No primeiro ano da ocupação da França pela Alemanha, Shosanna Dreyfus testemunha a execução de sua família pelas mãos do coronel nazista Hans Landa (Waltz). Shosanna escapa por pouco e parte para Paris, onde assume uma identidade falsa e se torna proprietária de um cinema.

Em outro lugar da Europa, o tenente Aldo Raine (Pitt) organiza um grupo de soldados americanos judeus para praticarem atos violentos de vingança. Posteriormente chamados pelo inimigo de “os Bastardos”, o esquadrão de Raine se une à atriz alemã Bridget von Hammersmark (Kruger) em uma missão para derrubar os líderes do Terceiro Reich. O destino conspira para que os caminhos de todos se cruzem em um cinema, onde Shosanna pretende colocar em prática seu próprio plano de vingança...

'Bastardos Inglórios' de Quentin Tarantino combina histórias de opressão, infames, verídicas e heróicas da Segunda Guerra Mundial.



SOBRE A PRODUÇÃO

O ROTEIRO

A longa gestação de 'Bastardos Inglórios' pode ser melhor contada por meio de histórias compartilhadas pelos amigos e colegas do roteirista e diretor Quentin Tarantino. Partes da história e elementos do roteiro surgiam
a partir de conversas informais entre Tarantino e seus amigos. O épico de espionagem de “homens em missão” pega seu título emprestado de INGLORIOUS BASTARDS, filme de Enzo Castellari, de 1978.

Castellari, que faz uma pequena participação no filme, explica: “É um filme completamente diferente, pois é algo próprio do Quentin, não é uma refilmagem, e sim algo que eu inspirei”.

O produtor Lawrence Bender lembra-se da primeira vez em que ouviu Tarantino ler partes de 'Bastardos Inglórios': “Faz pelo menos dez anos, ele estava no meu escritório, lendo as cenas que me arrebataram. Eu pensei, ‘Nós temos que fazer esse filme’”. Bender teria de esperar. O roteiro passou por muitas versões ao longo da década seguinte. Com o passar dos anos, o título permaneceu o mesmo, porém as falas iam e vinham, e Tarantino brincava com a idéia de apresentar o projeto como uma minissérie de televisão, ou de escrevê-lo como um romance.

Contudo, o tão debatido roteiro ressurgia aqui e ali. Eli Roth, que interpreta o “Bastardo” Donny Donowitz, recorda: “Meu primeiro encontro com 'Bastardos Inglórios' foi em dezembro de 2004, quando Quentin leu
e interpretou todo o monólogo de Hitler. Foi a primeira vez que vi algo que agora chamo de ‘Teatro Quentin Tarantino’, em que ele lê seu roteiro e interpreta cada personagem”.

Eli Roth prossegue: “Eu me lembro de ter dito que fiquei muito impressionado com tudo o que ele leu para mim. Durante anos, ele me ligava e dizia, ‘Tenho uma nova cena para 'Bastardos Inglórios'’, mas depois ele o deixou de lado para fazer À PROVA DE MORTE. Cerca de um ano e meio atrás, ele disse, ‘Acho que quero mesmo terminar 'Bastardos Inglórios'’”.

Em 2008, Tarantino também mencionou a Bender que tinha voltado a se dedicar a 'Bastardos Inglórios'. “Fiquei muito empolgado por ele, porque ele parecia feliz com isso. Mas não imaginava que ele estivesse
perto de terminá-lo”, diz Roth.

Em 2 de julho de 2008, Tarantino concluiu o último tratamento do roteiro de 'Bastardos Inglórios'. Pilar Savone, produtora associada que vem trabalhando com Tarantino desde que foi segunda assistente de direção de JACKIE BROWN, lembrase do momento em que colocou as mãos no roteiro: “Nós chamamos de ‘dia da publicação’ - o dia em que ele termina, nós recebemos o roteiro e o distribuímos. Ele o colocou sobre a minha mesa e nós fizemos cópias. Ele ligou para os amigos e disse, ‘Estou com meu roteiro. Eu consegui. Venham buscar’. Ele tinha uma longa lista de pessoas para quem queria dá-lo. As pessoas entravam e saíam da casa, para visitá-lo e pegar suas cópias. Quando estávamos quase no fim da lista, eu olhei para as garotas do escritório e disse, ‘Precisamos tomar um vinho’”.

“Recebi uma ligação dele em 3 de julho e Pilar me enviou o roteiro”, conta Bender. “Cancelei todos os meus compromissos. Fiquei em casa, li o roteiro uma vez e já ia pegar o telefone, mas pensei, ‘Preciso lê-lo novamente’. Sentei e li tudo outra vez. Nem preciso dizer o quanto fiquei empolgado”.

Tarantino completa: “Conversei com Lawrence e ele disse para nos encontrarmos. No domingo seguinte tivemos uma longa reunião, falamos sobre o filme e decidimos que começaríamos a produzi-lo na segunda-feira”.

Ele destaca: “Cada capítulo do filme tem um visual e também uma sensação ligeiramente distinta, e o tom é diferente em cada um deles. A abertura tem um clima de bangue-bangue, mas com a iconografia da Segunda Guerra Mundial”.

Aqueles que estão familiarizados com o trabalho de Tarantino sabem de seu comprometimento em fazer filmes para o público internacional, e não apenas para os americanos. Julie Dreyfus, que estrelou como Sophie
Fatale em KILL BILL, comenta: “Quando ele fez KILL BILL, também queria que fosse o mais autêntico possível”.

O roteiro surpreendeu os que o leram porque personagens reais e fictícios interagem, numa realidade alternativa. “O tom é dado pela primeira fala do roteiro: ‘Era uma vez uma França ocupada pelos nazistas’. Trata-se de um conto de fadas, mas narrado ao estilo de Quentin”, esclarece Nicotero. “É uma fábula e ela nos conduz por um caminho realmente ímpar, desde a cena de abertura”.

A ESCALAÇÃO DO ELENCO

A seleção do elenco de 'Bastardos Inglórios' exigiu habilidade e paciência de uma equipe de diretores de elenco em Paris, Berlim e Los Angeles. A produção fazia a escolha dos atores de acordo com o país de
origem de cada personagem. “Foi algo inovador, mas sei que o público internacional está pronto para isso”, diz o co-produtor Henning Molfenter, que faz parte da equipe de produção dos Estúdios Babelsberg, em Berlim.

“É um passo na direção de um cinema internacional e acredito que será muito apreciado”, ele acrescenta.

Brad Pitt foi o primeiro ator a ingressar no elenco, como o tenente Aldo Raine. Tarantino voou até a França, durante a pré-produção, para encontrar o ator. O diretor explica: “Eu já tinha encontrado Brad algumas vezes e sabia que ele tinha interesse em trabalhar comigo, e eu também queria trabalhar com ele. Mas não é assim que funciona comigo. O personagem vem sempre em primeiro lugar, e quando eu estava escrevendo o personagem Aldo Raine, me dei conta de que seria um bom papel para o Brad. Comecei a ficar nervoso, pois não saberia o que fazer caso ele recusasse. Quando concluí o roteiro, vi que tínhamos que iniciar a produção imediatamente. Entrei em pânico, pensando, ‘Quais são as chances de o astro de cinema mais requisitado do momento querer
participar do filme, e estar disponível quando eu precisar dele, ou seja, agora?’ Mas às vezes os deuses do cinema sorriem para nós”.

Ele completa: “Brad é maravilhoso. Há muito tempo desejávamos trabalhar juntos e este simplesmente era o filme ideal. Nem sequer cogitei qualquer outro ator”.

Diane Kruger, que cresceu na Alemanha e mora em Paris, considera que o elenco multinacional marca uma mudança animadora para o mundo do cinema. “Sendo da Europa, eu realmente gostei. Acho ótimo que Quentin
tenha a coragem de fazer isso, pois acrescenta autenticidade. Idiomas diferentes têm melodias diferentes e é engraçado ouvir, e ver as pessoas não entendendo umas às outras”.

Embora Bridget Von Hammersmark estivesse entre os últimos papéis a serem escalados, Tarantino se entrosou com Kruger instantaneamente. A produtora executiva Erica Steinberg avalia: “Diane entende o senso de humor de Quentin. Quando ela leu o roteiro, entendeu o Quentin. Não foi algo que ela tivesse de aprender. Ela entende os diálogos dele completamente”.

Kruger valoriza a participação de sua personagem na incomum “história fictícia” do filme. “Bridget Von Hammersmark é uma ótima personagem”, diz Kruger. E justifica: “Ela é uma estrela de cinema alemã dos anos 1940, do calibre de uma grande estrela como Marlene Dietrich ou Hildegard Knef. O fato especial a seu respeito é que ela decidiu ficar durante a guerra, e por esse motivo foi muito admirada pelos alemães. Ela está familiarizada com o regime nazista, mas na verdade é uma espiã dos britânicos”.

Um dos primeiros atores a serem escalados para 'Bastardos Inglórios', Daniel Brühl descreve seu personagem como um herói de guerra que se transformou no astro de cinema Fredrick Zoller. “Ele é gentil
e bonito, e adora cinema. Precisa lutar muito para conquistar Shosanna e é o que faz ao longo do filme. Ele não consegue admitir que essa garota o trate tão mal e não tenha qualquer respeito por seus sentimentos, ou por
ele próprio”.

Tarantino admite que o personagem de Brühl “é ligeiramente baseado em Audie Murphy”, conhecido veterano da Segunda Guerra Mundial. “E tal como Audie Murphy, Daniel Brühl está prestes a se tornar um astro de
cinema”, destaca o diretor. Brühl viajou a Paris para fazer uma leitura com um grupo de atrizes francesas que estavam concorrendo ao papel de Shosanna. Houve uma química palpável entre Brühl e Mélanie Laurent, atriz e diretora indicada à Palma de Ouro de Melhor Curta-Metragem no Festival de Cannes de 2008, e vencedora do César em 2007, na categoria de Atriz Mais Promissora.

“Shosanna sempre foi uma personagem principal”, diz Tarantino. “Uma das maiores mudanças em minha concepção do filme, daquela época para agora, na verdade, é que na versão original do roteiro Shosanna era uma personagem de cinema. Ela era durona. Mas eu já tinha feito isso com a noiva, em KILL BILL. Então, resolvi torná-la mais parecida com uma garota de verdade”.

Apesar do sucesso inicial e quase imediato nas primeiras escalações, Tarantino continuou apreensivo quanto a encontrar um ator para interpretar o coronel Hans Landa. Christoph Waltz imediatamente o tranquilizou. “Ele
começa o teste e Quentin está lendo com ele”, recorda Bender. “Quentin e eu nos entreolhamos e eu pude ver em seus olhos, e ele nos meus, que nós tínhamos encontrado o ator certo. Foi incrível, porque Quentin estava
muito preocupado e literalmente horas depois o cara entra e consegue fazer o teste em inglês, francês e alemão. Ele simplesmente arrasou”.

Trailer do Filme

 

 

Fonte: Paramount