Todd Phillips, diretor de 'Dias Incríveis', lança uma nova comédia sobre uma despedida de solteiro em que tudo acaba dando errado.

Dois dias antes do casamento, Doug (JUSTIN BARTHA) e três amigos (BRADLEY COOPER, ED HELMS e ZACH GALIFIANAKIS) vão de carro para Las Vegas, para passar uma noite inesquecível. Mas quando os três padrinhos de casamento acordam no dia seguinte, explodindo de dor de cabeça, não conseguem se lembrar de nada. O luxuoso quarto de hotel está um caos e o noivo simplesmente desapareceu.

Sem a menor ideia do que pode ter acontecido e correndo contra o tempo, o trio precisa refazer os passos da noite anterior até descobrir quando as coisas começaram a desandar e, de preferência, levar Doug de volta a Los Angeles a tempo para o casamento.

O problema é que, quanto mais eles descobrem, mais percebem o quanto estão encrencados.



SOBRE A PRODUÇÃO

A despedida de solteiro é uma tradição seguida até hoje. Todo final de semana, em todos os Estados Unidos, inúmeros homens às vésperas do casamento saem com um grupo de amigos para uma última farra. “É apenas um encontro com uns poucos amigos”, diz o diretor Todd Phillips casualmente, como se pretendesse minimizar a possibilidade de uma noite tão inocente render alguma coisa perigosa, maluca ou ilegal.

“É muito típico, eles nem gostam de chamar de despedida de solteiro porque consideram simplesmente uma noite em que os rapazes saem juntos. Um bom jantar, boas risadas e um brinde ao noivo. Totalmente inofensivo”, enfatiza Phillips.

No filme, a saída dos rapazes acontece muito perto da data da cerimônia de casamento de Doug.

E, sim, seu futuro sogro lhe emprestou sua Mercedes de estimação…

E, claro, Stu mente à namorada sobre o lugar aonde eles vão…

E, sim, eles estão levando Alan, o cunhado de Doug, que é meio anti-sociável, uma bomba-relógio prestes a explodir…

Mas, além desses “detalhes”, o que mais seria motivo de preocupação?

Quando o quarteto chega ao hotel Caesars Palace, todos estão se sentindo bem e relaxados. Eles sobem para o terraço para começar a noite com um brinde diante da vista de Vegas, com as luzes brilhando sob o céu do deserto, erguem os copos brindando à nova vida de Doug e “a uma noite que nenhum de nós quatro jamais vai esquecer”.

E essa é a última coisa de que eles se lembram.

“O que aconteceu?”

Phil, Stu e Alan acordam pela manhã e estão esparramados e com a cara no chão de mármore. Os raios de sol atravessam as janelas, revelando uma suíte digna de um palácio, porém está tudo um caos.

Isso não é nada fora do normal, para uma despedida de solteiro, garante Phillips. “Ficar bêbado e acordar ao lado de uma pilha de garrafas faz parte da história. Num filme com uma ressaca para pôr fim a futuras ressacas, tínhamos que ir um passo além. Pensamos: ‘Qual seria a noite mais maluca que alguém poderia ter, sobrevivendo para contar sobre ela?’”

“Que tal se um bebê que eles nunca viram estivesse no quarto deles e houvesse um tigre no banheiro?”, propõe o produtor Dan Goldberg, que trabalha pela quarta vez em parceria com Phillip, em “Se Beber, Não Case!”, depois de “Caindo na Estrada”, “Dias Incríveis” e “Escola de Idiotas”.

Bonecas infláveis bóiam na banheira de hidromassagem, uma cadeira ainda solta fumaça no que parece ter sido uma fogueira e um divã pende do teto.

Ah, e tem mais uma coisinha: o noivo sumiu…

Os três tentam recobrar a sobriedade, e cada um reage de uma forma a esse cenário. Phil, confiante, embora ainda zonzo, faz um inventário do prejuízo e conclui que eles se divertiram bastante e que Doug logo estará de volta. Stu, o mais estressado e o dono do cartão de crédito que foi dado como garantia de pagamento das despesas, entra em pânico crescente, à medida que vai tomando consciência do prejuízo na suíte de 4 mil dólares que eles estão ocupando. E Alan fica fascinado, quer dizer, depois de se recuperar do fato de que estava quase nu e a uma pequena distância de um tigre adulto de verdade e vivo.

Bradley Cooper interpreta Phil, “o cara que faz os planos e logo convence os demais”, diz Goldberg. O único do grupo que já se casou e teve filhos, Phil sente-se um pouco tolhido pela vida de pai de família, professor de uma escola de segundo grau e ansioso pela viagem, que seria uma rara oportunidade de se soltar um pouco com seus antigos amigos da escola. Ele não vai deixar esse pequeno contratempo estragar seu final de semana.
“Phil pensa, ‘Vamos tomar uma aspirina e fazer uma coisa de cada vez. Não há motivo para pânico’”, conta Cooper. “Não importa que a situação fuja ao controle, ele continua achando que pode lidar com ela. E continua tentando, até o ponto em que o controle da situação lhe escapa completamente.”

“Bradley é muito engraçado, na tela e fora dela, mas eu o vejo mais como um protagonista e nesta história ele assume o papel do líder do grupo. É ele que ao acordar em meio à bagunça no dia seguinte tenta trazer os outros dois para a realidade, para que todos consigam entender o que aconteceu”, explica Phillips.

Enquanto isso, Stu, um dentista gentil, mas contido, extremamente responsável e com uma namorada que o mantém em rédea curta, está longe de estar calmo. A única coisa que o faz esquecer-se do medo de a namorada Melissa encontrar o recibo das despesas com o cartão de crédito dando conta da noite desastrosa é o fato de perceber que, não se sabe como, ele perdeu um dente. O pior é que foi um dos dentes da frente, onde restou um buraco que ele não sabe como explicar.

“Fiquei lisonjeado quando os realizadores me escolheram para o papel, e ao mesmo tempo um pouco ofendido, já que o Stu é meio ‘bocó’, neurótico e metódico”, brinca Ed Helms, que interpreta Stu, e que ia e vinha entre Las Vegas e Los Angeles, para conciliar com as gravações da série de televisão The Office. “Se formos classificá-los segundo arquétipos, Phil seria o cara descolado, Alan seria o esquisitão e Stu seria o nerd. Fico me perguntando o que os levou a me escolherem justamente para esse papel…”

Phillips parece saber a razão: “Ed arrasa como um cara reprimido, à beira de um ataque de nervos”.
Dos três, Alan, papel de Zach Galifianakis, é provavelmente o de temperamento mais semelhante ao real, o que não significa que ele tenha as respostas. Stu se debate por causa do dente perdido e a possibilidade de sua vida estar arruinada; Phil tenta desviar a atenção deles falando de café da manhã e jogo; e Alan, enrolado num lençol, desloca-se descontraidamente pela bagunça com uma curiosidade infantil e um certo orgulho, em meio a mordidas numa pizza fria que ele encontra numa almofada do sofá.

E para complicar ainda mais, Alan descobre que um bebê aparentemente feliz e saudável está num canto do quarto.

Fã do tipo de humor em comédia stand-up de Galifianakis, Phillips sabia que ele brilharia num papel perfeitamente adequado ao seu estilo e criatividade, por isso o escalou como Alan, “um sujeito com ‘dois pés esquerdos’, que sempre toma as decisões erradas”.

“Alan não tem amigos e nem tem noção de que todos o acham estranho, pois acredita que tudo o que faz e diz é superlegal e adequado”, conta Galifianakis, que continua descrevendo seu personagem como “alguém que deve ter tomado barbitúricos demais em noitadas”. “O bom desse papel é que ele não precisa fazer muito sentido. Geralmente, um ator tem de estar ciente de coisas como motivação e consistência do personagem, mas Alan age segundo a sua própria lógica perversa.”

Goldberg comenta: “Ele fala coisas que ninguém sabe de onde vieram, é hilariante. Alan não faz parte do grupo de amigos, mas quer muito se enturmar com eles, e consegue isso em meio a toda a confusão”.

O que esses três realmente precisam, por diversas razões, é de Doug.



Atuando como o noivo que desaparece misteriosamente, Justin Bartha define: “Doug é a voz da razão no grupo. Queria que ele fosse o elo de ligação entre todos esses personagens de personalidades distintas. Ele é o denominador comum e, quando some, tudo vira um caos”.

Apesar de ter de se ausentar por algum tempo, Doug é vital para a história. “Ele é quem une esses homens e, quando fica desaparecido, a amizade deles parece balançar, e o trio fica meio sem sentido”, observa Jon Lucas, que, com o sócio Scott Moore, escreveu o roteiro de “Se Beber, Não Case!”. “Ele é o Santo Graal, aquilo que os nossos heróis precisam encontrar desesperadamente e que nós torcemos para que encontrem.”
Moore acrescenta: “Eles se preocupam com ele e enfrentarão qualquer coisa, vão se unir para achá-lo, mesmo que no processo um tire o outro do sério”.

Phillips concorda: “O melhor humor é o que tem emoção, sentimento. Precisamos acreditar que esses caras realmente se importam uns com os outros e têm uma ligação verdadeira, e isso faz com que as coisas sejam mais profundas do que apenas contar piadas. Exploramos o humor natural e a estranheza da amizade entre homens e as coisas que os unem”.

Ele prossegue: “Comédia depende 70% de escalação. Claro que é preciso ter uma boa história, mas, além disso, é uma questão de ritmo, de ter grandes atores cômicos passando por uma situação e deixá-los reagir uns aos outros. O roteiro funcionou como um ponto de partida para Bradley, Ed e Zach, e eles avançaram com ele. O mesmo ocorreu com os atores coadjuvantes. Quando se povoa um filme com pessoas realmente engraçadas, isso ajuda a não deixar a peteca cair”.

“Nós fizemos o quê?”

Certo, eles estão sozinhos e Doug precisa deles. O que Phil, Stu e Alan podem fazer para juntar o quebra-cabeça dos acontecimentos da noite anterior de que não conseguem se lembrar? É hora de esvaziar os bolsos e procurar pistas: recibos, extratos de caixa automático, tickets de serviço de manobrista, pulseirinhas plásticas que se coloca ao dar entrada no hospital…

A estrutura de avanço e volta no tempo interessou especialmente a Phillips. “Partindo daquela manhã, os três têm de pensar juntos e seguir uma pista depois da outra, até que refaçam todo o percurso dos acontecimentos da noite anterior e, com sorte, cheguem ao lugar onde estiveram com Doug pela última vez. E o público faz esse percurso com eles, vai juntando as peças do quebra-cabeça junto com eles. De certa forma, é uma história de detetive clássica”, analisa o diretor.

Exceto pelo fato de que, segundo Goldberg: “Esses detetives estão com a cabeça latejando”.

“O início da história aponta para uma direção, depois se desvia para uma direção completamente diferente”, revela Cooper.

“Nunca se sabe o que virá em seguida”, acrescenta Helms. “É uma surpresa atrás da outra, a cada nova cena se pensa, ‘Nossa, de onde saiu isso?’. Mas, no final, tudo se encaixa. Não é apenas um monte de peças soltas e desconexas. Cada novo elemento da ação faz a história avançar e muitas coisas acontecem, mas tudo é justificado no final”. E ele ainda diz: “E Zach Galifianakis tem a oportunidade de aparecer usando uma cueca tipo suporte atlético”.

Galifianakis ainda não chegou a uma conclusão quanto a isso ser bom ou não. “Quando você trabalha num filme usando um suporte atlético, tem certeza de que alcançou o sucesso. Eu disse ao Todd: ‘Já vimos sujeitos gordinhos com cuecas brancas apertadas no cinema; que tal ir um passo além?’. É claro que ele concordou. Não acredito que falei isso. Acabei tendo de usar um suporte atlético, coitada da minha mãe... Foi mal, mãe”.
As pistas que nossos heróis de ressaca vão encontrando os conduzem por alguns lugares pouco conhecidos da cidade: a emergência, uma delegacia e uma capela para casamentos em algum lugar distante da The Strip.

Certamente não são lugares de Las Vegas em que se pensa nas campanhas de incentivo ao turismo.
Entre os protagonistas dessa excursão de crescente vexame está Heather Graham, no papel de Jade. Graham descreve a personagem como “uma stripper e acompanhante meiga com uma visão flexível do verdadeiro amor”. Jade também pode ser, desde aproximadamente quatro horas antes, a esposa de um certo dentista embasbacado que perdeu um dos dentes da frente.

“Ela é legal, bem peculiar, uma stripper hippie. Não tem pretensões”, descreve Graham, que ficou feliz por ter a chance de colocar em prática suas habilidades na pole dance, recém-adquiridas nas aulas de uma academia de Los Angeles. Ela conta uma conversa interessante que teve com um motorista de táxi durante as filmagens. “Ele me perguntou sobre o filme e eu contei sobre os três rapazes que ficam de porre e não conseguem se lembrar o que fizeram na noite anterior. Ele disse, ‘Ah, sim, já tive noites assim’. Acho que muita gente vai se identificar com a situação.”

Infelizmente, nem todas as pessoas com quem os rapazes cruzam são tão legais quanto Jade.
Rob Riggle, do The Daily Show, aparece como o policial Franklin, não exatamente um dos melhores de Las Vegas, porém com um talento fora do comum para usar um atordoador com choque elétrico. Ken Jeong (“Segurando as Pontas”) é o letal e completamente insano sr. Chow, determinado a se vingar por ofensas que Phil, Stu e Alan não têm a mais remota lembrança de terem cometido. Por fim, atração como humorista de um clube de comédia, Mike Epps (“Uma Escola Muito Louca”) envolve os três em uma trama secundária de confusão de identidade que pode custar a eles 80 mil dólares que, diga-se de passagem, eles não têm.
Mas o encontro mais dramático do trio, sem dúvida, é com Mike Tyson.

Aparecendo no filme como ele mesmo, Tyson brinca com sua imagem de difícil e lembra a todos que, aposentado ou não, ele continua sendo “o” cara.

Veterano da comédia stand-up, Helms atribui ao lutador uma das falas mais engraçadas das filmagens. “Todd estava orientando Tyson sobre como bater em Zach numa determinada cena e falava algo do tipo, ‘Mike, precisamos que você faça de tal jeito e mexa a mão de tal forma’. E Tyson respondeu, ‘Não acredito que o capitão da equipe de debate do colégio está querendo me ensinar como dar um soco!’. Todo mundo riu. Quem iria saber que o cara era engraçado? Trabalho com humor há 10 anos; Mike Tyson aparece e diz, ‘Olhe só, sou mais engraçado que você’”.

Goldberg resume: “Há muita comédia física no filme. Temos cenas de ação, batidas de carro, brigas, sujeitos malucos pelados, tigres, gente apanhando – foi dureza”.

A produção encarregou o renomado coordenador de cenas de ação Darren Prescott para cuidar dessa parte, mas até ele teve que estabelecer um limite. Cooper recorda, rindo: “Havia uma cena em que levávamos choque. Todd gosta de fazer tudo da maneira mais realista possível, por isso não pareceu tão absurdo quando ele disse que queria que nós levássemos um choque. Ele disse, ‘Vamos lá, pessoal, são só 50 mil volts’, então demorei um minuto para me dar conta de que ele estava apenas brincando”.

Logicamente, em meio a toda essa ação, Phil, Stu e Alan continuam procurando Doug desesperadamente. Lembram-se de Doug? Ele é o motivo de eles estarem metidos nessa encrenca. “É quase uma versão cômica de ‘O Resgate do Soldado Ryan’”, compara Phillips. “Doug é o soldado desaparecido e esses caras enfrentam o diabo para resgatá-lo”.

Todd Phillips reconhece que eles extrapolaram em “Se Beber, Não Case!” para intensificar a comédia, mas continua convencido de que há histórias reais de despedidas de solteiro que poderiam fazer qualquer uma dessas situações parecerem “fichinha” em comparação. Tendo isso em mente, ele dá um conselho aos noivos e noivas em potencial que estão pensando em fazer sua despedida de solteiro: “Use o sistema dos amigos; cada um fica responsável por um amigo. Se for preciso, pode-se usar etiquetas com o nome”.

Trailer do Filme

 

Fonte: Warner Bros.