappin’ Hood, Twister e SNZ; Hadji (DJ Cocão), que toca com Gabriel, o Pensador; Silvera, produtor de discos de Thaíde e DJ Hum, Racionais MC’s, Rappin’ Hood e MV Bill; e os MCs Macário (Hermano), Maionezi (JP) e Ezequiel (Robinho), entre outros.

Na periferia de São Paulo, quatro jovens mulheres negras que cantam juntas desde a infância lutam pelo sonho de viver de música. Com seu grupo de rap Antônia, encontram um empresário e começam a cantar em bares e festas.

Mas, quando o sonho parece tomar corpo, os revezes de um cotidiano de pobreza, machismo e violência ameaçam o grupo e põem a amizade das garotas à prova.

'Antônia' será lançado no dia 09 de Fevereiro de 2007.

 

Fonte: Downtown Filmes

 

 

© Cinepop.com.br -. Todos os direitos reservados.