O Hobbit - Uma Jornada Inesperada
21.12.2012
Georgenor de S. Franco Neto

Com Bilbo já à caminho da Montanha Solitária e depois de três textos sobre o livro, podemos voltar a falar sobre cinema. Claro, falamos tanto sobre o livro que as comparações serão inevitáveis. Mas, primeiro, vamos ao visual do filme.

É clichê, mas em produções desse porte, beira-se o impecável.

Os figurinos são e perfeitos, a construção dos cenários é criativa, as locações são belas, etc, etc. Resumindo, a mesma qualidade da Trilogia do Anel e a manutenção da unidade visual.

Era previsível que com o know-how da trilogia anterior, uma verba gorda e a melhoria das tecnologias de computações gráfica a qualidade técnica fosse alta. É curioso que os ganhos em computação gráfica não sejam tão perceptíveis. Pouco ouvimos falar em revolução – exceto pelos 48 frames por segundo. Em parte, porque no “Senhor dos Anéis” o nível já fosse muito alto. Sméagol, por exemplo, possui uma textura mais definida, porém não causa o mesmo impacto como no filme anterior.

A unidade visual com os primeiros filmes me chama mais a atenção. Não só nos cenários e figurinos, mas nos estilo de movimentação de câmera, com suas panorâmicas, a coreografia das batalhas, a grandiosidade dos eventos. Alguns podem dizer, “claro, crítico burro, é o mesmo diretor!” Sim, mas a impressão é de que Peter Jackson acabou ontem de filmar o Senhor dos Anéis.

É com certa tristeza que digo que a primeira parte desta nova trilogia apresenta-se como um filme arrastado. Em mais de um momento ele pode se tornar surpreendentemente cansativo! Com o material que tinha em mãos (o livro O Hobbit e vários apêndices espalhados pela obra de Tolkien) causa espanto passagens como a do porco espinho – a que melhor representa esse peso que o filme carrega.

Apostaria que essa velocidade do filme decorra da ideia de dividir o livro em três. Com tempo de sobra, as sequências puderam ser detalhadas a exaustão. Alguns movimentos de câmeras, mesmo belos, provavelmente seriam abreviados se fossem dois filmes.

Se esse detalhismo será encarado como um defeito ou uma qualidade, isso dependerá muito do espectador. Afinal, a lentidão, em si, nunca foi um defeito. O cinema moderno está cheio de casos de diretores especializados na lentidão. Contudo, quando pensamos em um filme como “O Hobbit”, o blockbuster do ano, esperamos algo mais ágil do que um Tarkovisky. Ok, ok, exagerei na comparação!

O filme parece deixar no colo do espectador a decisão. Para quem viu apenas a trilogia “O Senhor dos Anéis”, ou nem isso, poderá considerar o filme arrastado. Para fãs de Tolkien, esses pormenores poderão ser um presente! Eu disse poderão. Afinal, há uma queda no ritmo do filme, que se torna arrastado. Pessoalmente, esse ritmo arrastado é um defeito, fruto do erro de planejamento.

Outro fator contribuiu para isso foi o trecho da história escolhido para o primeiro filme, o menos movimentado do livro. O pessoal do roteiro até conseguiu incrementar a ação, com sacadas como promover o orc Azog de coadjuvante para papel de principal vilão. Isso proporcionou maior ação à narrativa. O uso dos apêndices do livro “O Senhor dos Anéis” – história de Necromancer – ajudam, mas são mais uma promessa para os próximos filmes.

Pensando em termos estritamente artísticos, Peter Jackson deveria ter insistido em realizar dois filmes, suficientes para dar conta do livro sem cair em problemas de ritmo. E aos fãs de Tolkien que desejassem mais, Jackson poderia dar de presente uma versão estendida em vídeo.

Pesado e medido, o resultado de “Uma Jornada Inesperada” foi bom, apesar dos problemas rítmicos. Torço, sinceramente, para que os próximos dois filmes resolvam isso, e consigam envolver o espectador, para o bem da carreira de Tolkien no cinema: se “O Hobbit” for bem sucedido, podemos aguardar a adaptação do “Silmarillion”.

 

Nota:

 

Crítica por: Georgenor de S. Franco Neto (Blog)