'AVATAR' nos conduz por um mundo espetacular além da imaginação, onde um herói relutante vindo da Terra embarca numa aventura épica, e acaba lutando para salvar o mundo extraterrestre que aprendeu a chamar de lar. O filme foi idealizado 15 anos atrás pelo diretor de “Titanic”, o vencedor do Oscar James Cameron, quando ainda não existiam os meios para tornar suas ideias realidade. Agora, após quatro anos em produção, 'AVATAR', um filme de ação ao vivo com uma nova geração de efeitos especiais, nos proporciona uma experiência inovadora de imersão no cinema, em que a tecnologia revolucionária que foi inventada para realizar o filme desaparece na emoção dos personagens e no arrebatamento da história.

Adentramos o mundo alienígena através dos olhos de Jake Sully, um ex-fuzileiro naval confinado a uma cadeira de rodas. Apesar do que aconteceu ao seu corpo, Jake continua se sentindo um guerreiro e viaja anos-luz à estação que os humanos instalaram em Pandora, onde a humanidade quer explorar o minério raro unobtanium, que pode ser a chave para solucionar a crise energética da Terra. Como a atmosfera de Pandora é tóxica, foi criado o Programa 'AVATAR', em que “condutores” humanos têm sua consciência ligada a um 'AVATAR', um corpo biológico controlado à distância capaz de sobreviver nesse ar letal. Os Avatares são híbridos geneticamente produzidos de DNA humano e DNA dos nativos de Pandora, os Na’vi.

Renascido em sua forma 'AVATAR', Jake consegue voltar a andar. Ele recebe a missão de se infiltrar entre os Na’vi, que se tornaram um obstáculo à extração do precioso minério. Ocorre que uma bela Na’vi, Neytiri, salva a vida de Jake, o que muda tudo. Jake é acolhido pelo clã de Neytiri, e aprende a ser um deles depois de passar por vários testes e aventuras. O relacionamento de Jake com sua hesitante instrutora Neytiri se aprofunda, e ele passa a respeitar o jeito de viver dos Na’vi, e por fim passa a ocupar seu lugar no meio deles.
Logo ele enfrentará a maior de suas provações, ao comandar um conflito épico que decidirá nada menos que o destino de um mundo inteiro.



O COMEÇO

“'AVATAR' foi o filme mais desafiador que já fiz”, afirma o roteirista e diretor James Cameron. E é uma declaração de peso, levando-se em conta o renome internacional de Cameron como um dos maiores cineastas: seus inovadores filmes “Titanic”, “O Exterminador do Futuro”, “O Exterminador do Futuro 2 – O Julgamento Final”, “Alien – O Oitavo Passageiro”, “True Lies” e “O Segredo do Abismo” mesclaram espetáculo, narrativas e personagens envolventes, e expertise técnica a serviço da história e da emoção.

O personagem central de 'AVATAR', Jake Sully (Sam Worthington), é um homem comum com o qual todos podem se identificar e que, inesperadamente, torna-se um herói, após os acontecimentos convergirem para um conflito de civilizações – entre as empresas da Terra que pretendem “desenvolver” Pandora, e os nativos Na’vi. Jake é um ex-fuzileiro naval que coloca a honra e o dever acima de tudo, mas que acabará por ter de optar entre a honra pessoal, em defesa do que é certo, e seu suposto dever para com aqueles que o designaram para a missão.

“Eu quis criar um tipo de aventura com a qual todos estivessem familiarizados, num mundo nada familiar, com a clássica trama do forasteiro que encontra uma cultura e um lugar diferentes num planeta alienígena”, destaca Cameron. Ele explica: “É uma história clássica, porém com várias reviravoltas para surpreender o público. Sonhei criar um filme assim, ambientado num outro mundo, repleto de perigos e beleza, desde que era um menino que lia revistinhas de ficção científica e quadrinhos sem parar, e desenhava monstros e extraterrestres na aula de matemática, com o papel escondido atrás de um livro. Com 'AVATAR', esse dia chegou”.


ONDE E QUANDO

'AVATAR' se passa em Pandora, uma lua com ambiente semelhante ao da Terra, que orbita ao redor de um gigante gasoso chamado Polyphemus, no sistema estelar Alpha Centauri-A. Localizada a 4,4 anos-luz da Terra, Alpha Centauri é o nosso vizinho mais próximo, e quando se descobre que Pandora é rica em um mineral raro chamado unobtainium a raça humana resolve explorar os recursos desse novo mundo. O unobtainium não existe em nosso sistema solar, no entanto é a chave para solucionar a crise energética na Terra no século XXII, portanto a Administração de Desenvolvimento de Recursos (RDA, na sigla em inglês) investe bilhões de dólares para explorá-lo nesse mundo distante.

Nossa história acontece no ano de 2154, trinta anos depois de uma colônia de mineração ser instalada em Pandora. A invasão do território dos nativos Na’vi pelas atividades dos humanos gera uma tensão crescente entre as duas espécies, e está prestes a causar uma guerra.

Por um golpe do destino, a morte de seu irmão gêmeo, Jake Sully é lançado no meio dessa situação. Ele é enviado a Pandora para ser o mais novo “condutor” do Programa 'AVATAR', uma tentativa de cientistas humanos de criar um “elo de confiança” com os Na’vi, valendo-se de corpos Avatares geneticamente criados para circularem entre os alienígenas gigantes com uma forma familiar.

Mas Jake é cooptado pelo coronel Miles Quaritch, chefe de segurança da colônia humana, para se infiltrar no clã de Neytiri e aprender como controlá-los ou derrotá-los.

Quaritch é o líder da Secops, força de segurança particular que defende o Portão do Inferno contra os ferozes predadores de Pandora, e dos igualmente ferozes Na’vi. Trata-se de um exército mercenário bem armado, dotado de aeronaves com rotores que inclinam, equipadas com armamentos pesados e os trajes AMP — imensos exoesqueletos para usar em combate.

Jake é o “homem errado” a ser designado para essa posição. Quando ele se vê dividido entre os Na’vi e as forças da RDA, que estão determinadas a destruir o lar ancestral de 10 mil anos dos Na’vi, Jake parte para a ação. E a coisa pega fogo.


COMO ELES FIZERAM

Cameron não estava interessado em usar maquiagem para criar a espécie alienígena. Há décadas, extraterrestres humanoides são interpretados por atores usando maquiagem, desde os filmes B dos anos 1950, e no decorrer de quatro décadas de derivados de “Star Trek” e outros filmes e programas de TV de ficção científica. Praticamente todos os designs e métodos de aplicar borracha no rosto dos atores já foram experimentados, e ainda por cima isso é limitador. O tamanho e o espaço entre os olhos não podem ser alterados. As proporções do corpo não podem ser modificadas, nem o tamanho do personagem. E a maquiagem para aplicar as próteses de borracha prejudica a atuação, pois funciona como barreira entre o ator e a lente.

Com o método de captura de performance, nenhum desses resultados negativos acontece. Embora os personagens criados em computação gráfica (CG) tenham ficado com a aparência dos atores que os interpretam, suas proporções são diferentes. Os olhos dos Na’vi têm o dobro do diâmetro dos olhos humanos, e são mais afastados.

Os Na’vi são mais esguios que os humanos, têm pescoço mais longo, estruturas muscular e óssea diferentes, e suas mãos têm três dedos.

Como personagens de computação gráfica, os Na’vi e os Avatares podem ser feitos bem maiores que os humanos. A maquiagem azul poderia deixar a pele opaca, porém com a computação gráfica os personagens adquiriram uma pele translúcida que se comporta como pele de verdade, em que o pigmento na superfície não mascara o brilho vermelho do sangue que está por baixo, o que também acontece quando a luz do sol bate na parte de trás das orelhas. Todas essas sutilezas se combinam para permitir a criação de seres que parecem mesmo estar vivos.

Cameron buscava um modo de levar a criação de personagens alienígenas para o século XXI. Em 1995, ele testemunhou os rápidos avanços dos personagens em computação gráfica, e imaginou que o filme dos seus sonhos ambientado em outro mundo poderia se tornar realidade. Depois de criar personagens que foram marcos da CG em “O Segredo do Abismo” e “O Exterminador do Futuro 2 – O Julgamento Final”, Cameron queria avançar com as técnicas de CG, e então 'AVATAR', filme de visual ambicioso, teve seu roteiro escrito. No entanto, ao pedir aos especialistas em CG os testes, Cameron verificou que a tecnologia necessária para o fotorrealismo ainda estava a anos de distância, e por isso o projeto foi engavetado.

Quando Cameron retomou o projeto em 2005, parecia que as técnicas necessárias estavam logo ali. Naquela altura, ainda havia a preocupação de que os personagens não parecessem reais, e padecessem do efeito “olhar morto”, visto nos primeiros filmes com captura de performance. A equipe de Cameron tentou ir além, esforçando-se para assegurar que os personagens fossem completamente realísticos. Para tanto, desenvolveram um novo sistema de “captura de performance facial baseada na imagem”, usando uma câmera posicionada na cabeça para gravar com precisão as mínimas nuances do desempenho facial dos atores. No lugar de usar a técnica de aplicar marcos refletores no rosto do ator para captar suas expressões, cada ator usou um equipamento especial na cabeça, semelhante a um capacete de futebol americano, no qual era afixada uma minúscula câmera. O aparelho ficava voltado para o rosto do ator, e a câmera filmava as expressões faciais e os movimentos dos músculos num nível que jamais havia sido possível. E o mais importante é que a câmera filmava o movimento dos olhos, o que não ocorria nos sistemas anteriores.

O sistema permitiu a captura com clareza e precisão inéditas. Como o sistema não dependia das câmeras do passado, que capturavam movimentos, essas câmeras agora estão servindo apenas para captar o movimento do corpo, podendo ser comandadas a uma distância maior dos atores. Isso permitiu que a equipe de filmagem usasse um ambiente de captação muito maior, ou “Volume”, do que jamais fora feito. Sendo seis vezes os volumes de captação anteriores, o Volume de 'AVATAR' foi usado para filmar cavalos verdadeiros galopando, dublês com complicados efeitos com cabos, e até cenas de lutas aéreas entre aeronaves e criaturas aladas. Assim, a revolucionária câmera na cabeça foi a chave para captar nuances sutis das emoções dos personagens, além ser o maior espetáculo do filme.

Outra inovação criada especialmente para 'AVATAR' foi a Câmera Virtual, que permitiu a Cameron filmar cenas dentro de seu mundo gerado pelo computador, como se estivesse em um estúdio de Hollywood. Por meio dessa câmera virtual, o diretor podia ver não Zoë Saldana, mas sua personagem de pele azul e 3,5 metros, Neytiri. No lugar de Sam Worthington e Sigourney Weaver, via seus Avatares gigantes e azuis, com suas caudas e enormes olhos dourados. Em vez de ver o espaço cinzento e austero do Volume, via a floresta tropical exuberante de Pandora, ou talvez as flutuantes Montanhas Aleluia, ou a colônia humana no Portão do Inferno.

Depois de elaborar os detalhes de como realmente capturar as atuações, o próximo passo foi contar com a ajuda da empresa do vencedor do Oscar de efeitos visuais Peter Jackson, a WETA Digital, na Nova Zelândia. A WETA foi responsável pela aparência quase real de personagens como Gollum em “Senhor dos Anéis”, e pelo incrível King Kong, e levou Cameron a acreditar que eles poderiam injetar vida em seus personagens Na'vi.

Desde o início foi primordial para Cameron que todos os detalhes das atuações fossem preservados nos personagens em computação gráfica quando eles aparecessem na tela. A WETA garantiu que sua equipe de animadores se encarregaria de passar cem por cento da atuação dos atores para seus personagens Na'vi ou seus Avatares. Isso significava que os dados de alta precisão seriam gravados no momento que a cena fosse realizada; e isso também exigiu mais de um ano de trabalho da equipe de animação para criar os equipamentos que permitiriam que os personagens em CG mostrassem a mesma emoção dos atores cuja atuação eles estavam copiando.

É ANIMAÇÃO?

Pergunte aos animadores da WETA, eles vão dizer que os Avatares e os habitantes Na'vi são fruto de animação. Pergunte a Jim Cameron, e ele vai dizer que os personagens foram realizados pelos atores. A verdade é que os dois estão certos. Foi necessária uma grande perícia em animação para assegurar que os personagens atuassem exatamente como os atores. Ao mesmo tempo, não se tomaram liberdades com as atuações.

Elas não foram melhoradas ou exageradas. Os animadores procuraram ser fiéis ao trabalho dos atores, sem fazer nada a mais ou a menos que Sam, Zoë ou Sigourney fizeram no Volume. Naturalmente, alguns detalhes foram acrescentados, como o movimento das caudas e das orelhas, o que era impossível os atores fazerem. Mas, mesmo ali, o objetivo era manter a coerência com as emoções criadas pelos atores na hora da filmagem. Assim, quando a cauda de Neytiri balança e suas orelhas se abaixam em fúria, estão apenas expressando um pouco além a raiva criada por Zoë Saldana no momento da cena.

Cameron comenta: “Os atores me perguntaram se estávamos tentando substituí-los. Ao contrário, estamos tentando dar a eles mais poderes, novos métodos de expressão para criar personagens, sem limitações. Não quero substituir atores, adoro trabalhar com eles. Isso é o que eu faço como diretor. O que estamos tentando é substituir as cinco horas na cadeira de maquiagem, que é como se criam personagens como extraterrestres, lobisomens, bruxas, demônios etc. Agora você pode ser quem ou o quê quiser, ter qualquer idade, até mudar de sexo, sem o tempo e o desconforto da maquiagem complicada”.

Zöe Saldana treinou sete meses para criar uma realidade física para sua personagem, de modo que pudesse expressar de forma plena a graciosidade atlética de Neytiri. Ela sabia que não se tratava somente de dublar um filme de animação, mas era uma "atuação total" e todas as nuances de sua expressão facial e os movimentos de seu corpo seriam capturados.

Cameron e os atores trabalharam juntos no Volume por mais de um ano, com alguns intervalos. Todas as etapas foram tão intensas como um relacionamento de trabalho que existe num set de filmagem comum; a diferença é que não havia luzes, câmeras ou gruas. Era a atuação pura. E todos realmente podiam se concentrar na atuação, na verdade emocional de cada momento, sem as distrações da filmagem. O diretor e os atores estavam envolvidos no processo, aproveitando a relação e se concentrando no que a captura da atuação permitia. Mas apenas quando Cameron e o elenco viram as primeiras cenas trabalhadas pela WETA, foi que compreenderam inteiramente como o filme seria revolucionário. Neytiri, Jake e Grace estavam vivos.

Com 'AVATAR' foi crucial conseguir uma atuação inteiramente autêntica para todos os muitos personagens. Os personagens em computação gráfica de 'AVATAR' seriam, diz Landau, “reais, teriam alma e emoções”. Cameron completa: “Cada detalhe de atuação foi criado pelos atores, que fazem todas as coisas que você vê e seus personagens em CG, até o menor movimento da mão. Os personagens são exatamente e apenas o que os atores criaram”.

'AVATAR' vai um passo além, colocando esses personagens fotorrealistas em um mundo e também é gerado por computador, mas parece completamente real. Cada planta, cada árvore, cada pedra é criada e renderizada no computador da WETA Digital, na Nova Zelândia. Uma grande inovação está na iluminação, no sombreamento e na renderização, que permitiram à WETA criar um mundo fotorrealista que era visto em seus detalhes, mas que parece inteiramente natural aos olhos. Foi necessário mais de um petabyte (mil terabytes) de material digital para a WETA fazer toda a computação gráfica do filme: o infindável número de plantas e animais, insetos, rochas, montanhas e nuvens. Para dar uma idéia, “Titanic” exigiu dois terabytes para criar (e afundar) o navio e seus milhares de passageiros, cerca de 1/500 do usado em 'AVATAR'.

Além de toda essa complexidade, o filme foi feito em 3-D estereoscópico. Então, além de a WETA precisar trabalhar em 3-D ao criar as cenas em computação gráfica (como fizeram os outros produtores de efeitos visuais, como a ILM), as cenas ao vivo precisariam ser filmadas em 3-D. Cameron então usou o sistema Fusion Camera, que desenvolveu com Vince Pace. Foram sete anos de trabalho para criar o sistema de câmera estereoscópica mais avançado do mundo. As câmeras funcionaram à perfeição no set de 'AVATAR', permitindo que as cenas se fundissem suavemente com as imagens em CG, num processo uniforme.

Por causa das muitas camadas de tecnologia desenvolvidas especialmente para o projeto, 'AVATAR' foi seguramente o filme mais desafiador de Cameron. Os realizadores se encontravam em território inexplorado, descobrindo as respostas ao longo do caminho. Foram necessários dezoito meses para desenvolver a captura de performance antes de se fazer qualquer cena com o elenco. Cameron admite: “Sempre procurei romper limites. Mas desta vez foi duro, foi necessário insistir. Comparo a experiência de realizar 'AVATAR' como pular de um despenhadeiro costurando o paraquedas no meio da descida”.

Mas essas tecnologias revolucionárias apenas estão na “caixa de ferramentas” dos realizadores, e estão sempre a serviço da história, da emoção e dos personagens. O produtor Jon Landau pondera: “No fim das contas, a reação do público a 'AVATAR' não será em relação à tecnologia, e sim aos personagens e à história criada por Jim. A tecnologia permite que ele conte uma história que não seria possível sem ela”. Cameron relata: “Sempre acabamos fazendo a pergunta: a história é boa? No final, a discussão será a respeito dos personagens - extraterrestres e humanos - e suas trajetórias”.

Landau compara o uso por Cameron dessas ferramentas revolucionárias em 'AVATAR' à maneira como ele usou os avanços de última geração no seu “Titanic”, vencedor do Oscar de Melhor Filme:

“Em 'Titanic', Jim usou efeitos visuais para que as pessoas se sentissem parte da história; em 'AVATAR', ele usa uma nova tecnologia para transportar as pessoas para o futuro, para outro mundo”.

E Cameron diz:
“A tecnologia está a tal ponto que ela desaparece, deixando apenas a magia, a sensação de que você está ali realmente, e que a história, os personagens e as emoções são reais”.


OS ATORES, OS PERSONAGENS – E SUAS TRAJETÓRIAS

'AVATAR' explora a jornada de herói de Jake Sully, um ex-fuzileiro naval inválido, confinado em uma cadeira de rodas, cuja bravura e destino ajudaram a definir um mundo que ele nunca soube que existia. Quando é recrutado para ir até a lua Pandora para enfrentar um enorme desafio - cujos detalhes ele não conhece no início -, ele não hesita. “Jake se alistou pela vida dura, para se testar”, explica Cameron. “Assim, quando é convocado para ir até Pandora, logo pega sua mochila”.

Sua eficiência, sua teimosia e coragem, o tornam imediatamente familiar. “Ele é um homem comum com a ressonância emocional que o público pode reconhecer”, observa Landau.

Jake foi convocado para ir até Pandora pela RDA, para substituir seu gêmeo geneticamente idêntico, o jovem cientista que treinou para a missão, porém morreu pouco antes de partir da Terra. Jake não é cientista, mas seu DNA faz dele o único qualificado, pois o DNA do irmão foi combinado com o do nativo de Pandora, Na'vi, para criar um híbrido Na'vi, ou 'AVATAR'. Somente Jake pode “conduzir”, ou seja, operar telepaticamente o 'AVATAR' do irmão. Por meio de seu corpo 'AVATAR', Jake passa a ter um novo propósito, novos desafios, em uma aventura que vai levá-lo a seus limites - e além deles. Diz o ator Sam Worthington: “Pandora dá a Jake a oportunidade de se encontrar, realizar seu potencial e compreender que, por meio de suas escolhas, pode se tornar um homem melhor”.

O personagem Jake é rico e complexo, com uma combinação rara de paixão, força, malandragem e sentimento. É um papel que exige muito de um ator, fato que Cameron reconheceu quando ele, Landau e a produtora de elenco Margery Simkin começaram a escalação. “O lance com Jake não era escrever o personagem, era encontrar o ator para personificá-lo”, enfatiza Cameron.

Depois de meses de procura nos Estados Unidos e na Europa, Simkin disse a Cameron ter encontrado um candidato - na Austrália. Sam Worthington, Margery disse a Cameron, tinha uma “qualidade visceral que faria o público acreditar que as pessoas o seguiriam. Ele tinha nos olhos inteligência e intensidade”.

Curiosos, os realizadores ofereceram um teste ao ator, mas ele estava cético inicialmente quanto ao segredo a respeito do projeto e dos poucos detalhes quanto ao personagem Jake. “Recebi um telefonema para o teste, mas não me disseram nada sobre o roteiro ou quem era o diretor”, recorda Worthington. “E pensei, ‘Bem, outra perda de tempo.’ Então, uma semana depois, recebi outro telefonema. Disseram que Jim Cameron queria que eu fosse até Los Angeles para fazer um teste.' E perguntei, 'Para que filme?'”

Claro, era para 'AVATAR' e o papel que ele acabaria interpretando. Mas mesmo depois que Cameron lhe falou sobre a história e o personagem Jake, acrescentou uma pergunta para completar o encontro com o ator: “Você está pronto para começar a aventura?” Worthington tinha uma prioridade terrena para realizar antes de começar sua viagem até Pandora. “Disse a Jim que sim, claro, estaria com ele na aventura, mas primeiro precisava consertar o freio do carro”.

Para Cameron e Landau, valia a pena esperar por Worthington. “Acho que uma das coisas mais difíceis de encontrar num ator na idade de Sam é uma reunião de sensibilidade, vulnerabilidade e força, e Sam tem tudo isso”, destaca Landau.

A coragem inata de Worthington o ajudou a captar o espírito e a coragem do personagem, bem como em sua relação com o famoso e respeitado diretor. “Levo meu trabalho a sério, como Jim faz. Fazemos nosso trabalho querendo dar o melhor de nós”, diz o ator.

Muitos dos atores, inclusive Worthington, receberam treinamento físico e para lidar com armas. Worthington, no entanto, estava mais interessado na preparação mental para seu papel de Jake. “Não ia me preparar como se estivesse num quartel, qualquer um pode fazer flexões. Eu saía com o irmão de Jim, John David, ex-fuzileiro naval. Para mim o importante era compreender como esses soldados veem o mundo, como o treinamento pode fazer com que pensem que nada os deterá”.

O primeiro encontro de Jake com a nativa de Pandora, Na'vi, é decisivo, levando a consequências emocionais inesperadas, além de cenas de ação e aventura. Enquanto explora a exuberante floresta tropical da lua, Jake é atacado por alguns de seus animais ferozes. Ao encarar a morte, Jake é salvo por Neytiri, uma caçadora destemida e bela, membro do clã Omaticaya, que fica próximo do local. O encontro é carregado de fortes emoções, negativas e positivas, resultando numa conexão que eles não poderiam imaginar. “A primeira coisa que Jake percebe em Neytiri é sua atração por ela”, conta Sam Worthington, rindo. “Então ele começa a perceber que ela é uma mulher forte e independente, que pode ajudá-lo a se tornar uma pessoa melhor”.

A primeira impressão de Neytiri a respeito de Jake não é favorável, e sim de desprezo. Mesmo sendo um 'AVATAR', Jake representa, para ela, a mentalidade cruel dos humanos, que ameaça a existência dos nativos Na'vi. Para salvar a vida de Jake, ela precisa matar os cruéis viperwolves, mas maldade deles apenas é parte integrante do ecossistema do planeta, com o qual os Na'vi têm uma forte ligação. “Neytiri, como seu povo, não compreende os modos dos humanos e seus métodos, nem a missão da crueldade humana”, diz Zoë Saldana, no papel de Neytiri. E acrescenta: “Os Na'vi tampouco compreendem como os homens maltratam o ambiente, que é sagrado para os Na'vi”.

Cameron observa: “Para mim, Neytiri representa o melhor de nós na maneira como vivem em seu mundo, em simbiose, empatia e harmonia. É algo a que todos devíamos aspirar. Com essa crença, a história celebra uma conexão com o meio ambiente, no momento em que talvez tenhamos perdido esse tipo de ligação”.

Os dons de intuição de Neytiri permitem que ela veja além da rudeza de Jake. “Ela vê algo nele que a atrai”, diz Saldana. “Claro, no início, ela o detesta, porém seus sentimentos se tornam mais complexos, deixando-a confusa, forçando-a a tomar as decisões mais importantes de sua vida”.

A personagem Neytiri mostra o interesse de Cameron em criar personagens femininas fortes e ela vem se juntar às suas heroínas Ellen Ripley de “Alien - O Oitavo Passageiro” ( papel de Sigourney Weaver, cuja atuação se tornou modelo para heroínas de filmes de ação - estando a atriz mais uma vez com Cameron em 'AVATAR', desde essa parceria importante, há 20 anos); Sarah Conor, de “O Exterminador do Futuro” (e “O Exterminador do Futuro 2 – O Julgamento Final”); Rose DeWitt Bukater, de “Titanic”, Lindsay Brigman de “O Segredo do Abismo”, e Helen Tasker de “True Lies”. Nenhuma dessas personagens pode simplesmente ser reduzida a um mero interesse amoroso, e Neytiri segue essa tradição, combinando força, graciosidade, um lado esportivo, beleza, vulnerabilidade e clareza emocional. “Zoë captou todos os aspectos da personagem que imaginei. Admiro especialmente sua combinação de delicadeza e intensidade, além de um grande poder físico, desenvolvido em anos de dança profissional”.

“Neytiri foi o que papel que mais me exigiu fisicamente, e treinei durante meses antes da produção para captar a graça e a força da personagem”, conta Zöe Saldana. “Eu queria que ela entrasse no meu corpo e 'AVATAR' foi uma oportunidade incrível para fazer isso”. Sobre sua reação à renderização em computação gráfica de Neytiri, ela diz: “Agradeci a Jim. Neytiri é sexy, longilínea e magra. E a atuação era minha!”

Seu treinamento na pré-produção incluiu montar, fazer artes marciais, arco e estudo e prática de movimentos. Além disso, Zöe e os demais atores principais foram com Cameron para o Havaí, que serviu como o ambiente que ele imaginara para Pandora. Zöe Saldana lembra: “Tivemos que ficar ali sem tecnologia sofisticada, ferramentas e itens de conforto. Fiquei três dias quase nua, cavando, subindo morros, cheia de lama. Sentia falta do meu conforto, achava que não ia aguentar. E Jim disse, 'Ah, qual é. Neytiri, segura a onda!'”

Quando o elenco e os realizadores chegaram ao estúdio de captura de performance, em Los Angeles, Zöe ficou agradecida pela experiência no Havaí. “Naquele estúdio vazio, sem cenários, tínhamos de representar como se estivéssemos em Pandora, com sua lama, água, umidade, árvores e morros - tudo. Termos estado no Havaí nos deu uma imagem mental de onde podíamos nos colocar quando precisávamos simular uma ação no cenário virtual”.

Outra figura feminina na nova vida de Jake em Pandora é Grace Augustine, uma cientista encarregada de dirigir o Programa 'AVATAR'. Botânica experiente, faz quinze anos que vive em Pandora; faz muitos anos que saiu da Terra porque o planeta está superpovoado, com um meio ambiente arrasado, sem biodiversidade a ser estudada. Em Pandora, ela circula entre seu mundo científico na colônia humana do Portão do Inferno e seu trabalho de campo como 'AVATAR' na floresta tropical de Pandora. “Grace está tentando criar um elo de confiança com os Na'vi, mas é sabotada pelos soldados da colônia”, diz Sigourney Weaver, que interpreta Grace. “Ela adora Pandora e os Na'vi de todo o coração, e espera poder protegê-los das forças da Terra industrial”.

Grace não está satisfeita com a chegada de Jake em Pandora para fazer parte do Programa 'AVATAR'. Ela o considera mal preparado, se não totalmente desqualificado para fazer parte de uma equipe científica de elite. “Grace não gosta de Jake tornar-se um 'AVATAR'”, diz Sigourney Weaver. “Ela pensa, ' Ele está aqui porque a roupa lhe coube!'”, referindo-se à semelhança de seu DNA com o do ex-condutor do 'AVATAR', o irmão cientista falecido.

Ela muda em relação a Jake, que impressiona a nova chefe com sua afeição respeito aos Na'vi. Sigourney Weaver gostou de trabalhar nessa dinâmica oposição entre Jake e Grace, ao lado de Sam Worthington, que ela considera um novo herói da ação. A atriz - para sempre lembrada pelo papel de Ellen Ripley na série de filmes “Alien” - sabe alguma coisa a respeito dos ícones dos filmes de ação. “É difícil interpretar heróis de ação. É preciso uma abordagem específica. As pessoas pensam que filmes de ação só envolvem a parte física, mas não. Você precisa que as outras ‘vidas’ aconteçam ao mesmo tempo. É preciso a nutrir o personagem com dados específicos. Vi Sam fazer tudo isso em 'AVATAR'”.

A pedra no sapato de Augustine é o coronel Miles Quaritch, chefe de segurança da colônia humana em Pandora. Sua missão é facilitar o objetivo da RDA de destruir Pandora, e não conquistar os corações e mentes dos Na'vi. Ele despreza o Programa 'AVATAR' por ser contrário à sua missão de proteger os humanos que vivem e trabalham em Pandora.

Quaritch tem qualidades nada admiráveis, contudo o ator Stephen Lang diz ter encontrado muito a admirar no personagem, até mesmo ter pena dele. “Quaritch sabe qual é sua missão e é muito disciplinado, e isso me atraiu”, diz Lang, que no início do ano trabalhou como um agente do FBI na época da Depressão no filme “Inimigos Públicos”. “Ele é um líder da linha de frente , ninguém duvida de suas habilidades”. Mas ele é um vilão? “Bem, ele com certeza não é hipócrita, é o que mostra ser”.

“Achei Quaritch muito motivado pelas coisas de que ele sentia falta, sua alma estava em completo caos e decrepitude. É triste para ele estar num verdadeiro paraíso e ser incapaz de compreendê-lo. Acho que ele tem a ver com muitas das pessoas que passaram por julgamentos e a angústia da guerra”, pondera o ator.

Outra figura capaz e durona no Portão do Inferno é Trudy Chacon, uma piloto que tem a missão de conduzir os humanos e os Avatares da colônia para postos dos cientistas na floresta. Mas, ao contrário de Quaritch, Trudy é boa gente, tranquila, bem diferente dos outros soldados. “Basicamente, Trudy toma conta dos cientistas no Programa 'AVATAR', levando-os de lá para cá, do laboratório para seus trabalhos em campo”, explica Michelle Rodriguez, atriz que assumiu o papel e outra grande heroína de ação de James Cameron.

A atriz, que chamou atenção na sua estreia, no aclamado drama independente “Boa de Briga”, aprecia a capacidade do diretor de criar essas personagens femininas, além de sua sensibilidade a respeito da arte de atuar e dos atores. “Acho que Jim realmente tem a capacidade de ver através das pessoas. Ele as compreende pelo que são realmente”, avalia.


CAPTURANDO A EMOÇÃO

Com os atores trabalhando sem cessar para incorporar todas essas nuances físicas, linguísticas e emocionais tão importantes para seus personagens e para a visão do diretor, Cameron estava determinado a captar tudo isso nas encarnações dos atores geradas por computador.

Worthington e os outros atores acharam libertador trabalhar no estúdio nu conhecido como o Volume, usando roupas especiais e o equipamento na cabeça.

“Nós nos dedicamos ao processo de atuação e nos divertimos bastante”, conta Worthington..

“Embora o 'AVATAR' de Jake tenha 3,5 metros e seja azul, é minha personalidade e a minha alma. É espetacular que Jim consiga fazer isso”, completa

Worthington continua: “Esse processo é incrivelmente libertador. Você não pode se esconder, toda tomada tem de ser verdadeira. No início, eu ficava nervoso, mas você acaba esquecendo que está usando aquilo na cabeça e que tem centenas de pontos no rosto”. “Você fica imaginando se vai ter a capacidade mental de olhar para aquele estúdio cinza, vazio, e ver uma cobra enorme numa floresta exuberante”, confessa Laz Alonso. “Quero dizer, o Volume não tem nada. Mas graças à direção de Jim, à captura de performance e à câmera virtual, algo de sensacional começa a acontecer e você começa a ver aqueles animais e aquele incrível ambiente. Você vai tão fundo nesse mundo que começa a ver, sentir o cheiro, ouvir e sentir Pandora”.

Joel David Moore diz que a maneira como o Volume faz funcionar a imaginação fez com que se lembrasse da abordagem básica da atuação. “Trabalhar nesse estúdio leva você aos antigos dias do teatro. Tudo o que se tem no palco do teatro é uma parede, uma mesa e algumas cadeiras. É preciso imaginar todo o resto” ressalta.


Outro avanço revolucionário foi a câmera virtual, que não apenas tornou o trabalho de computação gráfica centrado no diretor e na atuação, como também criou um novo paradigma de produção que deu a Cameron a capacidade inédita de realmente ver o personagem da CG e os ambientes de CG na câmera, na hora em que trabalhava com os atores no Volume. “A câmera virtual permitiu a ele dirigir os atores de forma imediata, como jamais tinha acontecido. Ao mesmo tempo, os atores sentiram muito melhor seus personagens porque conseguiram ver a cena em CG, além dos ambientes, quase imediatamente, sem ter de esperar por meses até que a produtora dos efeitos liberasse as imagens”, explica Landau. A imagem em CG na câmera tinha apenas a resolução de um videogame, mas depois de Cameron completar a filmagem e a edição de uma determinada sequência, a WETA então trabalharia nela por meses para criar as imagens fotográficas finais, de alta resolução. Com efeito, cada tomada era criada duas vezes; uma vez com Cameron no Volume, e mais uma vez depois que a WETA completava seu trabalho de meses.

A câmera virtual, que parece com um controlador de videogame com um monitor acoplado, não é realmente uma câmera porque não tem sequer uma lente; em vez disso, ela imita uma câmera ao ser “alimentada” com as imagens em CG por computadores de primeira linha à volta do Volume. Uma pequena tela mostra a imagem em CG que alimentou esses computadores.

Isso permitiu a Cameron filmar de qualquer ângulo, conseguindo espontaneidade, flexibilidade e opções inéditas no estúdio de produção virtual. “Por exemplo, Jim podia dizer para criarmos uma escala de cinco por um na vertical”, esclarece Stephen Rosenbaum, da WETA. “E quando ele move a câmera, em vez de deslocá-la um metro, é um movimento de grua de 45 metros, em tempo real. Na verdade, ele poderia transformar a equipe de câmeras em uma equipe de Na´vi de 3 metros de altura”.

“Muito depois de os atores terem ido para casa, eu ainda permanecia no Volume com a câmera virtual, revisando as cenas”, diz Cameron. “Apenas repassando a tomada, consigo uma cena em diferentes ângulos. Podemos mudar a iluminação, podemos fazer várias coisas”. “É filmar em um nível diferente, como se comparasse a escola com um programa de doutorado no M.I.T.”, compara Laz Alonso.

Outra ferramenta inovadora da “caixa de ferramentas” de Cameron foi a Simul-Cam, que integrava, em tempo real, personagens e ambientes em CG ao que fora filmado - ao vivo - pela câmera Fusion. A tecnologia essencialmente trata uma câmera fotgráfica como câmera virtual, usando a caixa de ferramentas de produção virtual e sobrepondo-a à produção física. “A capacidade de filmar em um set normal e ver no visor de sua câmera personagens e ambientes em CG que não estavam ali, permitiram a Jim filmar aquela cena com a mesma sensibilidade que ele teria em uma cena real”, enfatiza Landau.


A CRIAÇÃO DE PANDORA

Como toda a ação de 'AVATAR' acontece em Pandora, seja na base humana no Portão do Inferno, ou na floresta tropical, tudo o que apareceu diante das câmeras ou foi renderizado em computação gráfica teve de ser criado do zero. Paralelamente ao desenvolvimento da tecnologia, o processo de design consumiu dois anos antes do início das filmagens.

Os realizadores convocaram uma equipe de profissionais de primeira linha para criar cada personagem, cada criatura, planta, roupa, arma, veículo e o ambiente de 'AVATAR'. Criaram não apenas uma cultura, e sim duas: a colônia humana altamente tecnológica, com seus veículos e armamentos, e a sociedade dos Na’vi.

Tal qual fez com os personagens, Cameron criou Pandora de modo que fosse fácil de ser reconhecida como viável, contudo sem perder suas características exóticas e inteiramente inovadoras. É um mundo que não exclui o que nos é familiar. “Não queríamos que os seres e a flora fossem completamente diferentes do que existe na Terra, e sim somente o suficiente para nos fazer lembrar que se trata de outro mundo, mas ao mesmo tempo sendo acessível”, explica Cameron. Árvores de mais de trezentos metros e montanhas flutuantes estão entre as paisagens que encantam em função da criatividade e do escopo, porém cujo design parte de estruturas familiares a todos.

“James Cameron não apenas criou e realizou um filme ambientado num mundo distante; foi como se ele realmente tivesse viajado para lá, tivesse feitos milhões de anotações, e depois tivesse voltado e posto cada detalhe que absorveu no papel, e em seguida transmitisse para o filme”, diz o desenhista de produção Rick Carter.

Foi essa a impressão que o mundialmente respeitado cineasta causou nos seus chefes de departamento, no elenco e em todos que trabalharam em 'AVATAR'. Trabalhando com alguns dos melhores profissionais da indústria do cinema, Cameron supervisionou a arte conceitual, os cenários virtuais e os reais. Ele examinou cada detalhe do design do filme: cada criatura, cada faixa de grama, árvore, montanha, nuvem, veículo e cada roupa.

“Acho que Jim tinha terminado 'AVATAR' há muito tempo na cabeça dele”, afirma um dos desenhistas de produção, Robert Stromberg, que supervisionou boa parte do design de Pandora. Ele completa: “Ele o trouxe até nós para recriá-lo”. Rick Carter acrescenta: “Não foi fácil acompanhar o ritmo de Jim, porque ele estava nos apresentando a um mundo que ele já tinha visto, que não tinha acabado de inventar. Ele o tinha visto e o descreveu para nós. Jim explicava suas ideas para o design tão detalhadamente que dava para pensar que esses animais imaginários existiam mesmo. Isso dá uma ideia do quanto ele pensou em cada animal e cada inseto. Ele sabia o que comiam, como dormiam e como interagiam uns com os outros”.

Há diversos clãs Na’vi espalhados por Pandora, no entanto aquele que Jake passa a conhecer é o clã Omaticaya, que vive no interior da árvore Hometree de mais de 300 metros há dez mil anos. O clã Omaticaya usa diferentes níveis da estrutura do interior da árvore como uma cidade. A hierarquia social dos Omaticaya é claramente definida, tendo como líder ou “Olo’eyctan”, Eytukan. Neytiri é filha de Eytukan, e sua mãe, Mo’at, também tem poder como a “Tsahik” ou xamã do clã. Tus’tey, um forte e orgulhoso jovem caçador, está na linha de sucessão para ser o próximo Olo’eyctan, e está prometido a Neytiri, num casamento arranjado.

Entre as inúmeras maravilhas de Pandora está a rede neural, por intermédio da qual toda a vida animal e vegetal está interligada. Idêntica a um sistema nervoso humano, essa rede faz toda a vida de Pandora funcionar como um único e harmonioso sistema. O centro dessa rede – e o coração e o cérebro da lua Pandora – é um imenso e nodoso salgueiro antigo, que é o epicentro dos Na’vi, uma extensão de sua força vital e um local de regeneração e conhecimento. Essa “Árvore das Almas” está localizada no centro do mais poderoso campo magnético de Pandora, o Flux Vortex. Há muitas e muitas eras, o campo invisível criou as estranhas formações geológicas de arcos que formam arco-íris de rocha, acima de uma profunda cratera, tendo a Árvore das Almas ao centro.

Nos estágios finais de 'AVATAR', Cameron estava ansioso para dividir sua visão com o mundo. Ele promoveu exibições prévias de longas cenas para importantes exibidores nacionais e internacionais, e na concorrida convenção sobre cultura popular Comic-Con.

Satisfeito com a reação a essas exibições prévias, Cameron continuou a refinar a edição e a rever o trabalho de efeitos visuais já concluído, ou quase concluído, que chegava diariamente da WETA Digital e dos outros profissionais de efeitos visuais (como ILM, Framestore, Prime Focus, Hybride e hy*drau”lx), tudo para fazer de 'AVATAR' uma experiência única para os frequentadores de cinema.

“Jim não faz filmes para ele próprio. Ele os faz para o público”, afirma Jon Landau. E Cameron conclui: “Quero muito que o público viva uma experiência no cinema completamente satisfatória. E espero que as pessoas saiam do cinema comentando, ‘Eu não assisti a um filme, vivenciei um filme.’”

Trailer do Filme

 

 

 

 

Fonte: Fox Film