O criador, astro, roteirista e produtor de Borat e Da Ali G Show criou a comédia mais ousada, louca e perigosa jamais lançada nos circuitos cinematográficos comerciais. Em BRUNO, Baron Cohen apresenta aos cinéfilos o novo personagem de sua série premiada: um fashionista gay que é o apresentador do programa noturno de moda de maior audiência em todos os países de fala germânica… excetuando-se a Alemanha.
A missão de Bruno? Tornar-se a maior celebridade austríaca desde Hitler. A sua estratégia? Cruzar o planeta na esperança de encontrar a fama e o amor.



SOBRE A PRODUÇÃO

Conseguindo de novo:
filmando a comédia radical

Após a comoção mundial causada por Borat, a jornada fílmica internacional do fashionista mais famoso da Áustria (e apresentador do programa de TV, Funkyzeit Mit Bruno) começou com os cineastas se fazendo uma pergunta simples: “Vamos conseguir fazer isso de novo?”

Isso seria possível… se eles conseguissem manter seu astro e maior criador longe da prisão e vivo até o encerramento das filmagens.

Se o diretor Larry Charles e os produtores, Sacha Baron Cohen, Dan Mazer, Jay Roach e Monica Levinson, aprenderam uma única lição de sua experiência em Borat, foi viver segundo uma única regra: “conheça e respeite a lei e tenha sempre um plano de fuga”. Eles estavam certos de que se Baron Cohen fosse preso ou ferido, a produção teria de ser suspensa, atrasando seu cronograma em semanas. Essa máxima guiou todos os aspectos da produção, e eles conseguiram se ater aos seus planos.

Bem, exceto em uma ocasião.

Enquanto a maioria das produções de cinema tem um cronograma diário de trabalho fechado, em que o elenco e a equipe sabem o que se espera deles, a equipe de BRUNO não teve esse luxo. Todas as tardes, o grupo precisava determinar o que seria filmado no dia seguinte. Eles faziam um planejamento, iam até a locação e filmavam tudo numa sucessão frenética. Depois, eles se dirigiam à próxima locação para extrapolar todos os limites sem infringir a lei.

Acreditando ser crucial superar a comédia radical que eles haviam criado com Borat, a equipe extrapolou no sarcasmo nesta produção e teve confrontos bem mais sérios com a polícia do que na primeira vez. E não parou aí. A equipe passou a receber ligações do FBI alertando-a sobre ameaças de morte e precisou driblar punhos revoltados, turbas ensandecidas e armas carregadas a cada etapa do caminho.

A experiência em Borat havia demonstrado que todo o elenco e a equipe precisavam estar integrados (e trabalhado sob o mais estrito sigilo) a fim de garantir que a técnica de filmagem de guerrilha funcionasse. Da detenção de Baron Cohen pela polícia de Milão depois da filmagem de uma participação que roubou a cena no desfile da designer Agatha Ruiz De La Prada ao seu interrogatório e revista pelos agentes policiais, não houve um único momento de tédio no set cosmopolita.

Assim que Baron Cohen e seus corroteiristas definiram as situações iniciais (por exemplo, Bruno será expulso de um grande desfile de moda, ele flertará com vítimas aturdidas e entrevistará celebridades acerca de seus esforços humanitários), começaram as pesquisas para se encontrar os melhores locais a serem visitados e as pessoas a serem entrevistadas. Os resultados, registrados por uma câmera, ditariam os passos seguintes.
Ao longo de 19 semanas não-consecutivas durante o ano inteiro, uma máquina “bem azeitada e completamente desorganizada” filmou as cenas. Mantendo uma companhia de produção limitada e em boas condições operacionais e contando com o sigilo de um grupo de profissionais talentosos, eles conseguiram registrar cenas jamais filmadas anteriormente.

Abaixo, segue somente uma amostra de suas histórias irreverentes.

Procurando Lutz

Quando os roteiristas escreviam as aventuras de Bruno, perceberam que ele precisaria de um comparsa em suas viagens pelo mundo. A escalação do papel do segundo assistente do apresentador de moda, o inicialmente dócil (e irremediavelmente apaixonado pelo chefe) Lutz, exigiu da produção uma busca exaustiva; foram realizadas audições nos EUA, na Alemanha, em Londres, e em muitos outros locais. Lutz seria “o heterossexual perfeito” para Bruno, embarcando em suas ideias malucas, como uma permuta por um bebê de uma tribo africana e sua tentativa de virar heterossexual. E ele faz tudo isso por amor.

Durantes as audições, o produtor Dan Mazer se lembrou de um ator de um de seus filmes favoritos, uma comédia sueca do roteirista e diretor Lukas Moodysson, intitulada Tillsammans (Together). Ele se emocionara com o desempenho de Gustaf Hammarsten e solicitou à equipe que trouxesse o ator para um teste para o papel. Durante a sua leitura, todos viram que haviam encontrado seu Lutz.

Assim como o astro do filme, Hammarsten também se arriscou bastante durante as filmagens e foi um parceiro tranquilo para todo o grupo. O ator foi algemado a Baron Cohen em um quarto de hotel em Kansas, golpeado numa arena de luta do Arkansas, e demonstrou uma coragem e versatilidade impressionantes. E a exemplo de Baron Cohen, Hammarsten estudou alemão na escola e era capaz de conversar com Bruno em seu idioma natal.

Saltos arriscados e tornozelos fraturados:
dói ser famoso

Perseguindo sua meta de se tornar über famoso, Bruno se deparou com entrevistados um tanto curiosos. Nenhum deles, contudo, mais do que justamente aqueles que deveriam estar mais calejados diante da mídia: celebridades. De Paula Abdul a Brittny Gastineau e Ron Paul, Baron Cohen conseguiu que cantores, celebridades de reality shows e políticos dissessem e fizessem mais diante das câmeras do que você jamais imaginaria.

Uma das experiências sociais mais espantosas foi o uso dos “assentos feitos de mexicanos”. A equipe montou um esquete hilário em que Bruno percebe que não tem móveis para acomodar seus entrevistados. O que ele poderia usar como poltrona ou banco? Jardineiros latinos, obviamente. Naturalmente, ninguém esperava que os convidados se sentassem sobre os homens (todos eram dublês e atores) nem aplicassem todo seu peso sobre eles. Mas foi surpreendentemente fácil convencer os famosos. Todos se sentaram sem maiores problemas.
A jurada do American Idol, Paula Abdul, e a infame irmã de Michael Jackson, a cantora, La Toya Jackson, concordaram em ser entrevistadas por Herr Bruno e se sentaram sobre os empregados. Ambas toparam sem problemas se sentar sobre o dorso dos supostos jardineiros. Difícil de compreender? O diretor Charles ajuda a explicar; ele acredita ser da natureza humana o desejo de termos nosso ego alimentado, para isso, todos estamos dispostos a perdoar “pequenas” transgressões.

A partir de sua experiência em filmes como Borat e Religulous, Charles percebeu que, em poucas palavras, todo mundo quer ser entrevistado. As celebridades que estão na mídia com algum trabalho acreditam que isso é parte da divulgação dos seus projetos e nem elas próprias nem suas assessorias de imprensa se preocupam muito com os pequenos detalhes.

Já com as pessoas comum, a regra “todo mundo quer ser famoso” se aplica. Com vários entrevistados, se você os colocar diante de uma câmera com um microfone de lapela preso à roupa, eles dirão tudo o que lhes vier à cabeça pela chance de 15 minutos de atenção.

Enquanto Abdul, Jackson e Gastineau foram entrevistadas em Los Angeles, a produção se estabeleceu em Washington, D.C., para registrar as idéias de um determinado político. Na época em que concorria à presidência dos EUA, Ron Paul foi entrevistado para o filme

Foi uma pegadinha elaborada e arriscada realizada pela equipe de BRUNO. Eles tiveram de lidar com a segurança do senado norte-americano e com o Serviço Secreto dos EUA, sem falar no exército de assessores do gabinete de Paul. Assim que a entrevista é encerrada (e Paul abandona o set, exasperado), Baron Cohen foi imediatamente escoltado da suíte do hotel até uma viatura falsa de polícia e embarcado em um voo para Nova York.

O árduo trabalho de filmagem de BRUNO, finalmente, teve seu preço. O ator ficou de cama, vitima de uma gripe, e foi proibido de fazer qualquer viagem. A produção precisou ser suspensa por dois dias. Embora ainda não totalmente recuperado, ele conseguiu se aguentar de pé tempo o suficiente para rodar a cena dos “assentos mexicanos”, e depois viajou até Kansas para gravar todas as cenas nas quais ele e Gustaf Hammarsten, algemados, fogem pelo hotel e pelas ruas.

Na cena na suíte em que Baron Cohen e Hammersten estão algemados juntos à cama, havia rumores de que a polícia estava no saguão do hotel. Enquanto os agentes da lei local subiam pelo elevador, os dois homens fugiam pelas escadas da saída de emergência. Para seu desespero, eles descobriram que a escada de emergência só ia até o segundo andar. Eles estavam encurralados.

De terroristas a extremistas:
atraindo fundamentalistas

Embora o diretor Charles e os demais produtores já tivessem aprendido a esperar o inesperado da imaginação de Sacha Baron Cohen, para uma coisa, eles não estavam preparados: a determinação do ator em fazer Bruno contribuir para as negociações de paz no Oriente Médio.

A política de praxe da produção com relação às entrevistas é a de que Baron Cohen deixe seus convidados falarem à vontade e reagirem da forma mais honesta possível às cenas que ele criou com seus corroteiristas. Entretanto, diante da sugestão para que a equipe se relacionasse com terroristas, a reação entre os integrantes normalmente mais corajosos foi: “como vamos fazer isso sem sermos todos mortos?” Eles sabiam que não havia como ir à Jordânia, Israel ou à Cisjordânia para produzir as cenas.

Bom, isso era o que eles pensavam.

Antes de embarcarem no projeto, a equipe se reuniu com especialistas sobre o Oriente Médio para saber quais os limites que jamais poderiam ser ultrapassados; eles procuraram consultores-chave palestinos, jordanianos e israelenses para entenderem esses códigos de conduta não-expressos. Se eles seguiram capazes de respeitá-los, isso era outra história.

A região demonstrou ser a locação mais intimidante e com maior risco de vida para a equipe entre todas as selecionadas para o filme. Depois de arquitetar uma manobra para conseguir que o ex-primeiro ministro jordaniano concedesse uma entrevista de 90 minutos em sua casa, Baron Cohen precisou se encontrar com um membro da família real para acertar as coisas. E como se isso não bastasse — e também conseguir a participação de membros do Mossad e outros políticos fundamentalistas da região, Baron Cohen levou Bruno a uma área da Cisjordânia (na Zona C) que não se encontra sob o controle dos israelenses. Caso algo desse errado, eles não contaria com a ajuda do exército israelense. Os cineastas estariam por conta própria.
Surpreendentemente, o chefe da célula de Belém do grupo terrorista al-Aqsa Martyrs Brigade concordou em se encontrar com nosso correspondente. O líder da seita conhecida por seus homens-bomba se reuniu com Bruno, enquanto um assessor traduzia as declarações curiosas e altamente ofensivas do entrevistador. E enquanto conversavam, eles foram rodeados pelos guarda-costas do terrorista… que ficavam cada vez mais agitados com as farpas.

Quando Baron Cohen e Charles chegaram à locação secreta na Cisjordânia, foram informados de que o serviço secreto palestino sabia da presença deles lá e estava de olho em todos os seus movimentos. Sem tempo a perder, a equipe conseguiu rodar as cenas necessárias e retornou rapidamente a salvo ao território protegido.
Qual processo de paz estaria completo sem um feedback da contraparte? Um dos experimentos mais rápidos da produção foi mostrar o passeio de Bruno pela vizinhança de judeus hassídicos em Israel. Nessa comunidade conservadora, homens e mulheres são proibidos de exibir o corpo descoberto (incluindo as pernas e os braços). Em retaliação por suas ofensas, integrantes furiosos da multidão perseguiram Baron Cohen depois que Bruno percorreu as ruas com um shortinho minúsculo e um chapéu ao estilo de Little Debbie.

Eles queriam sangue. Começou a juntar uma multidão de judeus hassídicos irados e determinados a atacar Baron Cohen pelo que ele havia feito. O ator foi obrigado a se esconder no estabelecimento de um lojista compadecido até que uma van pudesse vir buscá-lo e assisti-lo na fuga. Ele só conseguiu sair encolhido no piso do veículo de fuga, evitando uma situação de risco crescente.

Pais cruéis do show business

Outra área de interesse para a equipe era o fascínio mundial pela vida das celebridades e as atitudes contraditórias dos famosos quando exibem suas famílias diante do público ávido. A equipe de criação percebeu que, se Bruno procurasse se passar por um pai altruísta e dedicado, ele poderia (segundo o próprio) alavancar seu status no meio das celebridades.

Naturalmente, ele deveria adotar uma criança. E o que poderia transformá-lo num pai mais afetuoso e famoso do que trazer um bebê africano de uma aldeia minúscula para sua vida exótica? Se a Madonna e a Angelina tinham um, Bruno também teria o seu.

Quase como um acessório fashion, Bruno levaria seu filho adotivo (interpretado por dois gêmeos) junto com ele para onde quer que ele fosse… de sessões de casting e casamentos improvisados na Califórnia a talk shows no Texas. Obviamente, os pais dos bebês e uma assistente social passaram a integrar a trupe de produção, dando apoio aos gêmeos a cada etapa.

Contudo, em nenhum outro lugar ele causou mais espanto do que no aeroporto internacional Dallas-Fort Worth. O diretor Charles filmou a cena e as reações dos passageiros enquanto Bruno e seu assistente fingiam retirar seu bebê recém-trazido de viagem da esteira de bagagens do aeroporto. O bon vivant retornava de um safári na África e o bebê era seu suvenir mais precioso e fantástico.

Mas Bruno não era o único que queria se tornar famoso.

Poucos perseguem a fama com tanta fome quanto alguns pais de candidatos a atores-mirins. Os cineastas queriam que Baron Cohen, como Bruno, examinasse esse universo para isso convocaram inúmeras sessões de casting com os responsáveis por “candidatos a atores-mirins”, em Sherman Oaks, Califórnia, em fevereiro de 2008. Os entrevistados foram informados de que seus filhos seriam candidatos a uma sessão de fotos com o bebê do apresentador. Todos os envolvidos na produção ficaram chocados ouvindo os absurdos níveis de perigo a que alguns pais submeteriam seus filhos para que eles se tornassem famosos.

Quando chegou a vez de Bruno atuar diante das câmeras, Baron Cohen fez perguntas ainda mais despropositais para ver até que ponto esses pais permitiriam que seus filhos se arriscassem. Encerradas as últimas audições, a equipe ficou tão perturbada com as reações bizarras dos pais às propostas cada vez mais chocantes de Bruno que decidiu avisar aos pais que não haveria trabalho algum. Integrantes da equipe ligaram para os ávidos “pais de mini-astros” informando que seus filhos não disputavam o papel nem fariam parte de nenhuma sessão de fotos.

“Don’t Ask, Don’t Tell”:
violando a segurança nacional

Depois que Bruno decide se tornar heterossexual para se tornar famoso, ele decide cruzar o país numa jornada para erradicar qualquer traço de sua homossexualidade. Um dos locais óbvios para realizar essa complicada empreitada? O QG da Guarda Nacional dos EUA, em Anniston, Alabama, a cerca de 100km de Birmingham. Infelizmente, esta base da Guarda Nacional não conseguiu guardar a própria base contra a infiltração de um inglês sagaz.

A produção conseguiu a locação por acaso ao perguntar a um contato na Guarda Nacional se eles abrigariam a produção de um programa de TV por um dia. Eles explicaram que o propósito da visita seria mostrar ao público como era viver e se submeter ao treinamento como aspirante-a-oficial. No centro de treinamento militar, Baron Cohen, em seu uniforme de campanha repaginado (leia-se: Dolce & Gabbana), deixou os demais soldados atônitos com seu comportamento.

Não foi um dia dos dias de glória da defesa nacional. Quando a van da produção entrou no centro de treinamento, ninguém checou as identificações da equipe. Surpreendentemente, o sigilo serviu perfeitamente à equipe, pois os jovens recrutas não tinham permissão para falar sem a autorização do seu comandante. Se eles tivessem dado sua permissão mais cedo, os oficiais mais graduados saberiam que o que vários dos homens de 20 a 22 anos sabiam: que o criador de Borat estava entre eles.

Quando a equipe ficou sabendo que alguns oficiais suspeitavam da presença de Baron Cohen no grupo, eles recolheram suas coisas e deram o fora de lá o mais rápido possível. Enquanto enfiavam o ator na van e saiam fugindo em disparava da base, os guardas gritavam para que parassem e começaram a fechar o portão, mas com dez segundos de atraso, pois Bruno (e a quantidade perfeita de cenas hilárias do treinamento do curso de formação de oficiais) já fugido do local. Se a equipe tivesse levado mais algum tempo na fuga, a Guarda Nacional teria confiscado as imagens, que jamais seriam vistas.

Quando finalmente foram questionados se “sabiam quem era aquele recruta”, cadetes responderam com segurança: “Sim, senhor! Sacha Baron Cohen, senhor!”

Trailer do Filme

 

Fonte: Sony Pictures