Los Angeles, março de 1928. Em uma bela manhã de sábado num bairro de classe operária, a mãe solteira Christine Collins se despede do filho de nove anos, Walter, e sai para trabalhar como telefonista. Quando ela volta, se depara com o pior pesadelo de uma mãe: seu filho desapareceu.

Uma busca exaustiva e infrutífera tem início, até que, cinco meses depois, uma criança é trazida pela polícia, ávida em tirar proveito de um suposto reencontro entre mãe e filho. Atordoada pela quantidade de policiais, jornalistas e fotógrafos presentes - e por suas próprias emoções -, Christine é convencida a levar o menino para casa. Mas no fundo ela sabe que ele não é seu filho Walter.

À medida em que ela pressiona as autoridades para continuar a procurar por seu filho, Christine aprende que na Los Angeles da era das proibições, mulheres não desafiam o sistema e vivem para contar sua história.


SOBRE A PRODUÇÃO

Há alguns anos, o roteirista e jornalista J. Michael Straczynski se deparou com a impressionante história de Christine Collins. "Uma fonte que eu tinha na prefeitura me ligou um dia e disse que estavam queimando documentos antigos e que havia algo que eu tinha que ver antes de ser incinerado", ele lembra.

"Então eu corri para lá, e encontrei a transcrição de uma audiência da prefeitura sobre o caso de Christine Collins. Comecei a ler o depoimento e pensei: 'Isso não pode ter acontecido de verdade. Deve haver algum engano.' Foi o suficiente para atrair a minha atenção antes que o registro fosse queimado." Straczynski pesquisou a história por aproximadamente um ano, mergulhando nos detalhes da jornada de Collins, antes de finalizar o roteiro.

A chocante história baseada em fatos reais chamou a atenção dos produtores vencedores do Oscar® por Uma Mente Brilhante Brian Grazer (O Código Da Vinci). "Gostei do tema de 'A Troca', e achei a cultura em torno do incidente fascinante, e de certa forma estarrecedora. O fato de ter realmente acontecido dá à história muita profundidade emocional", opina Grazer.

Sabendo que o diretor/produtor Clint Eastwood ('Sobre Meninos e Lobos') tinha um pensamento similar quando se tratava de material baseado em fatos reais, Grazer e Howard ligaram para ele para conversar sobre o roteiro. "Eu o levei comigo numa viagem para Berlim", lembra Eastwood. "Na volta, eu o li e gostei bastante. Assim que cheguei, liguei para Brian e Ron e disse: 'É, vou participar.' O parceiro de produção de Eastwood, Robert Lorenz ('Menina de Ouro'), ficou tão impressionado quanto as outras pessoas que haviam lido a trama de Straczynski. "Joe [Straczynski] tinha feito algo muito inteligente. Ele inseriu cópias de clippings noticiários a cada 15 ou 20 páginas no roteiro, para lembrar que aquilo era real. Não me surpreendi apenas por ser verdade, mas também por nunca ter ouvido falar nessa história antes."

Eastwood, Lorenz e a produtora Imagine Entertainment estavam de acordo que a pessoa perfeita para viver a protagonista do filme, Christine Collins, seria a vencedora do Oscar® de Melhor Atriz Coadjuvante por Garota, Interrompida Angelina Jolie ('O Procurado').

Mas, apesar da história precisa e de uma equipe de filmagem de primeira linha, Jolie ficou, inicialmente, relutante em assumir o papel de uma mãe cujo filho é seqüestrado. A hesitação era compreensível, já que ela havia recentemente finalizado o retrato emocionante de Mariane Pearl em 'O Preço da Coragem', a história verdadeira do seqüestro e assassinato do jornalista Daniel Pearl. No entanto, aberta a estudar possibilidades, Jolie resolveu ler o roteiro, e a interpretação de Straczynski da vida de Christine Collins a fez mudar de idéia. "É uma história extraordinária", diz Jolie. "Eu não conseguia parar de ler. Quando Christine tinha algum contratempo e se levantava de novo, eu pensava: 'Ótimo, você está de pé novamente!'

Com diretor, produtores e protagonista escolhidos, começou a busca pelos atores que viveriam os personagens do mundo de Christine Collins dos anos 20 e início dos anos 30. Enquanto ela seguia em frente para encontrar o filho, se deparava tanto com apoiadores quanto com caluniadores. Retratado por John Malkovich ('Queime Depois de Ler'), o reverendo Briegleb e seu conhecimento da máquina municipal tiveram um papel essencial na busca de Collins.


Sobre o ativismo de Briegleb, Malkovich opina: "É, provavelmente, um exemplo distante do tipo de pressão que a mídia pode fazer. Briegleb tinha um programa de rádio em que fazia discursos e lia sermões. Ele realmente colocou os holofotes sobre a polícia de Los Angeles e no que considerava práticas tenebrosas."

O lendário advogado S.S. Hahn, interpretado pelo ator Geoff Pierson, assumiu o caso de Collins e plantou as sementes de uma futura legislação que eventualmente derrubaria as prisões por "Código 12" - Termo referente à prisão ou encaminhamento para hospital psiquiátrico de uma pessoa difícil ou inconveniente, normalmente mulher, sem mandato de prisão ou qualquer processo legal. Já o ator Jeffrey Donovan ('Encontros ao Acaso') foi elencado como o impiedoso capitão J.J. Jones, chefe da Divisão Juvenil da Polícia de Los Angeles que pressiona a traumatizada Collins a aceitar outro menino como filho.

Com o elenco formado, foi dado início à árdua tarefa de recriar o mundo de Los Angeles como era há quase 80 anos. Pesquisas iniciais por locações revelaram que prédios antigos haviam sido demolidos, ruas substituídas por grandes vias e bairros inteiros destruídos - incluindo aquele onde a família Collins morava (leste da Chinatown, na Los Angeles contemporânea). Os produtores recorreram ao desenhista de produção James Murakami (Cartas de Iwo Jima) e ao gerente de locação Patrick Mignano ('Invasores') para visualizar o período da história na Los Angeles de hoje.

A produção surtiu grande efeito em todo o elenco e equipe, especialmente em Jolie. "Em filmes que requerem uma atuação profunda, você realmente chora junto, sente raiva junto e vai até o fim. É uma pequena jornada que gera um elo como seres humanos", opina a atriz. Eastwood conclui com uma frase do ator Jimmy Cagney, mas que podia ter sido dita pela própria Christine Collins: "Quando pressionado por caluniadores, uma coisa que todos nós podemos fazer é "fincar os pés no chão e dizer a verdade."

Se Walter Collins ainda estiver vivo, ele hoje tem 89 anos.


Trailers do Filme

 

 


Fonte: Paramount