Duro de Matar - Um Bom Dia para Morrer
22.02.2013
Pablo Bazarello

Será que ainda existe espaço para dinossauros da ação como Bruce Willis no competitivo cinema-negócio atual de Hollywood, recheado de franquias de super-heróis bilionárias? A verdade é que esse tipo de filme não existiria sem Willis, Stallone, Schwarzenegger e o cinema pipoca da década de 1980.

Tubarão” e “Star Wars” foram os primeiros blockbusters da história ainda na década de 1970, mas foi na de 1980 que esses filmes-espetáculo se consolidaram, a cada ano com produções que precisavam ser notadas e (muito) comentadas, não só pelos americanos, mas pelo mundo.

Willis e seu John McClane surgiram no finalzinho, em 1988, quando o subgênero já estava consolidado. Mas “Duro de Matar” não deixa de ser importante para os blockbusters, já que o policial de Willis era o mais humano de uma série de heróis vividos por Stallone, Schwarzenegger e afins. John McClane não era uma montanha de músculos indestrutível disparando frases de efeito. Era apenas o homem errado na hora errada, um sujeito comum, que ganhava muito mais pela esperteza do que pela força física. Ele sangrava e ao final chegava como um verdadeiro farrapo humano, perto da morte.

Duro de Matar” era uma grande produção minimalista, um thriller de ação que influenciou muito os filmes do gênero, com personagens e situações mais críveis. É engraçado imaginar então que de revolucionário e influente, John McClane tenha se tornado parte do sistema que antes combatia. Qualquer intenção de um entretenimento mais adulto e sério foi deixada lá atrás na década de 1990, com o terceiro episódio. Em 2007, no quarto filme, “Duro de Matar 4.0” já tínhamos o personagem de Willis realizando façanhas dignas dos super-heróis que de fato deveria diferir.

McClane se pendurava inclusive na asa de um jato, e toma-lhe efeitos de computador. Mas ao menos a diversão ainda estava lá, tínhamos bons vilões (Timothy Olyphant e Maggie Q) com um plano interessante, um senso de perigo, e boas interações humanas (com os personagens de Justin Long e Mary Elizabeth Winstead, que volta numa ponta nesse novo). Aqui, McClane sai pela primeira vez dos EUA e carrega a ação para a Rússia, visando entrar em contato com o filho, com quem não falava há anos.

O protagonista se vê envolvido numa trama internacional, ao descobrir que seu filho é na verdade um agente secreto da CIA (e toma-lhe piadinhas sobre 007). Jai Courtney (de “Jack Reacher – O Último Tiro”) é Jack, o filho de McClane, e o ator se sai bem, mas realmente não tem muito o que fazer aqui, só disparar muitos tiros e brigar com o pai (algumas das cenas são cruéis ao maltratar o velho personagem de Willis, em certas ocasiões sentimos pena dele). O novo “Duro de Matar” é extremamente genérico, e traz John McClane como coadjuvante de seu próprio filme.

O ponto positivo é a ação desenfreada, especialmente uma longa perseguição de carros muito bem orquestrada. Aqui temos algumas das melhores batidas de carros do cinema. Quem procura apenas diversão despretensiosa e passageira não deverá se desapontar. Quem procura algo mais, mesmo num filme de ação, sairá insatisfeito com personagens rasos, diálogos e relacionamentos que parecem escritos por adolescentes, uma trama confusa e desinteressante, e os vilões menos carismáticos do cinema em anos. John McClane merecia muito mais na comemoração de seus 25 anos.

 

Nota:

 

Crítica por: Pablo Bazarello (Blog)