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SINOPSE Em março de 2003, com o livro 'O Caçador de Pipas' finalizado e a três meses de ser publicado, me vi seguindo os passos de Amir, sentado na poltrona de janela de um Boeing 727 da Ariana Airlines rumo a Cabul. Na última vez que havia visto a cidade, eu era um estudante franzino de onze anos. Agora, retornava aos trinta e oito anos, como médico, escritor, marido e pai de dois filhos. Lembro-me de olhar pela janela, aguardando que o avião rompesse as nuvens e que Cabul aparecesse sob mim. Quando isso aconteceu, algumas frases de 'O Caçador de Pipas' vieram à minha mente e os pensamentos de Amir tornaram-se os meus: a afinidade que eu subitamente senti pela velha terra me surpreendeu. Achei que tivesse esquecido dela. Mas não. Talvez o Afeganistão também não tivesse me esquecido. O velho provérbio na profissão de escritor é que você escreve sobre o que já viveu. Eu ia viver algo que já havia escrito.
Baseado em um dos romances mais aclamados dos últimos tempos, 'O Caçador de Pipas' é um conto profundamente emocionante sobre amizade, família, erros devastadores e um amor salvador. SOBRE A PRODUÇÃO Em 2003, o livro 'O Caçador de Pipas' surgiu do nada como um romance de estréia e rapidamente chegou às listas dos livros mais vendidos mundo afora, onde permanece quatro anos depois. Para seu autor, o médico afegão Khaled Hosseini, a popularidade do livro e o filme baseado nele têm sido extremamente gratificantes: Estou continuamente impressionado com a forma como as pessoas reagiram ao meu romance. Acho que isso ocorreu devido ao intenso núcleo emocional da história, com que as pessoas se identificam. Os temas culpa, amizade, perdão, perda, o desejo por reparação e de ser melhor que aquilo que se pensa ser não são apenas afegãos, mas experiências bastante humanas, independente de etnia, cultura ou religião. Foram esses assuntos, muito antes que o livro virasse best-seller internacional inclusive quando era apenas um manuscrito ainda não publicado que atraíram a atenção dos produtores William Horberg ('Morte no Funeral') e Rebecca Yeldham ('Diários de Motocicleta'), na época colegas na DreamWorks SKG. Foi um dos mais fortes e cinematográficos trabalhos de literatura que eu já li. Era mágico, diz Yeldham. Os dois levaram 'O Caçador de Pipas' a Walter Parkes e Laurie MacDonald, que na época iniciavam a transição de chefes de produção da DreamWorks, onde trabalharam em filmes como 'Colateral' e 'Beleza Americana' para produtores independentes. Eles uniram forças para assegurar os direitos do romance. Com o filme em desenvolvimento, Horberg e Yeldham deixaram a DreamWorks em 2005.
Em meio a tudo isso, o romance explodiu nas prateleiras das livrarias com força inesperada, tornando-se um fenômeno cultural e conquistando leitores e críticos. Foi quando os produtores começaram a buscar um roteirista que pudesse pegar o mundo que Khaled Hosseini havia criado tão ricamente em folhas de papel e transformá-lo em um épico, mas mantendo o tom intimista do livro. Para isso, Horberg e Yeldham convidaram para o projeto o roteirista David Benioff ('Tróia'), cujo principal desafio foi condensar os arrebatadores eventos com duração de três décadas em um filme de duas horas. Saltos de tempo são difíceis de se acompanhar num filme, explica Benioff, e, como o romance abrange quase 30 anos, descobrir uma estrutura eficiente de roteiro não foi fácil. A história traz Amir em diversas idades, mas eu decidi logo no início que queria apenas dois atores interpretando o papel. Mais do que isso podia fazer as pessoas perderem a ligação com esse belo personagem. Por isso, o roteiro enxuga a narrativa do livro ele incorpora quase tudo que a história conta, mas simplifica a cronologia. Mas o livro de Khaled é tão forte que eu acredito que mantenha essa força mesmo com as restrições de espaço e tempo da adaptação para roteiro. Em seguida, os produtores encararam a tarefa de encontrar um diretor, e o escolhido foi Marc Forster ('A Passagem'). Segundo Horberg, Não importa em que mundo se aventure, Forster sempre acha personagens que o público entende e com que se identifica profundamente. As filmagens levaram Forster da Europa a Cabul, Paquistão e China em uma jornada surpreendente e, por vezes, angustiante, que seria sentida em cada frame do filme.
Enquanto David Benioff ainda escrevia o roteiro, foi tomada a decisão de filmar 'O Caçador de Pipas' em dari, uma das duas principais línguas faladas no Afeganistão. Benioff e Forster conversaram bastante sobre quais falas seriam em dari e quais em inglês. Para manter a linguagem fiel ao material, os produtores contrataram uma equipe de pessoas fluentes em dari que ensinou aos atores as pronúncias corretas. E, além dos professores de dari e de outros dialetos, também foram trazidos a bordo conselheiros culturais e pesquisadores para assegurar a verossimilhança do conteúdo do filme. A busca pela autenticidade também estava na mente de Marc Forster ao pensar na escolha do elenco. Para achar a mistura de qualidades que os papéis dos jovens Amir e Hassan exigiam, Forster chamou a recrutadora Kate Dowd ('A Identidade Bourne'). A busca de Dowd teve início nas comunidades afegãs da Europa, EUA e Canadá. Mas, apesar da origem afegã, muitas crianças testadas que falavam um pouco de dari refletiam na pronúncia os sotaques regionais de onde moravam. Foi aí que percebemos que precisávamos ir a Cabul para encontrar os meninos e grande parte do elenco. Não íamos encontrá-los em nenhum outro lugar!, diz Dowd. Por um mês inteiro, Dowd esteve em escolas, orfanatos e até mesmo nos parques da destruída Cabul, formando uma lista de candidatos promissores. Forster, que já estava a caminho de Cabul, tomaria a decisão final e, em vez de fazer testes formais de atuação, a primeira coisa que ele pediu às crianças afegãs escolhidas por Dowd foi que soltassem pipas, a fim de vê-las em um momento de descontração e brincadeira. Foi aí que o diretor fez suas escolhas: Zekiria Ebrahami, aluno do ensino fundamental que Dowd encontrou em uma escola francesa, seria Amir e Ahmad Khan Mahmoodzada e Ali Danesh Bakhtyari, ambos encontrados através da ARO (Afghan Relief Organization), interpretariam Hassan e seu filho, Sohrab. Quando conheci Zekiria, ele era tímido e não falou muito, diz Forster. Mas havia algo em seu porte, um pouco de pesar, que me intrigava. O pai dele foi morto antes que nascesse, e a mãe o abandonou. Foi por conta dessa tristeza inerente que o achei ideal para interpretar o jovem Amir.
O diretor ficou igualmente impressionado pela personalidade de Ali Danesh e pela de Ahmad Khan Mahmoodzada, que tão comoventemente dá vida ao espírito de superação de Hassan. Forster descreve o que observou: Ahmad tinha energia e vitalidade e passava uma sensação de nada a temer, de estar disposto a viver intensamente, algo muito importante ao retratar Hassan. E Ali Danesh me deixava comovido só de olhar para ele. Ele é muito cordial mas, ainda assim, você sente um certo distanciamento, um muro emocional, que é compartilhado pelo personagem Sohrab.
Enquanto isso, ainda em meio ao rico recurso humano de Cabul, Forster terminou de selecionar os personagens afegãos do filme. Nabi Tanha, que já trabalhou em peças de teatro e em filmes locais, ficou com o papel de Ali, empregado de Baba e pai de Hassan. Os atores afegãos Abdul Qadir Farookh e Maimoona Ghizal também uniram-se ao elenco como general Taheri e Jamila, os sogros de Amir. Abdul Salam Yusoufzai, engenheiro elétrico e moveleiro que se aventurava na indústria de filmes afegã, foi escolhido para interpretar o adulto Assef. Além disso, muitos afegãos, a maioria sem experiência como atores, foram chamados para papéis coadjuvantes no filme. Segundo Kate Dowd, No final, em torno de 75% dos atores eram de Cabul, e ficamos contentes com isso.
Os produtores também buscaram internacionalmente atores que pudessem interpretar a vida intercontinental dos personagens da segunda fase da história. O papel mais importante era o de Amir adulto, e o escolhido foi Khalid Abdalla ('Vôo United 93''), ator de 25 anos que conquistou o diretor já no primeiro teste. O que se passa em seus olhos é extraordinário, ele consegue dizer muita coisa sem se mexer. Abdalla tinha tudo que eu imaginava para Amir. Podemos ver nele um espírito de escritor, revela Forster. Antes de iniciar a produção de 'O Caçador de Pipas', Abdalla nunca havia dito uma palavra em dari, mas ele precisaria falar dari fluentemente no filme e por isso ficou um mês morando em Cabul. Durante esse tempo, ele passeou pela cidade todos os dias, absorvendo sua cultura, e teve aulas de como empinar pipas. Deixei o livro ser o meu guia turístico, lembra Abdalla. Busquei nele cada detalhe de lugar, cultura ou comida em Cabul e depois fui ver pessoalmente qual era a aparência, gosto ou sensação de cada uma dessas coisas. Khaled Hosseini se surpreendeu ao ver todo o elenco reunido no set: Quando escrevi o livro, tinha uma imagem muito clara de como eram os personagens, como andavam, como olhavam para você, ele diz. Mas, assim que entrei no set, foi como se nada disso tivesse existido. De repente, minha própria imagem mental foi substituída pelos rostos, maneirismos e ritmo desses atores. Desde as etapas iniciais de 'O Caçador de Pipas', a questão de onde gravar o filme assombrava a produção. A história ia pedir a recriação de mundos discrepantes que já não existem mais, incluindo a vibrante Cabul dos anos 70 e a Cabul de 2000 devastada pelo Talibã. O produtor Walsh passou um ano pesquisando algo em torno de 20 países em potencial, e a resposta acabou sendo a China ocidental. Foi na vasta e escassamente populada Província de Xinjiang que ele encontrou os elementos necessários para reproduzir a visão que Marc Forster tinha de 'O Caçador de Pipas'. Walsh mandou para a equipe de produção fotografias do lugar, revelando uma erma e majestosa paisagem entre as cidades antigas de Kashgar e Tashkurgan, que fazem fronteira com o Afeganistão. O resultado final de 'O Caçador de Pipas' permite que o público viaje de um mundo familiar para um mundo desconhecido. Espero que, vendo o filme, o Afeganistão pareça às pessoas um local de esperanças, ilusões, sonhos e desejos, como todos os outros lugares do mundo, diz Khaled Hosseini.
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Fonte: Paramount |