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"Venho ensaiando escrever um roteiro sobre ele há anos; a vida de Reeves foi muito pitoresca, constrangedora e, por fim, trágica. Mas eu também queria mostrar o desconforto que ele sentia sendo o Super-Homem, em oposição ao incrível impacto que o fato de ser o Super-Homem causava em seus fãs. Tratava-se de um ator que queria ser um astro, e que efetivamente se tornou um enorme astro, maior do que ele poderia ter imaginado - mas apenas para as crianças. Ainda assim, mesmo vivendo com essa frustração e com o ressentimento de saber que o fato de interpretar o Super-Homem lhe tirava toda e qualquer chance de construir o que ele acreditava ser uma carreira legítima, ele sempre teve noção da dimensão do espaço que ele ocupava no coração de milhões de crianças. Ele jamais as decepcionou; para elas ele era o Super-Homem e, para mim, isto fez dele um verdadeiro herói", afirma Bernbaum.
O diretor Allen Coulter leu o roteiro um ano mais tarde, e achou que ele era "inteligente e incrivelmente bem escrito, a história de dois homens que querem ser alguém diferente de quem eles são. Eu também achei que era uma abordagem muito singular daquela grande época - do auge do cinema até o primeiro impacto causado pelo advento da televisão - esse aspecto nunca havia sido explorado em uma história séria. Assim que acabei de lê-lo, liguei para o meu agente." Pouco depois, Coulter comprometeu-se a fazer sua estréia como diretor naquele projeto. Refletindo sobre a força da história e dos personagens, ele observa: "As histórias encontram eco uma nas outras e as duas narrativas se enriquecem como resultado disso. Os dois estão muito apegados a um sonho hollywoodiano de valorizar o que eles têm e o que há de verdadeiro em suas respectivas vidas. Os dois não são exatamente astros em seus campos de atuação, e brilham menos do que gostariam. Eles acreditam que tamanho sucesso legitimará suas próprias existências aos olhos do mundo todo e, consequentemente, aos olhos deles mesmo. É a jornada de descoberta da história de George, trilhada por Simo, que finalmente lhe dá uma nova perspectiva em sua própria vida. Tendo trabalhado em Hollywoodland - Bastidores da Fama (Hollywoodland) por muitos anos, o diretor e produtor desenvolveu um respeito e uma compaixão pelo ator. Coulter observa: "Reeves, em minha opinião, sofreu do sentimento de que ele nunca realizou todo o seu potencial como ator. E ficava muito perturbado com sua percepção sobre si mesmo de não ser um ator pra valer, mas "apenas um cara que interpretava o Super-Homem". Esperamos ter conseguido chamar a atenção para a história dele e de mostrar às pessoas o lugar apropriado que ele ocupa na história de Hollywood.
Coulter conta, maravilhado: "Milhões de crianças pensavam nesse homem - que na vida real não tinha filhos - como uma figura paterna forte e onisciente. A piscadela que ele acrescentou ao personagem mexia com as crianças; elas achavam que ele estava piscando para elas. Na idade delas, elas não necessariamente eram capazes de fazer a separação entre o ator e o personagem." Williamson acrescenta: "Reeves, como um talento criativo, quis fazer coisas diferentes. Ironicamente, o sucesso fenomenal do programa tornou isso impossível. Reeves era o elemento chave de algo que era muito significativo para toda uma geração, ainda que isso não tenha sido o suficiente para ele. Se você assistir aos episódios, verá que eles são divertidos, mas verá ainda que eles também tinham mensagens de tolerância e de valores, tais como justiça e honra." Buscando fazer uma homenagem ao legado de George Reeves, os cineastas sabiam que era crucial escalar um ator que fosse capaz de passar os diversos lados profissional e pessoal de Reeves. "O respeito de Ben Affleck por George Reeves como ser humano é imenso", afirma Coulter, que segue dizendo: "Ele se envolveu profundamente na pesquisa sobre a vida de Reeves desde o início, e ficou totalmente comprometido com a interpretação do personagem e com a homenagem." Affleck revela: "Para mim, era uma responsabilidade muito maior até mesmo do que a de fazer o papel de uma pessoa real. Tratava-se de um homem que, em vida, não conseguiu obter crédito por ser ele mesmo. Eu descobri que ele se envolveu em um acidente de carro uma vez e que meio que desmaiou. Os jornais, então escreveram: 'Super-Homem Desmaia Ao Ver o Próprio Sangue. ' As pessoas eram muito críticas e insensíveis em relação a ele. Era desrespeitoso, e ele merecia coisa melhor. O contraste me intrigava; ele era um cara muito triste e frustrado, mas as pessoas pensavam: 'Bem, ele devia ser tão feliz.' Ele aceitou o emprego para se sustentar, e para continuar trabalhando. Ele se tornou um dos primeiros atores a experimentar a verdadeira sensação de ficar estereotipado. Todos que assistiam a Super-Homem (Superman ) tinham uma sensação de posse e de familiaridade em relação a ele, que, na minha opinião, o deixava pouco confortável e inibido. As pessoas tinham uma expectativa de que ele fosse de fato o Super-Homem. Para mim, Hollywoodland - Bastidores da Fama (Hollywoodland) fala um pouco sobre como nós, veneradores de cultura, devoramos nossos ícones culturais." "Eu já tinha trabalhado com Ben antes, mas não o tinha visto tão alegremente concentrado em seu trabalho como vi em Hollywoodland - Bastidores da Fama (Hollywoodland)", conta Williamson, que diz ainda: "Havia muitos atores que queriam fazer o papel de Reeves, mas eu sabia que Ben se identificaria com o papel e que era perfeito para ele." "Ben compreendeu certas coisa em relação a George Reeves; há uma série de características que eles têm em comum", acrescenta Coulter. "De tudo que ouvimos ou lemos, Reeves era uma pessoa adorável e um homem encantador. E Ben é assim também. - e também tem uma ou outra experiência de como é se sentir vulnerável como ator em Hollywood." Refletindo sobre o que ele verificou em sua pesquisa sobre Reeves, Affleck observa: "Ele era conhecido como 'George Honesto', e passou muito tempo tentando fazer com que as pessoas se sentissem melhor - em parte para dar suporte a si mesmo. Ele era generoso e, segundo todos os testemunhos, emprestou aos outros bem mais dinheiro do que ele provavelmente tinha; ele era tagarela e divertido, sabia tocar violão e falava várias línguas. Era um homem, no sentido da palavra, na época. "George não era perfeito; era muito ambicioso e impaciente, e talvez preocupado demais com coisas superficiais. Mas eu acho que ele viveu sua vida com enorme de caráter." 'Hollywoodland - Bastidores da Fama' será lançado no dia 9 de Março de 2007. Trailer:
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Fonte: Buena Vista
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