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Às vésperas de ir morar no Japão, Rob, um jovem de Nova York, vê sua festa de despedida como uma oportunidade de revelar sentimentos mal-resolvidos. Mas seus planos sofrem uma reviravolta quando um solavanco abala os convidados. O grupo faz silêncio para ouvir as notícias na televisão sobre um terremoto, e então corre para o terraço para avaliar o estrago na cidade. O que eles vêem é uma bola de fogo explodindo no horizonte distante, seguida por uma queda de luz. E a confusão acaba se transformando em pânico quando os convidados chegam até a rua. Em meio a gritos e a um rugido não-humano, Rob e seus amigos precisam atravessar uma paisagem modificada, abalada por algo de outro mundo terrível e monstruoso.
Notas de Produção A semente de 'Cloverfield - Monstro' foi plantada em junho de 2006 quando o produtor, roteirista e diretor duas vezes vencedor do Emmy por 'Lost' J.J. Abrams ('Missão Impossível III') fazia uma turnê publicitária no Japão para 'Missão Impossível III'. Ele estava em uma loja local de brinquedos com o filho, Henry, e percebeu uma série de bonecos ligados a Godzilla. Me veio à mente que esse é um monstro que perdura culturalmente, algo que não temos nos Estados Unidos, ele diz. Pouco depois, Abrams concebeu a idéia de fazer um filme envolvendo um novo monstro, apesar de perceber que necessitaria de uma abordagem bastante diferente do 'Godzilla' original e de suas inúmeras continuações e remakes. Comecei a pensar: E se víssemos um monstro do tamanho de um arranha-céu, mas através dos olhos de alguém do tamanho, relativamente, de um grão de areia? Enxergando-o não através dos olhos de Deus ou de um diretor nem sob um ponto de vista onipotente. Em seguida, Abrams entrou em contato com seu colaborador freqüente Drew Goddard ('Lost', 'Alias'). J.J. me ligou e disse: Drew, preciso falar com você é sobre algo grandioso, lembra o roteirista. Naquele ponto, tudo que tínhamos era a estrutura básica de um longa-metragem sobre um monstro gigante, mas filmado com uma câmera portátil. Eu rapidamente respondi: Estou dentro.
Abrams explica por que escolheu Goddard: Drew foi a primeira pessoa em que pensei pois ele sabe combinar bem espetáculo, gênero e monstros com comédia e humanidade, diz. Abrams e Goddard encontraram-se uma semana depois e produziram o primeiro ato do filme em cinco páginas, que Goddard ampliou para um esboço de 58 páginas durante as férias de fim de ano. A idéia de, como diz Abrams, um filme de Cameron Crowe misturado a 'Godzilla' e 'A Bruxa de Blair' foi enviado à Paramount, que imediatamente ficou interessada pelo conceito e deu sinal verde ao projeto. Enquanto Goddard desenvolvia o roteiro, os produtores começaram a pensar na escolha do diretor, eventualmente decidindo por Matt Reeves ('Felicity', 'Caminho sem Volta'). Esse filme é completamente diferente de tudo que eu já vi Matt fazer, diz Abrams. Mas o escolhi porque sei que ele sempre foi preocupado principalmente com personagens, e que ele faria um exame minucioso da alma de cada pessoa da história, o que muitos outros diretores comerciais ou de vídeo talvez não fizessem. E, sinceramente, o foco do filme não é tanto um monstro gigante espalhando destruição pela cidade de Nova York, mas um grupo de pessoas enfrentando uma crise extrema, conclui. Sobre o trabalho, Reeves explica: O desafio foi descobrir uma forma de pegar algo extraordinário e quase absurdo um ataque de monstro e lidar com isso de forma com que a sensação fosse completamente real. A solução para a busca de autenticidade estava no conceito original de Abrams de filmar sob o ponto-de-vista (e da câmera) de um personagem, através do qual Reeves e o roteirista Goddard teceriam as complicadas relações entre os personagens e suas reações ao ataque do monstro. A primeira parte do filme traz uma seqüência de festa de 20 minutos, durante a qual essas relações são firmemente estabelecidas. A idéia era começar um filme que aparentasse ser apenas sobre personagens, para que o público não soubesse que se trataria de outra coisa fora isso, explica Reeves.
Sobre o que vem em seguida, com os amigos fugindo do monstro, o diretor observa: Um dos pontos importantes em um filme com tanta dinâmica foi ter lugares onde fosse possível que o público reconectasse com os personagens. Depois de passar por experiências extremas, damos a eles a chance de reagir ao que passaram, antes de avançar para outra fase. Ter esses interlúdios dramáticos foi extremamente importante. Sem eles, você estaria apenas assistindo a um jogo de videogame. O resultado é uma montanha-russa cheia de adrenalina, com a ligação do público com os personagens mantida através da ótica de uma única câmera. Nessa era de YouTube, assistir a esse tipo de vídeo tem uma qualidade de voyeurismo, mesmo que você esteja apenas vendo pessoas fazer coisas mundanas, diz Goddard. E sabíamos que, para que o filme desse certo, tinha que passar uma sensação de realidade como se você estivesse vendo a festa de alguém, bisbilhotando para que, quando o caos começasse, você automaticamente transferisse esse sentimento de realismo ao monstro. O desafio para os diretores por razões de narrativa cinematográfica era como criar esse tipo de filmagem. Nós nos perguntamos como deve ser quando as pessoas filmam um evento espontâneo e ao mesmo tempo terrível, conta Abrams. Foi uma readaptação incrível, acrescenta Reeves, porque, ao tentar criar a ilusão de apenas uma câmera, trabalhamos sem as usuais ferramentas cinematográficas. Então, não há tomadas panorâmicas, nem contraplanos para mostrar a outra pessoa olhando e ouvindo. Tudo o que se vê vem da câmera de um personagem.
Outro desafio foi orquestrar cenas inteiras como se fossem gravadas a partir de uma câmera algumas com tomadas extremamente longas, o que pedia grande habilidade e planejamento. Em um trabalho mais típico, uma cena seria montada com cortes feitos sob diversos ângulos, em várias tomadas. Assim, em 'Cloverfield - Monstro', o frenético movimento da câmera teve que ser cuidadosamente planejado. Boa parte das cenas do filme foi pensada com antecedência usando animação com previsualização no estúdio de Los Angeles Third Floor", diz o supervisor de efeitos especiais Michael Ellis ('Sinais'). Isso ajudou os atores e o operador de câmera a saber para que direção deviam olhar e exatamente do que estavam tentando fugir. Cenas em que o monstro é avistado precisaram de delicada estratégia. Na maior parte do filme, ele é visto apenas do chão, já que é aí que Hud está. No entanto, como explica o roteirista Goddard, eventualmente, percebemos que você deve ao público uma tomada geral da criatura. A cena aérea do monstro que o público veria em um filme tradicional está ausente em 'Cloverfield - Monstro', salvo por uma ou duas seqüências, tal como a cena de helicóptero que Reeves incluiu no filme. Quando os jovens estão em uma loja de eletrônicos e as pessoas assistem às notícias nos aparelhos de televisão, você vê uma cena de helicóptero do monstro destruindo parte da Ponte do Brooklyn, explica o diretor. Uma visão mais intimista do monstro surge quando Hud é atacado por ele, revelando o interior da boca da criatura antes de a câmera ser cuspida.
Para manter a idéia de realismo do filme, os produtores escolheram um elenco de atores não muito conhecidos. O ator Michael Stahl-David foi chamado para o papel principal, Rob, e imediatamente entendeu-se com o diretor Reeves: Fiquei muito animado em trabalhar com Matt. Ele se interessa pelos personagens e por nuances. O papel de Hud, personagem ouvido mas pouco visto, ficou com T.J. Miller ('Carpoolers'). Era importante para os produtores trazer para narrador do filme alguém com humor e compaixão. Quando você vê o filme, se identifica com T.J. porque o personagem de Hud tem humanidade, emoção e senso de humor, diz a produtora executiva Sherryl Clark ('Refém do Silêncio'). Jessica Lucas ('O Pacto') descreve sua personagem, Lily, como mandona. Ela é como uma irmã mais velha, sempre no controle de tudo, conta Lucas. A atriz Odette Yustman ('Transformers') retrata Beth, o amor de Rob. Ficamos admirados com ela, diz Clark. Quando a vimos, sabíamos que ela seria Beth. Ela é um amor, além de ser muito talentosa e inteligente. Os dois rostos mais conhecidos em 'Cloverfield - Monstro' pertencem a Lizzy Caplan ('Meninas Malvadas') e Mike Vogel ('Poseidon'). Sobre sua personagem, Marlena, Caplan diz: Os efeitos visuais de 'Cloverfield - Monstro' foram produzidos sob a direção de Kevin Blank ('Lost', 'Alias'), Eric Leven ('Armageddon'), do Tippett Studio, e pela Double Negative. Tippett criou todas as cenas que incluem os monstros, enquanto a Double Negative foi responsável pelas cenas em que a criatura não está presente. O conceito para o monstro é simples, diz Abrams. Ele é um bebê. É novinho. Está confuso, desorientado e irritado. E ficou submerso nas águas por milhares de anos. E de onde ele vem? Nós não falamos de propósito, observa Goddard. Nosso filme não tem o cientista que aparece para dar esse tipo de explicação. Não temos essa cena.
Para fazer o design do monstro, Abrams chamou Neville Page, que tinha acabado de criar personagens para 'Avatar', de James Cameron, e que atualmente trabalha no próximo filme de Abrams, 'Star Trek'. O produtor Bryan Burk ('Lost', 'Alias') diz, em relação a Neville: Ele não pensa apenas no design da criatura, mas também em como ela anda e respira, como seria sua pele tudo. Quando os desenhos de Page estavam finalizados, coube ao Tippett Studio implementar e refinar o monstro para as poucas mas cruciais cenas em que aparece. E, como seria difícil cenas de luta entre um grande monstro e os personagens, nasceu a idéia de incluir parasitas na história. Elas são criaturas terríveis do tamanho de cachorros que se espalham pela cidade e aumentam o pesadelo daquela noite, revela Abrams. Um dos primeiros sinais de destruição trazidos pela devastadora fúria do monstro surge no início do filme, quando o núcleo principal de amigos deixa a festa de Rob, se deparando na rua com a cabeça da Estátua da Liberdade. A cena, homenagem de Abrams ao filme de John Carpenter 'Fuga de Nova York', de 1981, que trazia uma imagem similar em seu pôster original, apareceu em um trailer de dois minutos filmado no final de maio de 2007 e exibido com o filme 'Transformers'. O trailer continha diversas tomadas, incluindo cenas da festa, da cabeça da estátua e de outras representações de destruição, todas filmadas antes do início da produção do projeto.
O interesse no filme foi extraordinário. Eu não esperava tamanha efusão de curiosidade em relação ao projeto, diz a produtora Clark, ou gente entrando no set para tirar fotos e fazer vídeos. As pessoas estão muito interessadas em J.J. e no que ele tem a dizer. Inclusive, foi o interesse pelo filme que fez com que o título provisório usado em e-mails e correspondências privados Cloverfield, nome de uma rua próxima ao escritório de Abrams, virasse algo permanente. Começamos a trabalhar no filme e aquilo virou um apelido. Mas pensamos: Isso de forma alguma será o título final, lembra Abrams. Tínhamos até outro título, Greyshot, nome da ponte sob a qual Rob e Beth se escondem no Central Park, que estávamos prontos para anunciar na Comic-Con. Mas, aí, o nome Cloverfield já havia vazado, e os fãs já conheciam o filme pelo nome, então resolvemos continuar com ele. Mas trazer à tona sensações desconfortáveis não é algo inteiramente sem propósito em um filme de monstro, observa Abrams. É um padrão do gênero. Godzilla surgiu em 1954 à sombra do bombardeio no Japão. Culturalmente, as pessoas reviveram o terror mas disfarçado de algo absurdo. Eu diria que fez com que as pessoas no Japão passassem por uma catarse. Para mim, esse é um dos aspectos mais impactantes desse filme, diz o produtor. Ele pega imagens familiares e assustadoras e as insere em um contexto que é absurdo e risível, para que o público viva uma catarse, de forma que não sinta que está encarando uma terapia. As pessoas têm vontade de passar por isso, e processar o terror vivido de forma que não dê a sensação de que se está em uma aula de Estudos Sociais. E, no fim das contas, quer tenham consciência disso ou não, o filme permite que sintam um alívio. E, para a garotada mais nova, é simplesmente um ótimo filme de monstro.
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Fonte: Paramount |