A Origem


Christopher Nolan é um dos melhores diretores da atualidade. Ponto.

Não é qualquer um que emplaca, em seu sétimo longametragem, o terceiro trabalho entre os “melhores de todos os tempos” (segundo lista do IMDb). Nolan tem construído sua carreira em cima de um tema que parece ser sua obsessão: a mente humana. Assim ele o fez em Amnésia, em Insônia, em O Grande Truque e até mesmo com o Coringa de Batman – o Cavaleiro das Trevas.

Em A Origem, o diretor continua explorando o campo do ilusório, do psicológico e do neurótico, só que, desta vez, através dos sonhos, terreno em que tudo é possível, ou seja, o diretor tem total liberdade de criação e pode inserir a dose de surrealismo e loucura que quiser, sem precisar explicar muita coisa ou ser coerente. Mesmo não tendo esta obrigação, Nolan consegue fazer uma obra muito bem amarrada e coesa.

O filme desenvolve a hipótese de que é possível fabricar sonhos e construir mundos alternativos dentro deles, fazendo com que eles pareçam verdade enquanto vivenciados e deixando as pessoas suscetíveis a fornecer informações, assim como adentrar diferentes níveis de subconsciente enquanto dormem.

Leonardo DiCaprio é Cobb, um ladrão de sonhos. Ele consegue entrar nos sonhos da pessoas e roubar-lhes informações preciosas. Mas foi acusado de um assassinato e só conseguirá provar inocência e voltar para sua família se descobrir a origem da técnica de inserção nos sonhos. Ele contará com a ajuda de sua equipe para esta missão, ao mesmo tempo que será perseguido por um inimigo que só ele sabe quem é e como lidar com ele.

Cenários que mais pareciam engenhocas foram construídos pensando em conferir maior realismo às cenas e possibilitando que o elenco se envolvesse mais com a história, como a sequência de briga sensacional em que Joseph Gordon-Levitt flutua num cômodo rotatório, enquanto seus amigos encontram-se em outra dimensão de sonhos. Um trabalho de direção de arte dos mais impressionantes que já vi. Unida à fotografia deslumbrante, aos efeitos e à trilha sonora sensacional de Hans Zimmer, transforma o filme numa obra tecnicamente impecável.

Felizmente, o vislumbre estético não se sobrepôs ao roteiro e aos personagens, cada qual com sua densidade e importância para a história, sem que nenhum precisasse ser um tirano de atos injustificáveis – todos pecam pela ambição, ciúmes, egoísmo e extinto de sobrevivência. Mérito do diretor e do elenco invejável, que conta com Marion Cottilard (Piaf), Ellen Page (Juno), Joseph Gordon-Levitt (500 Dias com Ela), Michael Caine (dispensa apresentações), Cillian Murphy (Sunshine – Alerta Solar), Ken Watanabe (Cartas de Iwo Jima) e por aí vai.

A Origem junta-se ao seleto grupo dos filmes que exploraram com primor a mente e/ou universos paralelos e realidades alternativas, como Matrix e Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças. É um filme cheio de conceitos e passível de inúmeras leituras. É bem verdade que muitas dúvidas foram plantadas na minha cabeça depois de assistir ao filme, mas não tem problema. Irei assistí-lo novamente para sanar estas questões (desculpa esfarrapada para rever esta grande obra).

 

Nota:

Crítica por: Fred Burle (Fred Burle no Cinema)