Encontro Explosivo


Knight & Day; April & June; Sol & Lua. Fazendo brincadeira com elementos e/ou nomes complementares, o novo longa de James Mangold (Garota Interrompida; Johnny & June) inicia-se com cara de que não passaria de mais um filme de piadas ridículas e apelos para fáceis clichês. Com um casal de medalhões hollywoodianos como protagonistas, então estaria evocado o espírito de Sr e Sra Smith na tentativa de se produzir mais um sucesso e mais um casal caliente para as telonas. Nada disso aconteceu.

À exceção do apelo para os clichês, o restante consegue ter uma marca de personalidade e piadas advindas das situações esdrúchulas em que se metem os protagonistas. Ao contrário do apelo sensual de Pitt e Jolie, Cruise e Diaz formam um casal divertido, mas sem muito tempero carnal.

Assim como a brincadeira do título original (Knight & Day), um faz contraponto ao outro, na medida certa para agradar aos que procuram um bom passatempo. Ela é, digamos, ensolarada e ele misterioso, nebuloso. Enquanto Cruise se esforça para fazer um tipo ainda galã (e é bom registrar que ele consegue melhorar a performance e o físico em relação aos seus filmes recentes), Diaz usa suas melhores armas – charme e espontaneidade – para encarnar uma mulher extremamente carismática e sapeca, uma hilária desengonçada e desprotegida mocinha, bem diferente da pantera lutadora de outrora. Uma perfeita palhaça.

Ele é Roy Miller, um ex-agente da CIA envolto a mistérios que não me cabem lhes contar; ela é uma mulher solitária, que nunca teve sorte nos seus relaciomentos. Eles se esbarram no aeroporto e desenvolvem uma paquera durante um voo em que coisas estranhas acontecerão, numa boa sequência de dosagem equilibrada entre ação e comédia, que só perde espaço para as posteriores caras e bocas (e ângulos contratuais) de Mr Cruise.

A partir dali, os dois serão cúmplices numa corrida alucinada para salvar um objeto considerado fonte de infinita energia, ou seja, a salvação da humanidade.

É incrível como estes blockbusters encomendados têm a capacidade de serem tão descuidados com o roteiro em prol de barulho e ação. Somente depois de cerca de uma hora de corre-corre vazio é que a trama enfim toma contornos mais interessantes que, aliados a uma mistura de efeitos à James Bond antigos com efeitos ultratecnológicos e uma convidativa trilha sonora dominada pelo tango eletrônico do Gotan Project, Encontro Explosivo nunca alcança um nível de encher os olhos, mas escapa com tranquilidade de explodir como bomba do ano.

 

Nota:
Crítica por: Fred Burle (Fred Burle no Cinema)