Hitchcock
24.01.2013
Arthur Gadelha

Uma das coisas mais complicadas no cinema é transpor para as telonas uma história sobre um personagem real. Muitos dão certo, entretanto, muitos dão errado. Geralmente, quando são pessoas que não foram tão importantes, é razoavelmente mais fácil. Contudo, quando são figuras conhecidas e influentes, tudo se torna mais difícil; como interpretá-las?

Ficam de exemplos casos complicadíssimos, como A Dama de Ferro, no qual Meryl Streep, magistralmente, deu vida à Primeira-Ministra Margaret Thatcher, e o recente Lincoln, qual Daniel Day-Lewis dá vida ao presidente Abraham Lincoln. Saindo do ambiente de biografias políticas, temos Alfred Hitchcock que foi, e ainda é, uma figura importantíssima na evolução do cinema. O Mestre do Suspense, Hitchcock, passou por inúmeras barreiras para ter o seu projeto finalizado, Psicose, o de maior sucesso em sua carreira.

O filme trás de volta o seu grande sucesso, nos mostrando seus bastidores. Desde a primeira vez que Alfred teve contato com a história, até a grande estreia do seu filme. Os elogios são muitos. A começar por Anthony Hopkins, que constrói Alfred Hitchcock com maestria! É uma fabulosa atuação; das melhores do ano! As poses, a voz, os trejeitos com o olhar e com a maneira de falar... Está tudo lá; Hopkins realmente some debaixo da pele do mestre do suspense. Helen Mirren interpreta a sua doce esposa, que enfrenta algumas crises no casamento e no trabalho, nunca deixando o marido sozinho. Scarlett Johansson está maravilhosa; seu papel é tão convincente que parece estarmos vendo a original do filme de 1960.

O começo, assim como algumas partes, lembra o clássico de Tim Burton, Ed Wood. Até mesmo na essência da história, os filmes se assemelham: O diretor apaixonado por seu filme, que as pessoas o renegam e criticam... Incrível analisar esse contexto, pois encontramos algo em comum nos cineastas: A vontade, o amor e a persistência por cada um de seus filmes. Hitchcock, igual ao Edward Wood, passou por inúmeras barreiras para finalizar o seu projeto e torna-lo memorável. Até Ed, considerado o pior diretor de todos os tempos, ficou eternizado por seu último filme “Plano 9 do Espaço Sideral”. O ritmo do filme é primoroso, nos transportando para diversos locais da mente de Alfred; quando em sua sã consciência, quando perturbado, quando imaginativo, dentro de seus próprios filmes... Alfred era sempre o mesmo; com aquela cara emburrada, Hopkins nos transmite diversos sentimentos: Amor, angústia, medo, felicidade, etc... Absolutamente incrível. Surpreende a Academia do Oscar tê-lo indicado só a Melhor Maquiagem – muito boa, também.
O roteiro é outro responsável pela diversão que o filme proporciona, tanto para quem faz cinema, quanto para quem sonha em fazer, ou para quem simplesmente admira.

Os ambientes são muito bem criados, assim como os diálogos eloquentes e as brincadeiras subliminares. É fantástico ter uma noção de como se fazia filmes naquela época, como eram os estúdios ou como funcionava a censura. Outro aspecto promissor, por menos que seja, é a escolha do roteiro por criar cenas em que o próprio Alfred conversa com os personagens de suas histórias, ou conversa com nós, telespectadores. Alfred abre sua mente para nós da melhor maneira, contando pra nós...

A direção segura de Sacha Gervasi traz mais energia ao filme; ele consegue trabalhar com os atores suavemente, além de sempre escolher os melhores ângulos, mesmo que não surpreendentes, mas, perfeitos no quesito. Sacha exerce uma movimentação mais mecânica e suave, sem todo aquele treme-treme de Jogos Vorazes. Esse é o estilo que eu mais gosto de ver nas telonas.

O filme “Hitchcock” não conta toda a história do Mestre do Suspense, mas sim, uma parte muito íntima e intrigante dela. A ideia central do filme não era somente contar a trajetória de Alfred na produção de “Psicose”, mas também, mostrar o quanto é essencial se apaixonar, persistir, acreditar e se entregar à sua arte, seja ela qual for.

 

Nota:

 

Crítica por: Arthur Gadelha (Blog)