Para quem achava que as confusões de Vani (Fernanda Torres) e Rui (Luiz Fernando Guimarães) tinham acabado, eis que eles voltarão com toda em Os Normais 2 – A Noite Mais Maluca de Todas. O casal se vê diante da crise dos 13 anos e resolve apimentar a relação. Em sua busca na noite carioca por alguém que tope embarcar numa aventura, eles encontram as mais diferentes figuras: uma prima (Drica Moraes) de Vani, uma frequentadora de karaokê (Danielle Winits), uma bicampeã de kickboxing (Daniele Suzuki), uma bissexual
(Claudia Raia), uma francesa (Mayana Neiva) e uma garota de programa (Alinne Moraes). Tudo pode acontecer aos atrapalhados Rui e Vani na noite mais maluca de todas.



SOBRE A PRODUÇÃO

Oito anos depois do início da série de TV (que durou dois anos, na TV Globo) e seis depois do primeiro longa-metragem (que fez bastante sucesso nos cinemas), Luiz Fernando Guimarães tenta explicar o fenômeno Os Normais. “Foi um momento da vida”, diz ele.

“Juntou essa turma, rolou esse encaixe, saiu isso e a gente não é dono disso. O público se apoderou de Os Normais, abraçou essa causa.” Quase meia década passou desde que Fernanda e Luiz Fernando tinham se despido de Rui e Vani. Foi aí que, justamente quando crescia a saudade dos personagens, surgiu a portunidade de realizar Os Normais 2. Uma tarefa que eles encararam sem maiores problemas.

“Enquanto a gente lia o roteiro, não tinha Rui e Vani nas nossas vidas. Era Fernanda e Luiz Fernando”, conta o ator. “Mas na hora em que a Fernanda foi tirar uma foto com o novo visual do filme, veio a coisa toda.”

Filha dos atores Fernando Torres e Fernanda Montenegro, Fernanda Torres começou carreira aos 13 anos de idade, na peça Um Tango Argentino. Seguiria-se uma carreira de atriz das mais prolíficas e elogiadas. Foram uma série de trabalhos na TV (em novelas como Brilhante e Selva de Pedra, na série Os Normais e no quadro humorístico Sexo Oposto, com Evandro Mesquita) e no cinema (nos longas Inocência, A Marvada Carne, Terra Estrangeira, O Que é Isso, Companheiro?, Casa de Areia e Eu Sei Que Vou Te Amar, pelo qual ela recebeu o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes).

Um dos maiores humoristas brasileiros, Luiz Fernando Guimarães começou carreira ainda nos anos 70, no grupo de teatro Asdrúbal Trouxe o Trombone, ao lado de nomes como Regina Casé e Evandro Mesquita. Na TV, ficou conhecido pelas participações nos programas TV Pirata, Os Normais, Minha Nada Mole Vida e Dicas de um Sedutor. No cinema, marcou presença em longas como Os Sete Gatinhos, Engraçadinha e O Que é Isso, Companheiro? No teatro, além de brilhar em espetáculos com o Asdrúbal (como Trateme Leão, Aquela Coisa Toda e A Farra da Terra), Luiz Fernando ainda esteve em cena com 5 x Comédia, Castiçais e Fica Comigo Esta Noite.

Os roteiristas Alexandre Machado e Fernanda Young, casados há 15 anos, têm muito mais a ver com suas criaturas, Rui e Vani, do que supõe a vã filosofia de quem vê os Normais de fora. Principalmente “na insistência do amor, na coragem de atravessar fases sem se deixar abater”, como revela Fernanda. “Nesse tempo todo, aprendemos muito mais coisas sobre os casais – e Os Normais 2 reflete nossas experiências”, acrescenta Alexandre. Como no primeiro filme, além dos diálogos certeiros e das situações inusitadas, o casal pensou em um punhado de canções que ajudassem a costurar a trama. E aí escolheram desde “Livin’ La Vida Loca”, de Ricky Martin, até uma boa surpresa do repertório nacional, como conta Machado.

Confira a entrevista com os hilários protagonistas:

Como foi fazer esse Os Normais 2 em comparação com o primeiro filme?
Luiz Fernando – Naquele primeiro, a gente tinha o compromisso de mostrar o que não estava no programa de TV: o porquê de Rui e Vani terem ficado atraídos. A nossa preocupação, então, era passar para o público a idéia de que eles estavam juntos porque eram uma boa companhia um para o outro, além de namorados. Já nesse novo filme, teve um desgaste na relação, que a gente leva para o lado bem-humorado...

Fernanda – É, não há depressão em Os Normais 2. Eles notam crise já na primeira cena e partem para resolvê-la. Além disso, o primeiro filme tem tempos mais largos, de comédia romântica de cinema. Esse Normais 2 marca a volta do espírito do programa – ele é bem mais uma comédia acelerada. Sempre se fala nessa química que vocês dois têm em cena como Rui e Vani. A que vocês devem ela?

F – É que nós dois somos muito amigos.

LF – E eu vou te falar uma coisa: O Rui e a Vani são tão comuns! Qualquer casal é igual a eles. Não precisa nem ser tão maluco quanto eles.

F – A química, na verdade, é entre o texto, o diretor e os atores. Isso é raro. O Alexandre [Machado] e a Fernanda [Young, autores] acertaram muito na observação do casal que é louco, mas é noivo, normal. Isso deu uma empatia muito grande à série e ao filme.

LF – E tem uma coisa muito juvenil em Os Normais. Eles dizem aquela quantidade de palavrões... e, no fim das contas, eles agem como duas crianças! É uma putaria infantil, meio brincadeira de médico.

F – É difícil você juntar algo inocente com algo picante. Acho que aí está a coisa explosiva de Os Normais: é inocente e picante, adulto e criança. E isso pega o público de A a Z.

Nesse Os Normais 2, vocês contracenaram com um monte de convidados. Que tal a experiência?
LF – Foi assim como era na TV. A gente era a Hebe do programa, cada semana tinha uma pessoa que vinha de uma novela ou minissérie, com toda a sua história, e eu e Nanda, como bons anfitriões, tínhamos que fazer com que essa pessoa se adaptasse – afinal, nós dois temos nosso ritmo. Mas como quase todos os convidados do filme já tinham trabalhado conosco, então foi fácil e divertido.

Entrevista com o diretor José Alvarenga Jr.

“Esse filme é feito para os fãs da série de TV. É como se fosse um episódio especial que não foi ao ar”, explica José Alvarenga, o diretor dos dois filmes e da série, além de parceiro de Luiz Fernando Guimarães, Alexandre Machado e das duas Fernandas (Torres e Young) na criação de Os Normais.

No novo longa-metragem, conta ele, a proposta foi apresentar uma sexualidade divertida, com várias situações que se desenrolam a partir do reconhecimento da crise dos 13 anos dos amalucados protagonistas. “O que propicia a loucura de Rui e Vani é a constatação de que há um tédio muito grande na relação e que se eles não pirarem mais ainda, aquele noivado vai para o buraco”, diz.

Quando e por que veio a idéia de um Normais 2?
Logo depois de sair o primeiro filme, recebemos propostas de parceiros comerciais para fazer uma continuação, mas cada um de nós tinha seus projetos separados e a coisa não foi adiante. Dois anos atrás, num bate-papo sobre como era divertido trabalhar juntos em Os Normais, veio a vontade de fazer um segundo filme. O Alexandre [Machado] disse: se for para fazer um segundo, tem que ser uma coisa radical, vamos brincar com aquilo em que não tocamos antes. E aí ele veio com essa idéia do ménage à trois, que era a única coisa de que ele se lembrava que os personagens nunca tinham feito. A gente achou que, anos depois do primeiro filme, o desafio era subir um pouco mesmo a temperatura de Os Normais.

A que você credita a permanência de Os Normais?
Acho que ao fato de a gente ter levado a público aquilo que era inconfessável, mas de uma forma bem dosada. Tudo aquilo que está sendo falado ali, de alguma maneira o público já falou em algum momento. Seja na cama, no ouvido do marido, no psicanalista... Os Normais dialoga com a contemporaneidade, o que aflige os personagens são as coisas contemporâneas. Às vezes a falta de dinheiro, ou a falta de tempo, o desgaste da relação, as invejas... Vani e Rui são um casal muito invejoso, com muito ciúme de tudo. Isso tudo faz com que eles se atrapalhem e levem uma relação próxima a qualquer espectador. Eles são escrotos, eles mentem... E ainda tem uma infantilidade do casal, porque tudo isso é feito com uma espécie de pureza da alma. São as mentiras sinceras, o lado inconfessável da humanidade.

E o que você acha de Os Normais estar sendo negociado com a TV americana?
A equivalência é a de um time americano de soccer que viesse jogar na primeira divisão do campeonato brasileiro. É por merecimento. Nós vamos entrar com um produto nosso, criado no Brasil, com características brasileiras, no prime time americano – que é o melhor prime time do mundo, onde está sendo feita uma televisão ousada. Eles têm uma possibilidade de ousadia que nós aqui, na TV aberta, não temos tanto. É muito bom saber que Os Normais provocou desejo nesse segmento. Se ele vai sofrer adaptações? Vai sofrer, mas pelo menos ele capta algumas coisas brasileiras lá para fora.

Trailer do Filme

 

Fonte: Imagem Filmes