Hitchcock
01.03.2013
Pablo Bazarello

O filme “Hitchcock”, dirigido por Sacha Gervasi, faz parte de uma nova tendência de roteiros em Hollywood, que são baseados não na biografia de vida de alguma figura icônica, mas sim em um determinado momento de suas vidas. Em 2011 tivemos o sucesso de “Sete Dias com Marilyn”, que levou a atriz Michelle Williams mais uma vez ao Oscar, ao personificar uma das maiores figuras sexuais do cinema de Hollywood, Marilyn Monroe.

Baseado no livro de Colin Clark, o filme contava o período em que a estrela filmou sua única obra fora dos EUA, “O Príncipe Encantado”.

Em breve teremos Nicole Kidman como a musa Grace Kelly, no período em que abandonou a carreira de atriz para servir com seus deveres como a princesa de Mônaco. Por falar em Grace Kelly, que era a musa do mestre do suspense, chegamos até “Hitchcock”, filme baseado no livro de Stephen Rebello que fala sobre as dificuldades enfrentadas pelo gênio do cinema para conseguir lançar sua obra mais controversa, “Psicose”.

Mesmo sendo um diretor de enorme sucesso financeiro, e de grande qualidade artística, Alfred Hitchcock encontrou grande barreira na hora de produzir o que viria a se tornar seu maior sucesso da carreira e obra quintessencial. Baseado no livro de Robert Bloch sobre o psicopata da vida real Ed Gein, “Psicose” se tornou um fascínio para Hitchcock que travou uma verdadeira jornada épica com o chefe do estúdio Paramount, Barney Balaban (Richard Portnow), que julgava o filme de baixo calão (algo como um filme B trash de terror hoje em dia).

Até Geoffrey Shurlock (Kurtwood Smith), o chefe do departamento de censura para os filmes nos EUA. “Hitchcock” foi um filme que gerou muito hype quando as primeiras imagens de Anthony Hopkins caracterizado como o protagonista surgiram, assim como também os primeiros detalhes da trama, mas que logo após seu lançamento pareceu aos poucos desaparecer. O que acontece aqui é que com um tempo de duração de apenas 98 minutos, e sem um diretor autoral com a mão firme atrás das câmeras, “Hitchcock” fica parecendo muito uma obra feita para a TV.

Seja como for, o filme é uma ótima pedida para os fãs do diretor, e para todos os cinéfilos em geral. Mostra, mesmo que de forma rápida e despretensiosa, os bastidores de um dos mais cultuados filmes da história da sétima arte, e tudo sobre o que uma produção precisava passar até encontrar a luz do dia. “Hitchcock” também nos coloca a par da vida pessoal do ídolo, e seu relacionamento com a esposa Alma.

Mesmo tomando muitas licenças poéticas, e cambando em muitos momentos para o humor, “Hitchcock” é um filme correto, e recomendado para qualquer fã de cinema. Scarlett Johansson e Jessica Biel fazem boas figurações como as atrizes Janet Leigh e Vera Miles, mas são Anthony Hopkins e Helen Mirren que brilham com os melhores desempenhos aqui.

De certa forma, o outro filme sobre o mestre Hitchcock, “A Garota” (feito para o canal a cabo HBO, e sendo exibido atualmente), mergulha mais na personalidade abalada do icônico diretor, em seus traumas, complexos, frustrações e instabilidade. Apresenta Hitchcock como um homem falho, um mero mortal não muito agradável. “Hitchcock”, apesar de igualmente pincelar por tais aspectos, visa mais enaltecer a capacidade artística do cineasta. Se tivesse que escolher, optaria pela segunda visão.

 

 

Nota:

 

Crítica por: Pablo Bazarello (Blog)