Babel: n. 1. Na Bíblia, uma famosa torre construída por uma humanidade unida para chegar ao céu, causando com que Deus, em sua fúria, fizesse com que cada pessoa envolvida falasse uma língua diferente, pondo um fim ao projeto e dispersando um povo confuso e desunido pelo planeta. Filmado ao longo de um ano em três continentes - e trazendo um elenco multilíngüe com Brad Pitt, Cate Blanchett, Gael García Bernal, Kôji Yakusho, Adriana Barraza e Rinko Kikuchi, o filme significou para todos aqueles envolvidos uma jornada física e psicológica muito próxima àquela retratada pelos personagens. Enquanto o filme conta a história de pessoas separadas por fronteiras culturais e de idioma, tanto o diretor quanto a equipe encararam esses mesmos desafios meses antes das gravações terem início. Para o diretor indicado ao Oscar® Alejandro González Iñárritu, realizar o filme foi por si só uma jornada de transformação. Foi, diz ele, seu maior desafio na realização de um filme até o momento e que mudou todos os envolvidos de forma profunda. "BABEL nasceu de uma necessidade moral de me purificar e falar das coisas que estavam preenchendo meu coração e mente: os incríveis e dolorosos paradoxos mundiais que afetam terras próximas e distantes, finalmente desaguando em tragédias individuais." |  |
"A realização de BABEL foi também um tipo de Babel", observa Iñárritu. "A produção foi completamente diferente de qualquer outra que eu já fiz. Criamos na essência quatro filmes diferentes, tentando penetrar em quatro culturas diversas sem usar o ponto-de-vista de alguém de fora. Foi desafiador logisticamente, mas a parte mais difícil foi a intelectual e emocional. BABEL tornou-se não apenas uma jornada externa, mas também interna. Todos da equipe, incluindo eu mesmo, se transformaram, e o próprio filme mudou pois eu precisei reescrever cada história de acordo com as culturas e circunstâncias." Como é geralmente o caso, o choque de inúmeros pontos de vista culturais, tanto ideológicos quanto físicos, terminaram transformando não apenas sua perspectiva pessoal sobre as coisas, como também o próprio processo criativo.
Iñárritu diz que, primeiramente, a idéia de BABEL é o resultado de ter deixado seu país e de seu atual estado de espírito sempre atribulado. "BABEL não respondia mais à pergunta 'de onde venho', mas 'para onde vou'. "A melhor parte de filmar BABEL foi que eu comecei fazendo um filme sobre as diferenças entre seres humanos - as que nos separam, barreiras físicas e de línguas - mas no caminho comecei a perceber que estava fazendo um filme sobre o que nos une: amor e dor. O que faz um japonês e um marroquino felizes pode ser bastante diferente, mas o que nos torna miseráveis é o mesmo para todos", diz o diretor. De fato, ao fazer um filme que cruza fronteiras, culturas, conflitos e as linhas internas que as pessoas criam entre si, Iñárritu, seu elenco e equipe precisaram trabalhar através de um emaranhado de variados dialetos, estilos de vida e personalidades. |  |
"Durante a produção, tivemos diversos problemas que são peça-chave no filme - a comunicação não foi fácil", ele explica. "BABEL foi criado por centenas de pessoas todas de diferentes partes do mundo. No set do Marrocos, por exemplo, as pessoas falavam árabe, berbere, francês, inglês, italiano e espanhol. Tivemos até atores de uma mesma cidade que falavam línguas diferentes, então foi um desafio constante unir todo mundo." Com a cacofonia das vozes humanas que emergiu da Torre de Babel bíblica como sua inspiração, BABEL traz quatro igualmente cativantes narrativas que se desenvolvem em diferentes cantos do mundo, enquanto são, no entanto, unidas pelas raízes. Tudo que acontece nesse filme é posto em ação por um único e simples ato - um rifle de caça deixado para trás por um turista no Marrocos que reverbera através de uma cadeia de interações pessoais e globais. Apesar de esbarrar em alguns dos mesmos assuntos de destino e interconexão abordados em seus dois trabalhos anteriores, AMORES BRUTOS e 21 GRAMAS, o filme é também um distanciamento, percorrendo uma tela muito mais ampla emocional, intelectual e geográfica. "A única razão pela qual essa 'trilogia' pode ser considerada assim, além de ter sido moldada por estrutura narrativa de sobreposição, é que no final são histórias de pais e crianças. AMORES BRUTOS e 21 GRAMAS também tratavam disso. A despeito do fato de que questões sociais e políticas em uma escala global estão implícitas em BABEL, o filme não deixa de ser um quarteto de contos muito íntimos", diz Iñárritu. 
| Enquanto percorria culturas tão especiais, ainda que diferentes, um dos principais objetivos do diretor foi evitar usar um ponto-de-vista convencional "externo" que poderia diluir a intimidade do público com os personagens multiculturais. Em vez disso, ele seguiu o que chama de processo de "observação e absorção" - ficando um tempo em cada país em que filmou, vendo os costumes dos habitantes locais, além de usar muitos atores amadores que podiam dar a ele não apenas insuperável naturalismo, mas rara percepção das sutilezas culturais locais. Apesar de o fato de muitos atores nunca terem visto uma câmera antes, Iñárritu confiou neles para revelar suas reações específicas pessoais e culturais face às situações dramáticas do filme. |
Essa forma emocionalmente cativante de contar a história ajudou a pôr abaixo os muros que freqüentemente cercam personagens estrangeiros em filmes hollywoodianos. Para o diretor, foi um dos maiores dilemas na realização de BABEL - representar francamente a ambientação cultural de cada história e revelar ao mesmo tempo a tocante e inegavelmente comum humanidade na essência das situações narradas. "As verdadeiras fronteiras estão dentro de nós, já que, mais que um mero espaço físico, as barreiras estão no mundo das idéias. Percebi que o que nos torna felizes como seres humanos pode ser bastante diverso, mas o que nos torna miseráveis e vulneráveis é o mesmo para todos nós, indo além de cultura, raça, língua ou condição financeira", diz Iñárritu. "Descobri que a grande tragédia humana resume-se à inabilidade de amar e ser amado e à incapacidade de tocar ou ser tocado por esse sentimento, que é o que dá sentido à vida e à morte de cada um. Desta maneira, BABEL transformou-se em um filme sobre o que nos une, e não o que nos separa." 'Babel' será lançado no dia 19 de Janeiro de 2007.
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