UMA NOVA ORDEM

O quinto ano letivo na Escola de Hogwarts apresenta um momento decisivo, não apenas para Harry Potter como também para seus amigos e colegas de classe. Como não são mais crianças, eles de repente se deparam com as escolhas e os desafios da juventude... e as conseqüências que chegam com eles. Harry, ao lidar com o retorno do Lorde Voldemort e a morte de seu amigo Cedrico Diggory, foi forçado a crescer talvez mais rapidamente que os outros e é obrigado a assumir responsabilidades que nunca poderia ter esperado.

Fazendo seu ingresso no mundo de Harry Potter, o diretor David Yates observa: "Foi emocionante para mim que a história ocorra num momento da vida dos alunos em que eles estão amadurecendo e tudo se torna mais complicado. É uma questão de rebeldia, de compreensão dos limites da vida adulta; é sobre a descoberta de como o mundo pode se tornar difícil e como algumas vezes você tem de fazer seu próprio caminho neste mundo. É uma mistura de toda a magia e diversão que J.K. Rowling coloca em seus livros, com todas as coisas maravilhosas e surpreendentes que foram iniciadas nos filmes anteriores, junto a problemas e idéias um pouco mais complexos e que tocam em questões bastante adultas".

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David Heyman, o produtor de todos os filmes de Harry Potter, observa que a natureza da história foi o que o levou a escolher Yates - um premiado diretor de televisão britânico - para dirigir o quinto episódio da série. "David é um fantástico diretor de atores e também já demonstrou que pode tratar assuntos políticos de forma divertida. Não se trata de um filme político em si, mas a política do mundo mágico está muito em atuação aqui. Pensamos que David trataria isso de modo brilhante, e ele fez isso. Ele chegou com uma grande paixão pelo material e uma grande percepção da jornada emocional dos personagens. Ele compreendeu que, em todo espetáculo, aquilo com que nós e o público nos relacionamos são os personagens", elogia Heyman.

"Foi muito gratificante o modo como os garotos o acolheram e vice-versa. Tal como seus personagens, eles estão crescendo e David os trata como iguais. Ele percebeu que conheciam bem seus personagens e então estava sempre solicitando suas idéias, fazendo com que eles contribuíssem mais com suas funções de formas que nunca fizeram antes. Isso foi emocionante para eles e para nós", acrescenta Heyman.

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Retornando ao papel de Harry Potter, Daniel Radcliffe afirma: "Adoro trabalhar com David. Ele é um homem agradável, de fala muito suave, e nunca foi tão exigido quanto neste filme, em parte por causa da natureza da história e em parte por causa de sua direção. Ele nunca se satisfez com menos, sempre queria que eu fosse mais profundo, o que era exatamente o que eu achava necessário. Ele é um diretor brilhante".

"David é bacana, nos demos muito bem com ele. Ele foi um pouco diferente de outros diretores porque tem uma abordagem mais descontraída, mas sempre deu ótimas sugestões", concorda Rupert Grint, o ator por trás do papel de melhor amigo de Harry, Rony Weasley.

Emma Watson, que interpreta a amiga leal de Harry, Hermione Granger, completa: "Foi muito agradável porque David ouviu o que tínhamos a dizer sobre nossos personagens. Ele respeitou muito o fato de que estávamos interpretando essas pessoas há cinco filmes. Ele gostou da história e do relacionamento especial que Dan, Rupert e eu compartilhamos porque isso adiciona verdade à amizade entre Harry, Rony e Hermione. David realmente busca a verdade em todos os personagens".

Yates trabalhou a partir de um roteiro de outro novato no grupo, o roteirista Michael Goldenberg, que comenta: "Fiquei emocionado quando David Heyman ligou e me convidou para participar do projeto. A melhor coisa ao se trabalhar em um filme de Harry Potter é que é algo maior do que você mesmo, por isso não existe a questão de o ego ficar no caminho". Ele prossegue: "Sei que é um clichê, mas é uma coisa mágica fazer parte do que se tornou esse fenômeno impressionante e ajudar a levá-lo para o cinema. Senti que tinha uma grande responsabilidade, no melhor sentido da palavra. David Heyman tornou o filme divertido, que é o que um filme de Harry Potter deve ser, e Jo (J.K. Rowling) foi incrivelmente doce e não poderia ter sido mais generosa em nos dar liberdade para que fizéssemos o melhor filme possível. David Yates estava atento para manter cada momento da história baseado na realidade, e acho que é isso que torna a magia ainda mais forte".

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"Obviamente, era muito importante permanecer fiel ao espírito do livro. Esta história, em particular, está muito relacionada à jornada de Harry. Trata do amadurecimento de Harry e a percepção de que as coisas não são 'preto-e-branco' como elas pareciam a princípio, e os adultos que ele idealizava são talvez mais falhos e humanos do que ele pensava. Queríamos examinar esses temas não somente com o Harry, mas também com Rony e Hermione. Todas as crianças estão lidando com um mundo mais complexo do que encontraram pela primeira vez em Hogwarts", Goldenberg observa.

Em Harry Potter e a Ordem da Fênix, a jornada de Harry começa enquanto ele agüenta outro verão interminável com os Dursleys. Tornando o período ainda mais insuportável, ele está se sentindo separado de seus maiores amigos, Rony e Hermione, que, inexplicavelmente, não escreveram para ele o verão inteiro. Isso não só é indelicado, como também estranho, principalmente depois dos eventos agitados e trágicos do ano anterior.

"Pobre Harry. Depois de tudo que passou, ele ficou isolado em Little Whinging sem notícia alguma de ninguém. Ele acha que todos o estão ignorando - Rony, Hermione, até mesmo Dumbledore - e acho que, com os estresses normais de ser um adolescente, é um pouco demais para se suportar. É um lado de Harry que ainda não vimos. Ele não começa tão equilibrado quando já foi no passado; não sem justificativa, no entanto" comenta o produtor David Barron.

Tendo isso em mente, o insuportável valentão Duda Dursley escolheu a hora errada para se envolver com seu passatempo favorito: tentar provocar Harry, porém seu confronto é subitamente interrompido quando um par de dementadores atacam sem aviso, e Harry é forçado a produzir o Feitiço do Patrono para salvar a vida de ambos. Somente momentos mais tarde, uma carta chega à Rua dos Alfeneiros informando a Harry que ele foi expulso de Hogwarts por uso ilegal de magia, uma resolução que delicia os Dursleys enquanto leva Harry à beira do desespero.
Mas a esperança não está perdida. Naquela noite, um grupo de Aurores (caçadores de bruxos das trevas) - entre eles, Alastor 'Olho-Tonto' Moody, Quim Shacklebolt e Não-me-chame-de-Ninfadora Tonks - chegam a sua porta e levam-no embora, contando a Harry que Dumbledore planejou que ele apelasse de sua expulsão em uma audiência formal no Ministério de Magia.

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Primeiro, no entanto, eles devem fazer um desvio até um lugar secreto, onde Harry descobrirá que muito tem acontecido enquanto ele estava isolado em Little Whinging. Chegando ao Largo Grimmauld, número doze - onde, se você não sabe que está lá, não está lá -, Harry se reencontra com Rony e Hermione. E é ali que ele é apresentado pela primeira vez à Ordem da Fênix, "uma organização clandestina originalmente formada por Dumbledore para combater as forças do mal representadas por Voldemort", explica David Heyman. "Eles se encontram em segredo, em grande parte porque Fudge, que está no comando do Ministério da Magia, sente-se ameaçado por Dumbledore e está tentando abafar histórias sobre o retorno de Voldemort. Mas os que pertencem à Ordem sabem que Voldemort está reunindo seguidores e seu poder está crescendo", continua ele.

Harry descobre que seus pais haviam feito parte da Ordem da Fênix original, e entre seus membros atuais estão Molly e Arthur Weasley, Remo Lupin, Severo Snape e, para sua grande surpresa e prazer, Sirius Black, que abriu a casa da família Black como local de reunião para a Ordem da Fênix. "Sirius não pode sair porque ainda é um homem procurado. Ele pode fazer muito pouco para ajudar, por isso a casa é seu presente para a Ordem", diz David Yates.
Gary Oldman, que foi apresentado como Sirius Black em Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, relata: "Sirius é um homem muito atormentado por ter sido acusado injustamente e aprisionado em Azkaban por tantos anos. Ele tem raízes emocionais nos velhos tempos, quando eles formavam a jovem Ordem. Sob alguns aspectos, seu relacionamento com Harry é como reviver o passado. Harry é muito parecido com seu pai, Tiago, que foi o melhor amigo de Sirius, e Sirius é o padrinho de Harry, algo que ele leva a sério. Eles compartilham um relacionamento especial, que progressivamente se torna mais forte".

"O mesmo acontece com Harry. Sirius vê uma versão mais jovem de Tiago em Harry, e Harry consegue conhecer mais de seu pai por meio de seu relacionamento com Sirius", acrescenta Daniel Radcliffe.

Harry também vê a Ordem da Fênix como uma maneira de se conectar com seu passado... e ainda mais. "Oficialmente, ele não está na Ordem, mas sempre pensa sobre si como parte dela, pois muitos de seus amigos a integram. Significa muito para ele porque, é claro, seus pais estavam na Ordem original. Portanto, isso tem uma grande importância emocional para Harry, além de lhe dar a oportunidade de combater Voldemort", conta Radcliffe.

PROCEDIMENTOS MINISTERIAIS

Antes que Harry possa pensar em lutar contra Voldemort, entretanto, há o problema de ser novamente aceito em Hogwarts. Harry deve defender suas ações numa audiência no Ministério da Magia. A decoração do grande átrio do Ministério é dominada pelo que o desenhista de produção Stuart Craig descreve como "um pôster de propaganda de Fudge no estilo soviético".

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O desenhista acrescenta que, apesar do fato de que as pessoas estão literalmente voando pelos corredores e os memorandos são enviados pela própria força de correio aéreo dos bruxos, "o Ministério é uma burocracia. Na Inglaterra, os prédios do governo tendem a ter um desenho vitoriano do século XIX, que é muito decorativo. O Ministério é também subterrâneo, por isso uma das primeiras coisas que fizemos foi visitar as mais antigas estações de Metrô de Londres, muitas das quais foram feitas com um uso extravagante de telha cerâmica decorativa. Colocamos isso na mistura e inventamos esse mundo subterrâneo que tem feitio de túnel - porque é isso que se faz no subterrâneo -, e envolvido por telha cerâmica preta polida, que é muito interessante no aspecto fotográfico. Foi também desafiador para (o diretor de fotografia) Slawomir Idziak, porque é altamente reflexivo".

O átrio do Ministério representa o maior cenário já construído para os filmes de Harry Potter, com mais de 60 metros de comprimento, 36 metros de largura e 9 metros de altura. Foram necessárias mais de 30 mil telhas para revesti-lo, todas elas tendo que ser colocadas individualmente. Na tela, o átrio parecerá ser ainda maior por meio do uso de efeitos visuais.

Acompanhado pelo Sr. Weasley, Harry entra no Ministério pela entrada de visitantes, que, para todos os efeitos, parece uma cabine telefônica comum no centro de Londres. "Pensamos que seria divertido colocar o Ministério da Magia bem embaixo dos ministérios dos trouxas, por isso posicionamos a cabine telefônica na calçada, muito próxima ao Ministério da Defesa. Assim, sem que os trouxas saibam, abaixo do Ministério de Defesa Britânico está o Ministério da Magia", diz Craig, com um sorriso.

"Um dos elementos mais divertidos de Harry Potter é como o mundo da bruxaria existe bem ao lado de nosso mundo de trouxas. Está algumas vezes na porta ao lado ou logo abaixo de seus pés, se nós nos déssemos ao trabalho de olhar. Na verdade, os dois mundos muitas vezes se tocam sem que nós percebamos", destaca Yates.
Na audiência de Harry, as coisas não correm como Fudge planejou, graças a Dumbledore e a uma testemunha ocular improvável. Harry é inocentado de todas as acusações, mas quando tenta falar com Dumbledore depois da audiência, seu querido mentor vai embora apressadamente, recusando-se até a fazer contato visual com o jovem bruxo.

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Novamente no papel de Alvo Dumbledore, Michael Gambon diz: "A visão de Harry de Dumbledore é que ele é o suporte de Harry, mas ele percebe que esse suporte está ruindo um pouco neste filme. O poder de Dumbledore está gravemente ameaçado, e isso o torna mais humano, não é mesmo? Isso também me deu um novo nível desse personagem para explorar, o que foi uma experiência interessante".

Ainda perturbado pela rejeição de Dumbledore, Harry volta para Hogwarts. Mas o teste que o aguarda, e também a seus colegas de turma, será diferente de tudo que ele já enfrentou.

ROSA É O NOVO PRETO

Retornando a Hogwarts, Harry é recebido com olhares de suspeita e a manchete no jornal Profeta Diário distorce o sobrenome de Harry de Potter para "Plotter" ("Plot", em inglês, significa: intriga, conspiração.), acusando-o de mentir completamente sobre o retorno de Lorde Voldemort. Sentindo-se sozinho e isolado, Harry chega a resistir às ofertas de ajuda e apoio de Rony e Hermione, acreditando que ninguém pode compreender o que ele está passando, incluindo seus amigos mais íntimos.

"Ele talvez esteja se fazendo um pouco de mártir, mas acho a parte do que é tão empolgante em Harry: ele não é perfeito. É um personagem com falhas e é isso que o torna incrivelmente humano. Ele é uma pessoa muito boa, mas também alguém que está mergulhado em insegurança boa parte do tempo, e acho que a maior parte das pessoas pode se identificar com isso", analisa Daniel Radcliffe.

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"É uma época interessante na vida de Harry porque ele se sente difamado pelo Profeta Diário, que é o jornal do Ministério da Magia, e as pessoas estão começando a acreditar no que leram. Assim, quando ele volta a Hogwarts, ela não parece tão familiar e segura como foi no passado. Ele se sente um intruso e precisa fazer uma escolha: se vai ser definido por isso, ou se vai se apegar às amizades que fizeram com que ele passasse por tantas coisas durante seus anos escolares. Há momentos em que você vê que ele poderia seguir qualquer dos caminhos, e esse é o centro emocional da história, para Harry em particular", diz Yates.

O diretor completa: "Foi também uma jornada muito interessante para Dan como ator porque é uma parte complexa do trabalho de interpretação. O ótimo em Dan é que ele é destemido e determinado. Houve momentos em que fazíamos tomada atrás de tomada, e eu podia ver a determinação em seus olhos para fazer melhor a cada vez. Adoro isso nele, ele simplesmente quer que seu desempenho seja absolutamente o melhor que pode fazer".
O início do novo ano em Hogwarts traz consigo uma nova aquisição para o colégio: Dolores Umbridge, a nova professora de Defesa Contra as Artes das Trevas, interpretada pela premiada atriz Imelda Staunton. Vestida de rosa dos pés à cabeça, a professora Umbridge ostenta um sorriso ensaiado e uma voz melíflua e monótona que não corresponde a sua verdadeira natureza.

"Fudge está paranóico com Dumbledore, que ele pensa estar atrás de seu emprego, por isso ele coloca um de seus representantes mais confiáveis, Dolores Umbridge, em Hogwarts para servir como seus olhos e ouvidos. Ela decide que é missão dela limpar todas as inutilidades e ajustar Hogwarts a uma forma de ensino muito apropriada e ortodoxa, limitada àquilo a que o Ministério acha que todos devem se adequar, o que resulta em um grande confronto de valores", explica Yates.

"Ela é certamente um lobo em pele de cordeiro. Não é nem um pouco 'rosa' como se veste. Acho que Fudge não percebe bem o que está fazendo ao enviá-la para lá. Não tenho certeza se mesmo ele sabe do que ela é capaz", afirma Barron.

"Tudo o que importa para ela é controle, a ordem é suprema. Tudo o que se desvia de sua visão quase fascista de como as coisas devem ser não tem esperança de sobrevivência em seu mundo. Ela não acredita que as mentes de seus alunos sejam recipientes de inspiração; em vez disso, elas devem ser preenchidas com os pensamentos e idéias do Ministério", adianta David Heyman.

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Os alunos da Hogwarts não são os únicos alvos visíveis para Dolores Umbridge. Os professores e a equipe não estão a salvo de seu assédio devastador. A professora de Adivinhação, Sibila Trelawney, interpretada por Emma Thompson, não poderia ter previsto que Umbridge a despediria sem pensar duas vezes, enquanto o professor de Feitiços Flitwick, interpretado por Warwick Davis, também é considerado abaixo dos padrões de Umbridge. Mesmo os professores mais respeitados, como Severo Snape, interpretado por Alan Rickman, e Minerva McGonagall, representada por Maggie Smith, não têm nenhum poder de influência sobre a Alta Inquisidora vestida de rosa. Ninguém está a salvo da obstinada sede de poder de Umbridge. Nem mesmo o diretor Alvo Dumbledore.
"Seu objetivo primordial é desacreditar Dumbledore e assumir o controle da escola em nome do Ministério. Nada vai ficar em seu caminho. E Imelda interpreta isso com um sorriso", acrescenta Heyman.

Imelda Staunton afirma: "Há muitas pessoas assim, que são charmosas no exterior, mas que têm muita coisa acontecendo por baixo da superfície, o que é um bom desafio para a interpretação. Acho que Dolores nem por um momento pensa que está fazendo algo de errado. Ela acredita que está fazendo o melhor e, é claro, são essas sempre as pessoas mais assustadoras porque não vêem nenhum outro lado. Não há nenhuma concessão".
"Imelda simplesmente 'engoliu' esse personagem. Ela é uma atriz incrivelmente talentosa com um tempo de comédia maravilhoso. Ela conseguiu tornar Umbridge uma mulher de complexidade real e não uma caricatura", elogia Yates.
A julgar pelo modo como a personagem é descrita no livro, Staunton pode ter se sentido ofendida por ter sido escalada para interpretar Umbridge. "No livro, ela é descrita como muito feia, parecida com um sapo, então quando as pessoas me diziam: 'Você seria ótima para o papel', eu dizia: 'Bem, muito obrigado'", recorda, com uma risada. "Mas foi ótimo ser convidada a fazer esse filme porque o papel é uma jóia, e é uma maravilha fazer parte desse mundo, sem mencionar que ganhei mais status com meu filho de 12 anos agora", diz ela.

Staunton também trabalhou em contato direto com a figurinista Jany Temime para elaborar o visual de Umbridge. "Nós nos divertimos muito criando essa pessoa pequena e redonda, que não é muito legal. Não queria que ela tivesse agressividade alguma. Achei que era importante que ela parecesse suave e amorosa porque, é claro, ela não é nenhuma das duas coisas", enfatiza a atriz.

Para sugerir fisicamente a suavidade de Umbridge, Temime revela: "Demos a ela muitos enchimentos porque Imelda é, na verdade, uma mulher muito magra". A figurinista também usou tecidos macios e felpudos para as roupas de Umbridge para adicionar a ilusão da suavidade e simpatia.

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A cor dos figurinos, no entanto, foi predeterminada pelo livro: rosa, rosa e mais rosa. "Toda vez que a vemos, ela está em um tom diferente de rosa. À medida que ela ganha poder, a cor fica mais forte e mais atroz até que chega ao tom mais forte de vermelho cereja", conta Temime. O esquema de cores foi levado para o escritório de Umbridge, que Stuart Craig e sua equipe decoraram em tons de rosa, e adornaram com toques de renda e veludo, além de pequenos penduricalhos em toda a volta. O estilo de mobília é francês, que o desenhista considera "curvado, mas agudo", uma indicação não muito sutil da personalidade real da proprietária. O recurso mais característico no escritório é a exibição de 200 pratos de gatos nas paredes. Alguns dos habitantes felinos são decididamente sonoros e ativos.

Em contraste, a sala de Umbridge é muito mais austera, em conformidade com seu estilo de ensino, que é gravemente limitador com seus alunos, desde o livro-texto corretivo que ela lhes fornece. "Umbridge tem uma técnica de ensino meio estranha para uma professora de Defesa Contra as Artes das Trevas. Ela acredita que o progresso deve ser desencorajado e que devemos estudar teoria sem nenhuma aplicação prática, o que é ridículo em uma escola de magia", observa Rupert Grint.

"Não são mais aulas de Defesa Contra as Artes das Trevas, pois os alunos não têm permissão de usar a magia. E para uma mente ansiosa como a de Hermione, isso é como um tapa na cara. Ela simplesmente não pode suportar ficar sentada lá e ser tratada como uma idiota, isso faz seu sangue ferver, porque aprender é tudo para ela. Pela primeira vez, Hogwarts, que sempre foi um lugar seguro e estável para Harry, Rony e Hermione, deixa de ser seguro. Passa a ser assustador e perigoso", concorda Emma Watson.

Perigoso porque os alunos não estão sendo preparados para lutar ou se defender, especialmente em um mundo em que o Lorde das Trevas está novamente à solta.

ARMADA DE DUMBLEDORE

À medida que a professora Umbridge exerce seu poder em ascensão em Hogwarts, novos e ainda mais rígidos Níveis Educacionais são anunciados, cada um mais limitador do que o outro. Quase diariamente, novas declarações são marteladas nos muros de pedra de Hogwarts, banindo tudo o que ela considera subversivo. Porém, todas as suas maquinações saem pela culatra, uma vez que sua força repressora na escola só serve para fortalecer a resolução dos alunos de desafiar sua autoridade de alguma forma.

"O que é interessante é que, ao tentar alcançar o controle total, Umbridge, no final, consegue exatamente o contrário". observa Yates.

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É Hermione a primeira a agir, reunindo seus colegas de classe para tomar as rédeas em suas próprias mãos. Watson comenta: "Eles sabem que se não estiverem aprendendo feitiços, então não poderão se defender. E, enquanto o Ministério não quiser enxergar que Voldemort retornou, eles não aprenderão. Eles acreditam em Harry, sabem que há algo sombrio e assustador acontecendo. Acho que esse é o motivo pelo qual, pela primeira vez na vida, Hermione sente a necessidade de se rebelar. É a primeira vez que ela percebe que fazer o que lhe disseram o tempo inteiro não funciona bem. Você não pode sempre confiar na autoridade; às vezes você precisa confiar em si mesmo".

Com o incentivo de Hermione e Rony, Harry concorda em se apresentar e assumir a responsabilidade de ensinar aos alunos de Hogwarts os feitiços que eles precisam saber para se defender contra as Artes das Trevas. "Primeiro, Harry reluta, mas é convencido por Hermione, que, como de costume, é irritante, mas calha de estar certa nessa ocasião", diz Radcliffe, com uma risada. "Então, vamos para o subterrâneo e formamos a Armada de Dumbledore. Harry se torna o professor deles, usando o conhecimento adquirido para treinar os alunos e ensiná-los a lutar. Ele acredita que há uma guerra a caminho e um perigo crescente. Se Umbridge não está nos ensinando aquilo de que precisamos, não teremos uma chance quando formos chamados à luta", acrescenta.

David Heyman observa que evoluir de colega a professor representa um momento crítico no desenvolvimento do personagem. "Vemos Harry começando de certo modo como um estranho, sentindo que as pessoas não confiam mais nele, não acreditam nele, achando que não faz mais parte dali. Então, por fim, ele descobre que faz parte, sim. E não apenas faz parte, mas tem pessoas dispostas a segui-lo. Isso é muito poderoso e comovente: assistir Harry evoluir de se sentir isolado, mesmo dentro de seu grupo, a se tornar um líder desse grupo. Além disso, ele é um professor melhor do que alguns que já teve", descreve Heyman.

Um dos integrantes do grupo é a muito delicada Luna Lovegood, uma garota de fala suave com uma personalidade um pouco estranha, que não se incomoda com o que pensam dela. A personagem está fazendo sua estréia em Harry Potter e a Ordem da Fênix, da mesma forma que a jovem atriz que a interpreta, Evanna Lynch, está fazendo sua estréia como atriz no cobiçado papel.

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As características únicas de Luna tornaram o papel um dos mais desafiadores na escalação do elenco. A diretora de elenco Fiona Weir e os realizadores conheceram dezenas de candidatas, porém nenhuma era exatamente o que eles tinham imaginado para Luna, por isso eles decidiram fazer testes abertos ao público. Mais de 15 mil jovens esperançosas de todo o Reino Unido fizeram fila nos quarteirões, aguardando por horas e horas a oportunidade de serem testadas. Uma delas era uma fã fervorosa de Harry Potter que havia se apaixonado pela personagem Luna quando leu o livro Harry Potter e a Ordem da Fênix. "Gostei muito dela imediatamente. Ela é legal porque é muito honesta com todos, inclusive consigo mesma. É engraçada e livre e parece flutuar pela vida, por isso todos pensam que ela é um pouco amalucada e boba, mas não é. Ela é muito esperta e sensata a sua própria maneira, e tem uma boa percepção das coisas", afirma Lynch.

Lynch se identificou instantâneamente com Luna quando foi apresentada à personagem no livro, chegando a gravar sua leitura das falas de Luna em fita e a enviá-las para apreciação. Pouco depois, ela soube que haveria um teste aberto ao público, e declara: "Eu precisava ir, era algo que tinha que ser". Convencendo o pai a levá-la, ela viajou de sua casa no sul da Irlanda e se juntou à fila de milhares de outras candidatas que compartilhavam sua ambição, mas não sua confiança. "Eu não estava nervosa porque ser Luna era natural para mim", afirma ela.
Os realizadores concordaram. David Barron lembra: "Fiona Weir conheceu todas as 15 mil garotas e, por fim, refinou as escolhas para 29, que colocou em DVD e nos enviou. Ela nos contou que havia uma garota que valia a pena ver, mas não nos contou qual era. Eu cheguei até o número nove, liguei para Fiona e disse, 'Tem que ser a número nove', e era. Era Evanna. Ela era simplesmente fantástica".

"A diferença entre Evanna e todas as outras garotas que entrevistamos para o papel é que as outras podiam interpretar Luna; Evanna Lynch é Luna", confirma Heyman.

Jany Temime acrescenta que Lynch contribuiu até mesmo com o figurino da personagem. Ela relata: "Ela era muito específica com certos detalhes. Fiz brincos para ela que eram rabanetes vermelhos e ela insistiu que tinham que ser laranja. Ela conhecia a personagem a esse ponto. Queríamos nos certificar de que os figurinos de Luna refletiriam uma garota com gostos muito particulares e seus próprios interesses especiais, mas não completamente diferentes a ponto de ela não se entrosar com os demais".

Outro membro da Armada de Dumbledore, Neville Longbottom, interpretado por Matthew Lewis, teve seus próprios problemas para combinar com seus colegas, mas ele prova sua determinação quando revela o lugar perfeito para o grupo treinar em completo segredo: a Sala Precisa. Como o nome sugere, é uma sala que só aparece para aqueles que precisam dela, assumindo qualquer forma que seja necessária, mas permanecendo invisíveis para todos do lado de fora.

VISGO

Quando Hogwarts entra em recesso para o feriado de Natal, a classe subterrânea involuntariamente pára para o feriado. Mas enquanto os alunos se separam, uma fica para trás: a adorável Cho Chang, interpretada por Katie Leung. Cho chamou a atenção de Harry pela primeira vez em Harry Potter e o Cálice de Fogo e, embora eles tenham compartilhado uma atração tímida, seu relacionamento se tornou mais complicado pela mútua ligação com Cedrico Diggory, o jovem que foi a primeira vítima de Lorde Voldemort em seu retorno. Sabendo o que vai em seus corações, no entanto, a Sala Precisa forneceu um ramo de visgo, levando a um momento esperado ansiosamente por fãs de Harry Potter de todos os lugares do mundo: o primeiro beijo de Harry.

"Eu estava ligeiramente nervoso porque sabia que Katie estava nervosa. Não é apenas a questão do beijo, tem a ver com o complexo relacionamento que Cho e Harry têm. Mas fizemos algumas vezes e depois disso não era mais um grande problema. Foi legal. Nós nos divertimos", admite Radcliffe.

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"Eu estava nervosa porque era o meu primeiro beijo na tela, mas David Yates foi ótimo. Ele nos contou exatamente o que queria, e tornou tudo menos intimidante. Foi um pouco constrangedor no começo, mas Daniel facilitou para mim, e isso foi ótimo. Gostei muito e Daniel beija muito bem", diz Leung, com um sorriso.
"Queríamos que Dan e Katie se sentissem o mais à vontade possível, por isso esvaziamos o set e tentamos manter uma atmosfera intimista", Yates observa.

As preparações do diretor podem ter ajudado os dois atores, mas pouco fizeram para sossegar os nervos de muitos da equipe, que tinham praticamente assistido Daniel Radcliffe crescer ao longo dos filmes de Harry Potter. "Muitos de nós conhecíamos Daniel desde os 10 anos, nós o vimos crescer diante de nossos olhos, nos importamos muito com ele e somos protetores dele. E ali estávamos assistindo a seu primeiro beijo na tela. Foi estranho. Eu não parava de pensar, 'Eu não devia estar assistindo a isso'", conta Heyman, com uma risada. "Mas foi perfeito e acho que será um momento terno e belo para o público. Um dos grandes prazeres de trabalhar nos filmes de Harry Potter é assistir às crianças crescendo e ver seus talentos desabrocharem. Eles são todos ótimos jovens - curiosos, amáveis, sensíveis, inteligentes -, e acho que os desempenhos que se verá neste filme mostram o quanto eles se desenvolveram como pessoas e atores", continua Heyman.

 

Fonte: Warner Bros.

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