Quando a comédia 'Todo Poderoso' estreou no fim de semana de verão do Memorial Day, em 2003, ela bateu todos os recordes de público e bilheteria, rendendo quase 1 bilhão e meio de dólares nas bilheterias do mundo inteiro. O diretor e produtor Tom Shadyac havia realizado mais um filme que concretizava o desejo do público por fantasia e por passar o tempo acompanhando gente extraordinariamente engraçada, colocada em circunstâncias bem esquisitas. Além dos elogios rendidos ao comediante Jim Carrey, que encarnou o protagonista do filme, Bruce, o mundo ficou encantado com o educado e enfeitado apresentador do noticiário, Evan Baxter, rival do personagem de Carrey. E assim foi lançada a carreira no cinema do ator Steve Carell ('O Virgem de 40 Anos').

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Quatro anos depois do lançamento de 'Todo Poderoso', Tom Shadyac continuou — e continua — intrigado com a questão espiritual. Apesar de ter declinado ofertas de seqüências, ele queria muito dar continuidade a uma possível série de 'Todo Poderoso', como atesta: “Sempre achamos que seria engraçado fazer capítulos diferentes numa série sobre Deus, em vez de apenas produzir uma seqüência de 'Todo Poderoso'. O terreno era frutífero, criativo e dava margem a personagens diferentes”. Enquanto o primeiro filme questionava de onde vem o verdadeiro poder, este episódio de intervenção divina vasculha o que pode ser deixado de lado quando se busca a felicidade, e traz à tona todo o humor resultante desse quebra-cabeça.

Em 'A Volta do Todo Poderoso', o repórter de Buffalo, que fez o público se dobrar de rir, é o próximo a ser ungido por Deus, como descreve o diretor: “Já tínhamos a idéia básica de que Deus chegaria para alguém e diria: ‘Construa uma arca’. Com este filme, levamos o “Sonho Americano” ao seu grau máximo, o que acarreta conseqüências diluvianas. Evan deseja a maior casa, o maior carro, o maior emprego, mas não compreende o custo disso tudo. Só no final é que ele descobre que tudo o que faz tem um preço”.

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Com o protagonista escalado, era hora de verificar se o ator vencedor do Oscar® Morgan Freeman ('Um Sonho de Liberdade') estava disponível para trazer Deus de volta à tela. “Só existe um Deus, e só existe um Morgan. Só ele tem essa incrível presença de poder absoluto”, compara o produtor Michael Bostick. Trabalhar com um ícone do cinema foi um pouco intimidador para o elenco e para a equipe, mas Morgan Freeman rapidamente deixou todos à vontade e se mostrou um brincalhão no set, como lembra Steve Carell: “Morgan queria ser aceito como todo o resto ali, sem nenhum tipo de reverência. Ele é muito calmo, e percebemos sua total segurança sem o menor traço de arrogância”. Ao que Freeman, modestamente, acrescenta: “Não sou um comediante, decoro as falas e as interpreto da forma mais honesta possível. Se o material é engraçado e o timing estiver correto, a cena ficará engraçada. Ou seja, o mérito é de muita gente”.

Tom Shadyac gosta muito do que faz e, quando as pessoas gostam de seu trabalho, costumam fazer as coisas bem feitas, assim como seu freqüente colaborador, o roteirista Steve Oedekerk ('Todo Poderoso'). “'A Volta do Todo Poderoso' é uma mistura maravilhosa de gêneros, mas, como toda boa comédia, tem uma boa história. A passagem bíblica de Noé é fantástica, ela tem tudo o que precisamos: é humana, épica e tem uma moral. Usamos só uma pequena parte dessa história e a atualizamos, mas é aí que fica todo o centro nervoso do filme”, afirma a ator John Michael Higgins.

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O produtor Michael Bostick admite que realizar um projeto dessa magnitude contribui com o aquecimento da Terra, mas não quando você se compromete a fazer um filme “verde”: “Dados os temas ambientais do filme, trabalhamos junto com o The Conservation Fund para calcular as emissões de carbono resultantes desta produção, desde os veículos utilizados até os equipamentos de construção. Em seguida, plantamos árvores perto do local da arca para agradecermos à comunidade e ‘zerarmos’ nosso prejuízo”. Tom Shadyac acrescenta: “Reciclamos todo tipo de material e os doamos, como o aço da estrutura da arca que foi derretido e doado à ONG Habitat for Humanity. As folhas de papel dos roteiros foram utilizadas frente e verso; a equipe técnica e o elenco receberam bicicletas para se locomoveram nas locações, entre outras medidas de preservação do planeta”. E o diretor e produtor conclui: “Você pode doar todos os seus dólares a todos às ONGs que quiser, mas se estiver poluindo o ar para uma família, não está fazendo uma coisa boa, pois está comprometendo o futuro daquelas crianças. Eu também comecei a acordar como o Evan. A viagem do Evan tem muito da minha viagem. No final do filme, o cara está de cabelo e barba compridos. Será coincidência?”.

 

Fonte: Disney
Fotos: Yahoo! Movies

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