A morte de George Reeves, em 1959, um ícone para milhões de pessoas, na pele de Super-Homem, permanece sendo um mistério de Hollywood que continua a gerar interesse quase 50 anos depois. Apesar do fato de não ter sido resolvido, o caso é tão bem documentado, que Paul Bernbaum, o roteirista de Hollywoodland - Bastidores da Fama (Hollywoodland) pôde usar igualmente pesquisas de acontecimentos reais e inspiração para criar seu roteiro original.

Bernbaum reflete: "Quando eu era criança, vivia para assistir a As Aventuras do Super-Homem (Adventures of Superman)". Li as histórias em quadrinhos, assisti aos desenhos animados, mas havia algo em relação a Reeves - eu sabia que ele era um ator e sabia que era um programa de televisão, mas eu também sabia que se o Super-Homem existisse de fato, ele seria exatamente como Reeves. Eu me identificava muito com ele assim como todas as crianças que assistiam ao programa naquela época também. Hoje em dia, já adulto, pensando retrospectivamente em minha infinita admiração pelo programa, que incluiu a compra de um de seus trajes originais usados na TV, em um leilão, eu fico achando que ele tinha que ter algo especial - e tinha mesmo.

"Venho ensaiando escrever um roteiro sobre ele há anos; a vida de Reeves foi muito pitoresca, constrangedora e, por fim, trágica. Mas eu também queria mostrar o desconforto que ele sentia sendo o Super-Homem, em oposição ao incrível impacto que o fato de ser o Super-Homem causava em seus fãs. Tratava-se de um ator que queria ser um astro, e que efetivamente se tornou um enorme astro, maior do que ele poderia ter imaginado - mas apenas para as crianças. Ainda assim, mesmo vivendo com essa frustração e com o ressentimento de saber que o fato de interpretar o Super-Homem lhe tirava toda e qualquer chance de construir o que ele acreditava ser uma carreira legítima, ele sempre teve noção da dimensão do espaço que ele ocupava no coração de milhões de crianças. Ele jamais as decepcionou; para elas ele era o Super-Homem e, para mim, isto fez dele um verdadeiro herói", afirma Bernbaum.

"De um ponto de vista histórico, a morte de George Reeves representou a perda da inocência para toda uma geração. Ela teve um impacto sobre milhões de pessoas. Quando você examina as manchetes que foram publicadas depois que ele morreu, quase todas diziam: 'Morre o Super-Homem' ou 'Morre o Super-Homem da Televisão' ou algo do gênero - e não: 'Morre George Reeves.' Ali estava um ator, interpretando um personagem invencível, cuja própria mortalidade fora abreviada. Nós queríamos mostrar quem era a pessoa, o que por sua vez nos fornece informações sobre o crescente nível de consciência de um outro homem no que diz respeito a quem ele é.

O diretor Allen Coulter leu o roteiro um ano mais tarde, e achou que ele era "inteligente e incrivelmente bem escrito, a história de dois homens que querem ser alguém diferente de quem eles são. Eu também achei que era uma abordagem muito singular daquela grande época - do auge do cinema até o primeiro impacto causado pelo advento da televisão - esse aspecto nunca havia sido explorado em uma história séria. Assim que acabei de lê-lo, liguei para o meu agente." Pouco depois, Coulter comprometeu-se a fazer sua estréia como diretor naquele projeto.

Refletindo sobre a força da história e dos personagens, ele observa: "As histórias encontram eco uma nas outras e as duas narrativas se enriquecem como resultado disso. Os dois estão muito apegados a um sonho hollywoodiano de valorizar o que eles têm e o que há de verdadeiro em suas respectivas vidas. Os dois não são exatamente astros em seus campos de atuação, e brilham menos do que gostariam. Eles acreditam que tamanho sucesso legitimará suas próprias existências aos olhos do mundo todo e, consequentemente, aos olhos deles mesmo. É a jornada de descoberta da história de George, trilhada por Simo, que finalmente lhe dá uma nova perspectiva em sua própria vida.

Tendo trabalhado em Hollywoodland - Bastidores da Fama (Hollywoodland) por muitos anos, o diretor e produtor desenvolveu um respeito e uma compaixão pelo ator. Coulter observa: "Reeves, em minha opinião, sofreu do sentimento de que ele nunca realizou todo o seu potencial como ator. E ficava muito perturbado com sua percepção sobre si mesmo de não ser um ator pra valer, mas "apenas um cara que interpretava o Super-Homem". Esperamos ter conseguido chamar a atenção para a história dele e de mostrar às pessoas o lugar apropriado que ele ocupa na história de Hollywood.

"Todos nós temos planos para nossas vidas - até que a vida os muda. O plano de Reeves foi mudado pela 2ª. Guerra Mundial. Ele teve um início muito próspero com E o Vento Levou (Gone with the Wind), como seu primeiro filme mas quando ele voltou da guerra, não foi capaz de recolocar sua carreira no sistema de Hollywood. Com apenas trinta e poucos anos, já era considerado 'um pouco velho' para Hollywood. Ele se tornou famoso em outra mídia, mas isso não significava muito para ele - e ele, com certeza, não ganharia milhões de dólares como os atores que interpretam super-heróis no cinema atualmente", diz o diretor.

Coulter conta, maravilhado: "Milhões de crianças pensavam nesse homem - que na vida real não tinha filhos - como uma figura paterna forte e onisciente. A piscadela que ele acrescentou ao personagem mexia com as crianças; elas achavam que ele estava piscando para elas. Na idade delas, elas não necessariamente eram capazes de fazer a separação entre o ator e o personagem."

Williamson acrescenta: "Reeves, como um talento criativo, quis fazer coisas diferentes. Ironicamente, o sucesso fenomenal do programa tornou isso impossível. Reeves era o elemento chave de algo que era muito significativo para toda uma geração, ainda que isso não tenha sido o suficiente para ele. Se você assistir aos episódios, verá que eles são divertidos, mas verá ainda que eles também tinham mensagens de tolerância e de valores, tais como justiça e honra."

Buscando fazer uma homenagem ao legado de George Reeves, os cineastas sabiam que era crucial escalar um ator que fosse capaz de passar os diversos lados profissional e pessoal de Reeves. "O respeito de Ben Affleck por George Reeves como ser humano é imenso", afirma Coulter, que segue dizendo: "Ele se envolveu profundamente na pesquisa sobre a vida de Reeves desde o início, e ficou totalmente comprometido com a interpretação do personagem e com a homenagem."

Affleck revela: "Para mim, era uma responsabilidade muito maior até mesmo do que a de fazer o papel de uma pessoa real. Tratava-se de um homem que, em vida, não conseguiu obter crédito por ser ele mesmo. Eu descobri que ele se envolveu em um acidente de carro uma vez e que meio que desmaiou. Os jornais, então escreveram: 'Super-Homem Desmaia Ao Ver o Próprio Sangue. ' As pessoas eram muito críticas e insensíveis em relação a ele. Era desrespeitoso, e ele merecia coisa melhor. O contraste me intrigava; ele era um cara muito triste e frustrado, mas as pessoas pensavam: 'Bem, ele devia ser tão feliz.' Ele aceitou o emprego para se sustentar, e para continuar trabalhando. Ele se tornou um dos primeiros atores a experimentar a verdadeira sensação de ficar estereotipado. Todos que assistiam a Super-Homem (Superman ) tinham uma sensação de posse e de familiaridade em relação a ele, que, na minha opinião, o deixava pouco confortável e inibido. As pessoas tinham uma expectativa de que ele fosse de fato o Super-Homem. Para mim, Hollywoodland - Bastidores da Fama (Hollywoodland) fala um pouco sobre como nós, veneradores de cultura, devoramos nossos ícones culturais."

"Eu já tinha trabalhado com Ben antes, mas não o tinha visto tão alegremente concentrado em seu trabalho como vi em Hollywoodland - Bastidores da Fama (Hollywoodland)", conta Williamson, que diz ainda: "Havia muitos atores que queriam fazer o papel de Reeves, mas eu sabia que Ben se identificaria com o papel e que era perfeito para ele."

"Ben compreendeu certas coisa em relação a George Reeves; há uma série de características que eles têm em comum", acrescenta Coulter. "De tudo que ouvimos ou lemos, Reeves era uma pessoa adorável e um homem encantador. E Ben é assim também. - e também tem uma ou outra experiência de como é se sentir vulnerável como ator em Hollywood."

Refletindo sobre o que ele verificou em sua pesquisa sobre Reeves, Affleck observa: "Ele era conhecido como 'George Honesto', e passou muito tempo tentando fazer com que as pessoas se sentissem melhor - em parte para dar suporte a si mesmo. Ele era generoso e, segundo todos os testemunhos, emprestou aos outros bem mais dinheiro do que ele provavelmente tinha; ele era tagarela e divertido, sabia tocar violão e falava várias línguas. Era um homem, no sentido da palavra, na época.

"George não era perfeito; era muito ambicioso e impaciente, e talvez preocupado demais com coisas superficiais. Mas eu acho que ele viveu sua vida com enorme de caráter."

'Hollywoodland - Bastidores da Fama' será lançado no dia 9 de Março de 2007.

Trailer:
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Bastidores:
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Clipe 1 - 'I Laugh When I'm Happy':
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Clipe 2 - 'I Could Nail You with This':
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Clipe 3 - 'Superman Doesn't Smoke':
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Clipe 4 - 'Inflated Sense of Your Importance':
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Clipe 5 - 'I'm in the Picture Business':
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Clipe 6 - 'They're Picking Up Superman':
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Fonte: Buena Vista

 

 

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