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A Dúvida acabou no domingo de carnaval! Não, não se trata do novo filme da Meryl. Mas saber se Heath Ledger - para quem passou os últimos tempos em marte, o ator australiano falecido em Janeiro de 2008 - iria levar o Oscar. Ele vinha levando os principais prêmios, como o Globo de Ouro e o Bafta, mas a pergunta ficava: levará o Oscar de ator coadjuvante? Venceu! Os maldosos dirão que foi por já ter ido para o outro lado e agora só poder atuar em encenações da paixão de cristo. O elemento morte acabou, aparentemente, afetando a decisão, mas foi apenas a gota d'água. Falar que ele levou tantos prêmios por já ter falecido é injustiça, e nem por ter sido o último trabalho. Ainda há "The Imaginarium of Doctor Parnassus", seja lá o que for sair da nova obra de Terry Gilliam.
Morte e penúltimo trabalho foram detalhes. O Coringa de Heath Ledger foi das criações mais incríveis vistas nas telas e DVDs nos últimos tempos. Já pertence ao Olimpo dos grandes vilões: reuniu-se maldade e estilo: Coringa era o agente do caos, queria a loucura dominando e não tinha nenhum princípio moral, exceto o CAOS! Mas o bichinho tinha linha: figurino 'impecável', falas marcantes. Aliás, poucas personagens foram tão pops quanto ele. Não teve festa de carnaval onde alguém não estivesse de sorriso vermelho; seus trejeitos eram imitados, nos MSN borbulharam citações, e muita gente botou a língua para fora. Suas frases foram as mais citadas dos últimos tempos (para fazer essa frase, tive que pedir para o Capitão Nascimento sair). Novamente, dirão que se trata de lavagem cerebral da cultura de massa. Prefiro apontar o talento como culpado.
Segundo consta, o ator teria se isolado para compor a personagem e o entregue pronto, incluindo a concepção da maquiagem. A construção impecável faz o público esquecer que se trata de Ledger. Podemos até duvidar, e pensar que a produção buscou um realmente lunático. Poucas vezes o espectador abstraiu tanto o astro do cinema - coisa que ele se tornara após "Brokeback" - para perceber só a personagem. A presença de Coringa é hipnótica, sentindo falta quando ausente.
Essa atuação é a coroação na carreira de Ledger. Não pelos prêmios, mas pelo o salto de qualidade dado. No início da carreira fez comédias românticas como "10 coisas que odeio em você" e fiascos como "Coração de Cavaleiro". Depois tivemos ótimas atuações como em "Os Irmãos Grimm". Na época da indicação por "O Segredo de Brokeback Mountain" foi comparado a Marlon Brando. Sua atuação foi muito boa. Mas nada a permitir comparações do tipo nem que merecesse mais do que a indicação.
Agora, após "Batman - O Cavaleiro das Trevas", podemos ombreá-lo com qualquer grande artista do cinema. O que mais dói é pensar quantas grandes atuações o cinema perdeu. Filmografia
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Texto por : Georgenor de S. Franco Neto |