O Mestre
22.01.2013
Edu Fernandes

Uma das características do cinema narrativo é a manipulação das emoções da plateia. Todo filme tem um objetivo: rir, chorar, animar, inspirar... No caso de O Mestre (The Master), o longa brinca com cinismo e isso se percebe em várias áreas do filme.

A história acompanha um veterano de guerra (Joaquin Phoenix, de Amantes) que volta para casa traumatizado e alcoólatra. Em 1950, Freddie encontra o líder (Philip Seymour Hoffman, de O Homem que Mudou o Jogo) de A Causa, um grupo exótico no qual religião, filosofia e ciência se confundem. Lancaster é o autor de um livro em que explica os preceitos de sua fé e agora escreve o segundo volume.

Durante todo o desenrolar do filme não fica claro para o espectador o quanto Lancaster é um charlatão ou o quanto ele realmente acredita no que faz. É nessa brecha que nasce todo o cinismo de O Mestre. O mesmo vale para outros personagens.

A música composta por Jonny Greenwood (Precisamos Falar sobre o Kevin) mistura ritmos dissonantes. Batidas agitadas mesclam-se com instrumentos mais clássicos e a trilha dita o cinismo na massa sonora do filme.

Na parte visual, a mensagem é transmitida por desfoques. São constantes enquadramentos em que os personagens são visíveis, mas há objetos embaçados no primeiro plano. Assim, fica implícito que não se pode ver tudo com clareza, como as intenções dos personagens.

Tudo isso funciona sob a tutela do competente diretor. Paul Thomas Anderson (Sangue Negro) apresenta mais um grande filme e nos brinca com alguns belos movimentos de câmera.

Nota:

 

Crítica por: Edu Fernandes (CineDude)